Indígenas das etnias Terena e Kaingang, que vivem na aldeia Icatu, na cidade de Braúna (SP), realizaram, nesta terça-feira (26), apresentação cultural em dois CEIs (Centros de Educação Infantil) de Birigui. A visita às creches foi parte das atividades alusivas ao Dia do Índio, celebrado oficialmente em 19 de abril.
Pela manhã, o grupo se apresentou no CEI "Ana Souto Trevisan", no bairro Costa Rica, que conta com cerca de 130 alunos entre quatro meses e cinco anos. À tarde, foi a vez do CEI "Bella Clark", no Jardim Ipanema.
“Ao longo do ano, nós trabalhamos as datas comemorativas. Este mês estamos falando com as crianças sobre o índio e sua cultura. Para tornar o conteúdo mais concreto convidamos os representantes da aldeia Icatu para esta visita”, explicou a diretora da unidade, Marisa Bianchini Pontes Minari.
A secretária de Educação, Iládia Cristina Marin Amadio, explicou que existe um plano pedagógico para ser cumprido, mas cada unidade tem autonomia para ampliar esse plano. “O objetivo é que as atividades ajudem a fixar da melhor maneira possível o conteúdo proposto para nossos alunos”, disse.
Manutenção da cultura
A aldeia Icatu ocupa área de cerca de 300 hectares de terra em Braúna, na margem esquerda do córrego Icatu. Ela formou-se a partir da transferência, nos anos 40, das famílias Terena, originária do Mato Grosso do Sul, para o posto Icatu. Hoje, segundo o cacique e líder da Aldeia Icatu, Ronaldo Iaiati, de 53 anos, no local vivem 54 famílias, cuja população estimada é de 200 pessoas.
O cacique afirmou que é importante a interação de seu povo com a comunidade da região. “As apresentações nos ajudam a divulgar nossa cultura e incentiva os jovens da aldeia a manterem as tradições do nosso povo”, observou.
Para os alunos das creches, o cacique disse que foram feitas as danças do bate-pau e de apresentação de um novo líder. Os indígenas usaram roupas feitas a partir de materiais rústicos, encontrados na natureza e adereços artesanais confeccionados a partir de sementes e penas de animais.
Iaiati explicou que tudo é colhido da natureza, sem o sacrifício de animais. “Em primeiro lugar é preciso pregar o respeito ao meio ambiente. Não é preciso a degradação para extrair dele nosso sustento e todos os adereços que precisamos para o artesanato produzido na aldeia”, frisou o cacique.
