Instrumentos
Os instrumentos utilizados nos ensaios do maracatu são específicos. Caixa, tarol, ganzá (ou mineiro), gonguê, tambores/alfaias e agbês, feitos artesanalmente com madeira, cordas, cabaças e miçangas, integram o movimento. E o apito, que é o instrumento que rege todo o “baque”.
Os tambores já eram da Aline, herança da nação Porto Rico. Outros integrantes levaram seus instrumentos e o grupo de Foz do Iguaçú presenteou o Baque D´Orum com um agbê, miçangas e uma caixa.
Os ensaios são flexíveis e atendem a demanda do grupo. No repertório, loas que são tradicionais em todo Brasil e que contam a história dos negros que foram escravizados no País. “Na nação Porto Rico, os negros vieram da região de Nagô e o maracatu foi uma das formas que essas pessoas encontraram para se manifestar cultura, história e sua religiosidade”.
As loas têm em comum a africanidade. Algumas falam dos orixás, outras retratam o sofrimento dos escravos, que pediam ajuda e louvavam por meio do canto, e outras contam a história da própria nação, destaca a líder. Estima-se que o maracatu de baque virado provavelmente tenha surgido nos séculos XVII e XVIII.
Experiência
A maioria dos integrantes não tinha tido a experiência de participar de um grupo de maracatu. A advogada Flávia Nascimento dos Santos, de 22 anos, de Araçatuba, tinha visto uma apresentação em Ilha do Cardoso (SP). “Eu sempre achei o maracatu algo lindo e cheio de energia, olhava e me identificava, eu me reconhecia ali. Quando a Aline veio para Araçatuba e trouxe o maracatu, logo fui fazer parte do grupo. Desde de então vem sendo uma das melhores experiências da minha vida”, diz Flávia.
De acordo com ela, fazer parte do maracatu aproximou-a da sua ancestralidade e da religião. “Todas as energias em que acredito e tenho fé. O maracatu te vibra por dentro. Quando estou tocando, meu corpo e meu coração pulsam no mesmo ritmo do baque (...). Fico feliz demais de podermos ter em nossa cidade. Maracatu é patrimônio do Brasil”.
