Cultura

Música além da vida

"Parece absurdo, mas em pleno 2019 ainda tem quem faça piada ou até comemore a morte de artistas"

Eduardo Martinez - Hojemais Araçatuba 
30/06/19 às 11h00

Marcelo Yuka, Tavito, Keith Flint, Dick Dale, Scott Walker, MC Sapão, Beth Carvalho, Léu, Gabriel Diniz, Serguei, André Matos, e Paulo Pagni. Você sabe o que essas pessoas têm em comum? Artistas da música que nos deixaram nesse primeiro semestre de 2019. A perda de um ídolo pode causar reações diversas. Vai desde aquele lamento contido, em que o fã sente por saber que não vai ter um novo trabalho do ídolo para acompanhar, até aquela sensação como se um ente querido tivesse partido.

O que deve sempre prevalecer é o respeito. Parece absurdo, mas em pleno 2019 ainda tem quem faça piada ou até comemore a morte de artistas apenas por não curtir o som. Recentemente, com a morte de Gabriel Diniz, do hit “Jenifer”, isso foi frequente nas redes sociais.

Ainda bem que ainda existe gente com o mínimo de bom senso. Na semana da morte de Diniz, o moderador de um numeroso grupo de fãs da banda Nirvana em uma rede social postou uma breve homenagem ao cantor de “Jenifer”. E para a surpresa geral, considerando a diferença radical de estilos musicais, quase todos os comentários foram de apoio ao post ou respeito ao ocorrido. Kurt Cobain, onde quer que esteja, certamente sorriu ao saber que sua célebre frase fez sentido pra alguém: “Peace, love, empathy” (Paz, amor, empatia).

Quando um artista morre é natural que cresça o interesse pela sua obra. Devido a repercussão na mídia, comoção dos admiradores etc. Mas sempre tem aquela parcela de fãs que se irrita com isso. Já chama os novos entusiastas de “modinhas” e bota pra fora um sentimento quase infantil de possessividade, como se ninguém tivesse o direito de conhecer ou se interessar por algum artista tardiamente.

A morte de um ídolo pode chegar sem dar qualquer sinal e é dolorosa mesmo quando dá todos os sinais. Então, vamos valorizar e curtir nossos ídolos enquanto estão vivos. Mas se você se descobriu fã de alguém que já se foi, sem problemas. Curta e enalteça da mesma forma. Para os incomodados? Paz, amor e empatia, que tudo fica bem.

Foto: Flávia Baxhix

 

Eduardo Martinez é jornalista, editor de imagens e músico. Aficionado por música, entusiasta de novidades e defensor da ideia: quem fala que não se faz mais música boa no Brasil, não procurou direito.

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