Cultura

‘Top Gun: Maverick’ é uma sequência honesta, e superior ao original em quase tudo

“O longa 'voa' muito além do saudosismo — aliás, sua envergadura dramática e técnica é suficiente para reiterar uma excelente experiência cinematográfica [...]”.

Valter Soares de Souza Junior*
29/05/22 às 16h00
(Foto: Divulgação)

Unindo com habilidade nostalgia e ação, o novo ‘Top Gun: Maverick’ constrói uma sequência notável 36 anos após o primeiro filme (incluindo um atraso no lançamento devido à pandemia da covid-19).

Grandioso, barulhento e até, de certo modo, emocionante, a continuação se estabelece ao combinar as melhores partes do seu antecessor com novas cenas de combate aéreo e, o mais importante, depositar todas as fichas em seu principal astro, Tom Cruise. Não é um filme perfeito, mas é perfeitamente bem executado.

Mais velho, porém não necessariamente mais sábio, a história descreve Pete Mitchell, também conhecido por “Maverick”, como um temerário piloto da Marinha cuja carreira não correspondeu às suas habilidades de voo – em grande parte porque ele tem o mau hábito de não obedecer a ordens e desrespeitar autoridades. Devido um atrito com um almirante, Mitchell é enviado de volta para a academia Top Gun, onde reencontra Penny (Jennifer Connelly, salvando o interesse romântico da mediocridade clichê), e torna-se repetidamente caçoado por conta da sua idade.

Mitchell, no entanto, é convocado a treinar um grupo de jovens pilotos para uma missão demasiadamente difícil, a de destruir uma usina de purificação de Urânio de uma nação rebelde situada em um vale que só pode ser alcançado voando através de um cânion. Ele tem pouquíssimo tempo para treinar seus pilotos e, além disso, precisará lidar com um conflito envolvendo Bradley "Rooster" Bradshaw (Miles Teller), filho de Goose, seu antigo parceiro de voo. Isto porque, Mitchell ainda acredita ser responsável pela morte do amigo.

Apesar do tempo passado, estão ali os roncos dos motores, os óculos de aviador, as jaquetas verde-musgo e as motocicletas rodando em estradas vazias sob luzes crepusculares. Ainda assim, analisado sob a perspectiva de um blockbuster que ele é, temos aqui um título bem acima da média da pasmaceira dos super-heróis estilo Marvel e suas tiradas infantilizadas. As cenas de combate aéreo, por exemplo, que graças ao posicionamento de câmeras nos próprios aviões, uma mixagem de som impecável e o uso inteligente de efeitos práticos, são capazes de saciar a necessidade inerente de ação e velocidade.

Técnica

‘Top Gun: Maverick’ é superficialmente um filme de ação, mas também é um filme sobre mortalidade, sobre acertar pontas soltas, fazer as pazes com o passado. Val Kilmer, que participou do longa original, retorna e, debilitado pelo câncer de garganta, faz uma participação que chega a ser tocante. O longa “voa” muito além do saudosismo — aliás, sua envergadura dramática e técnica é suficiente para reiterar uma excelente experiência cinematográfica que nos faz lembrar da magia prática e sofisticada que só o cinema é capaz de proporcionar.

O cineasta Joseph Kosinski não tem a mesma energia quente das lentes ardentes e sexys de Tony Scott, que transformou a propaganda de recrutamento militar da obra original num erotismo sonhador pelos céus, mas o novo diretor cria sua própria narrativa visual com danças nos espaços azuis e montanhosos, combates aéreos de tirar o fôlego e a intensidade sensorial do que é pilotar um caça.

Kosinski é seguido por uma produção meticulosa e um roteiro que celebra o primeiro filme, a moda antiga (homens acima de tecnologia), seus personagens e principalmente Tom Cruise, um artista que se mostra eterno. É possível e até provável que um dia ele deixe de ser astro (o último grande astro, aliás). Mas esse dia não é hoje.

Inevitavelmente, é quase impossível fazer com que este novo longa ocupe o mesmo lugar central na mitologia hollywoodiana que o primeiro, produzido no auge da era Reagan, com suas enormes bandeiras americanas tremulando, sua ode ao heroísmo individual e todas as suas frases de efeito que fizeram dele um dos filmes mais simbólicos dos anos 1980. ‘Top Gun: Maverick’ é mais um tributo, nostálgico e honesto, a um tempo que se foi; quando os filmes só estreavam na tela grande do cinema.

Título Original: Top Gun: Maverick

Estreia: 26 de maio de 2022 (Brasil)

Duração: 137 minutos

Gênero: Ação/Aventura

Direção: Joseph Kosinski

Elenco: Tom Cruise, Miles Teller, Jennifer Connelly, Jon Hamm, Glen Powell, Lewis Pullman, Ed Harris, Val Kilmer, Jay Ellis, Manny Jacinto, Monica Barbaro, Charles Parnell, Bashir Salahuddin, Danny Ramirez.

(Foto: Arquivo pessoal)

Valter Soares de Souza Junior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

Gostaria de ter artigos publicados no Hojemais Araçatuba? Entre em contato pelo e-mail redacao@ata.hojemais.com.br

LEIA TAMBÉM
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM CULTURA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.