Dos 43 municípios da região de Araçatuba (SP), Birigui foi o que mais demitiu ao longo de 2019. O saldo do emprego no município, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado nesta sexta-feira (24), apontou o fechamento de 554 vagas de trabalho.
O município registrou a contratação de 12.969 trabalhadores no ano passado, porém demitiu 13.523, o que resultou no saldo negativo (-554). Em 2018, o saldo do emprego era positivo em 170 vagas, resultado de 13.849 admissões e 13.679 desligamentos.
Indústria e comércio foram os setores da economia que mais fecharam postos de trabalho, com saldos negativos de -1.371 e -145, respectivamente. Por outro lado, o setor de serviços abriu 825 vagas, 99 a mais do que em 2018, e a construção civil, outras 105.
O economista e professor universitário Marco Aurélio Barbosa de Souza explica que os números de 2019 de Birigui são reflexo da situação crítica que a indústria de calçados enfrentou no primeiro semestre, quando houve uma readequação. “No segundo semestre, a própria indústria de calçados apresentou uma melhoria, ou seja, ela está otimista e acredito que entra otimista em 2020, em termos de oportunidade e geração de emprego”, destaca.
Ainda de acordo com Souza, as políticas públicas de desenvolvimento local que vêm sendo implementadas no polo calçadista, que visam a diversificação do parque produtivo, demoram um tempo para se consolidar. “Acredito que no decorrer de 2020 elas comecem a surtir efeito, gerando um equilíbrio maior entre os setores produtivos da cidade e potencializando em termos de desenvolvimento”, opina.
Araçatuba
Araçatuba, que é sede de região, também demitiu mais do que contratou em 2019. Foram registradas 20.128 admissões contra 20.236 desligamentos, resultando no saldo negativo de 108 vagas.
Apesar das demissões, o número é melhor do que os de 2018, quando o saldo era negativo em 604 postos de trabalho.
“Araçatuba tem apresentado melhorias. Desagregando os dados, vemos que o setor de serviços gera uma boa quantidade de emprego e a cidade se consolida cada vez mais como um polo fornecedor de serviços de alta e média complexidade, serviços importantes que agregam muito em termos de geração de riquezas”, explicou Souza.
Indústria e construção civil foram os setores que mais fecharam postos. Por outro lado, os números positivos são do comércio, que abriu 279 vagas com carteira assinada, e o setor de serviços, com 81 novas oportunidades.
Cenário positivo
Para o economista, como a expectativa é de um crescimento econômico de 2,3% no País neste ano, o cenário é bastante positivo para a região. “Acredito que fecharemos 2020 com números mais favoráveis em relação a 2019 e as duas maiores cidades da região devem fechar com saldo positivo e com ganhos em termos de diversificação, maior equilíbrio na matriz produtiva e sofisticação em termos de prestação de serviços.”
Souza afirma que uma indústria que emerge de uma crise, como a que o País viveu, acaba mais produtiva, inovativa, diferenciada e preparada para realmente iniciar um ciclo sustentável de crescimento. “Talvez com a recuperação do setor sucroalcooleiro, outro eixo produtivo importante da nossa região, teremos uma somatória de fatores que tende a criar oportunidades para as pessoas ao longo do ano”.
O economista avalia que a conjuntura econômica atual é favorável ao crescimento do País e da região em decorrência das taxas históricas de juros (hoje a Selic em 4,5% é a menor da história), disponibilidade de crédito no sistema financeiro e crédito imobiliário se expandido.
“A construção civil, que gera muito emprego e que também veio de uma crise na região, deverá ser um dos principais setores em termos de geração de emprego.”