Cultura

Músico de Araçatuba lança primeiro CD solo

Além das composições próprias, Iran Marcius produziu From Anywhere em home studio

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
29/06/19 às 11h36
Iran Marcius faz parte da formação da banda de blues Swing Snake Blues e Solene Black (Foto: Flávia Baxhix)

Com uma trilha sonora autoral, o músico e vocalista Iran Marcius, de Araçatuba, lança seu primeiro CD solo, o “From Anywhere” (ou De Qualquer Lugar, em tradução livre).

O álbum, que tem uma pegada pop ou pop rock, é composto por oito faixas. De acordo com o músico, as canções foram compostas ao longo dos anos e o trabalho só foi finalizado após quatro ou cinco anos entre estudos de produção, gravações e outros trâmites.

“A música mais antiga ali tem cinco anos. Há várias outras compostas, mas resolvi escolher essas oito por achar que elas são esteticamente correlacionadas”, destaca Iran. O músico conta que, além de gostar do estilo pop, escolheu essa linha porque acredita que as pessoas se conectam bem com esse tipo de som.

“São músicas suaves e até mesmo dançantes. Se alguém começa a bater o pé no chão, a mão na mesa ou balançar a cabeça no ritmo da sua música, pronto, você conseguiu gerar uma resposta, missão cumprida. Eu acho o pop oferece essa possibilidade”.

Para o projeto, a influência mais forte que destaca é a música de John Mayer, apesar de ouvir de tudo, incluindo outros ícones, como Lenine e Djavan, e blues. “John Mayer é um cara praticamente derivado do blues, apesar de ser um artista pop”, conta.

O som está disponível nas plataformas Spotify , Google Play , YouTube Music, Apple Music , Deezer  e Amazon Music.

Inglês

O músico também explica o motivo que o fez optar pela língua inglesa nas composições (de oito canções, sete são em inglês e uma em português). Ele explica que o pop tem origens na música norte-americana, estando o blues, vertente a qual tem trabalhado há algum tempo, na base dos estilos musicais. “Acho que o inglês é a língua materna do blues e, portanto, do pop, do rock e outros derivados. Sendo assim, em termos de estética, faz mais sentido usar o inglês num álbum pop”, completa.

Sob o mesmo raciocínio, ele lembra da música “Garota de Ipanema”, algumas vezes cantada em outros idiomas, como o inglês, mas que na opinião dele fica melhor na língua original, em português.

“Assim como um chorinho, um samba e outros estilos, cuja língua materna é o português. Claro que eu sei que não há regras, pois a arte não é assim. Pode-se dizer que eu escolhi o caminho fácil ou óbvio. Por outro lado, o inglês é hoje uma língua universal e isso cria a possibilidade do álbum ser consumido em outros países, além do Brasil”, ressalta.

Ponto alto

Para Iran, o ponto alto do trabalho não tem a ver com o idioma escolhido, influências ou com a escolha do ritmo. Para ele, o mais importante é que o álbum foi feito em Araçatuba, valorizando a produção cultural da cidade. O músico lembra de outros projetos que também valorizaram a cena local, como Fábrica da Arte, Talita Rustichelli (que teve uma participação especial na faixa “Minor Setbacks”), Davi Makuin, Zé Renato e outros artistas do município.

Produção

Além das composições, o disco foi todo produzido por Iran, em home studio. Inclusive, como ele mesmo explica, o projeto só foi concretizado graças às facilidades do avanço das tecnologias de produção de áudio e das plataformas de streaming.

Ele, que sempre se interessou por produção musical, gravação, mixagem e masterização, estudou materiais especializados, disponíveis em vídeos de YouTube, blogs do segmento, material adquirido sobre o assunto. 
“Esse foi um dos motivos para o álbum demorar tanto tempo para sair. Ele foi meu projeto-piloto para os meus estudos de produção. Cheguei a regravar ou remixar várias vezes algumas músicas.”

“Antes, há 10 anos ou 15 anos, para conseguir gravar um áudio de qualidade, do ponto de vista técnico, tinha que ter um caminhão de dinheiro para pagar as horas do estúdio, contratar músico, pagar engenheiro de mixagem, de masterização; hoje com uma carriola de dinheiro, você resolve”, brinca Iran.

O lançamento oficial do CD ainda não está marcado, mas ele já planeja algumas ações. Quanto a projetos futuros, ele conta que já tem 12 músicas para um próximo trabalho.

Trabalhos

Atualmente, é vocalista e guitarrista na banda Swing Snake Blues, com integrantes da cidade e Birigui, desde 2008. Com o grupo, participou da Virada Cultural em 2011, realizou alguns shows pelo Sesc. Também faz parte da banda Solene Black desde 2017.

O músico é formado em análise de sistemas. Já passou por bandas de metal, hard rock, rock, instrumental e até sertanejo, em uma única experiência; produziu jingles para empresas e foi professor de composição no computador.

No final da década de 80, participou como baixista no Tuba Trio, do Marcelo Amorin, e entre 1993 e 1998 teve a banda Chuckwalla. O grupo participou de duas edições do Skol Rock na etapa de Bauru, tendo ficado em terceiro lugar na primeira edição e em quarto lugar na segunda edição com músicas autorais. Nesse mesmo período, integrou a banda Art. 13 como baterista.

Em 2014 participou como guitarrista no grupo Balaio de Vó, com Talita Rustichelli, e teve a oportunidade de tocar na Virada Cultural no mesmo ano.


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