A seresta é um gênero musical, que no Brasil, chegou como mais uma herança cultural de Portugal. Por aqui, a vertente ganhou características próprias, deixando um pouco a atmosfera de nostalgia e do romantismo, para agregar outros ritmos brasileiros, como o samba.
Em Araçatuba (SP), a seresta tem seus representantes e entusiastas, que por 35 anos integraram o grupo Amigos da Seresta - atualmente, o conjunto tem feito apenas apresentações esporádicas; a última foi no ano passado, como homenagem ao Dia das Mães.
Agora, por meio do livro "Grupo Amigos da Seresta - 35 anos", os seresteiros de Araçatuba contam suas histórias. A obra, de autoria do jornalista, escritor e professor, Arnon Gomes, será lançada nesta sexta-feira (14), às 19h30, na livraria Vila Sophia, em Araçatuba (SP).
O livro conta a trajetória do grupo, que por mais de três décadas se decidou em levar músicas que resgatam a nostalgia e o romantismo.
Na oportunidade, Arnon irá autografar livros e bater um papo com o público presente. Haverá ainda apresentação dos músicos que compõem o conjunto. A entrada do evento é gratuita.
O grupo foi criado no final da década de 1980 por Elyseo Carlos Martins, uma grande figura cultural de Araçatuba, que ficou famoso por cantar na noite araçatubense e em mais de 60 carnavais. Constam ainda entre os pioneiros o ex-prefeito Valter Tinti e o radialista Aurélio Rosalino, coordenador do grupo.
Emoção
O trabalho começou a ser idealizado há um ano por iniciativa de um de seus integrantes, Beltrão da Silva Santos, que por 15 anos participou do grupo junto com a esposa.
De acordo com Arnon, além de contar a história da seresta e como o ritmo se estabeleceu no Brasil, o livro traz capítulos que destacam a trajetória de cada membro. Foram 30 entrevistas, que resultaram em visões particulares, surpreendentes e emocionantes sobre o grupo.
Nesse sentido, o autor destaca a entrevista com uma das vocalistas, Maria José. "Temos o depoimento muito emocionado dela (Maria José), que conta que a música mudou a sua vida. Ela trabalhava em propriedade rural, uma pessoa de dificuldades financeiras, negra. Ela diz, de maneira emocionante, que os integrantes se mobilizaram, juntaram dinheiro e compraram materiais para construir a casa dela, onde mora até hoje, no Porto Real".
Amor à música
Arnon conta que ficou surpreso com a espontaneidade do Amigos da Seresta, considerado o grupo musical com maior duração no município, que se manteve em atividade mesmo depois de perder seus expoentes. "Mesmo assim, as pessoas souberam dar continuidade, principalmente o Beltrão, que fez o grupo continuar. A vida inteira, nunca fizeram apresentação em troca de cachê. A gente tem uma verdadeira história de 35 anos de amor à música. Isso foi o que mais me surpreendeu".
Beltrão, que também conta sua história no livro, lembra que o grupo cantou muitas vezes na antiga Newton's Pizzaria, além de ter se apresentado em muitos eventos nas praças e nos teatros. Para ele, os momentos mais marcantes sempre foram os dias das mães e dos namorados.
O seresteiro ainda frisa que o conjunto chegou a ter em torno de 24 elementos, entre músicos e cantores, e que por muitas vezes contava com a participação do grupo de dança da academia Sandro's Dance. "Trazia também convidados como Zé Renato Gimenes e Manuel Marcos, filho do grande Antônio Marcos", afirma Beltrão.
