Cultura

Grupo de maracatu de Araçatuba busca sair da invisibilidade social e luta contra o preconceito

Baque D´Orum participou do projeto Limoeiro 2k21, onde contou sua história em terras araçatubenses

Da redação - Hojemais Araçatuba
07/08/21 às 15h00
Aline Benitez é fundadora e líder do grupo (Foto: Divulgação)

No final do mês de julho, ao comemorar um gol, o jogador de futebol da seleção olímpica Paulinho simulou atirar uma flecha em homenagem ao orixá Oxóssi, do candomblé. A ação repercutiu nas redes sociais e reacendeu um antigo debate sobre a livre expressão da religiosidade no País.

A exaltação do atacante foi considerada muito representativa. Afinal, a homenagem não tem sido comum nos campos de futebol nos últimos anos, mesmo em uma nação em que mais de 588 mil pessoas são declaradamente adeptas de religiões com base de matriz africana, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Nem todos que expressam sua religiosidade vinculada à cultura de terreiro, contam com tranquilidade e respeito da comunidade em que estão inseridos. O grupo de maracatu Baque D´Orum, de Araçatuba (SP), tem lutado contra a invisibilidade social e o preconceito.

“Quando as pessoas nos veem ensaiando, ligam para a polícia alegando perturbação do sossego. E, ao invés de os policiais explicarem aos cidadãos que o ensaio é uma manifestação cultural, os agentes da lei pedem que paremos as atividades. Isso ocorreu várias vezes, infelizmente”, relata Aline Benitez, fundadora e líder do grupo Baque D´Orum.

O grupo de maracatu participou do projeto cultural Limoeiro 2k21, ocasião que contou um pouco da sua história e dificuldades em terras araçatubenses. Criado em 2018, ele realizava ensaios no centro da cidade, mas, atualmente, tem se reunido nas ruas da periferia.

Manifestação livre

“Graças à generosidade de algumas pessoas, nossos instrumentos estão, por enquanto, guardados em um centro vomunitário. O ideal é que tivéssemos um local próprio em que pudéssemos nos reunir e ministrar cursos de instrumento e música de forma gratuita”, afirma Aline. “Gostaríamos de nos manifestar livremente, quebrar a barreira do preconceito e ter o devido reconhecimento de nossa arte”, completa.

O grupo Baque D´Orum foi destaque, em 2019, no Hojemais Araçatuba (confira a matéria clicando aqui ). Na ocasião, Aline Benitez explicou que o grupo criado no município é de maracatu de baque virado, ligado à centenária nação do maracatu Porto Rico, de Recife (PE). Atualmente, ele é composto por 35 integrantes.

Limoeiro 2K21

O vídeo com o grupo de maracatu Baque D´Orum está disponível na programação do Limoeiro 2k21 ‘Ambiente Cultural On-Line’, uma plataforma que, na prática, funciona como um festival permanente de artes integradas com acesso livre e gratuito.

Concebido pela Aruê! Arte, Cultura e Holismo, produtora em Araçatuba dirigida por Rafael Batista, o Limoeiro é realizado por meio do Programa de Ação Cultural (ProAC Expresso LAB), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e do Governo Federal - Lei Aldir Blanc.

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