Economia

Hortifrútis terão 4,32% de impostos na composição de seus preços a partir de janeiro

Além de frutas, legumes e verduras, leite, queijos e carnes também serão afetados pelo novo ICMS Paulista, avisa Apas; Faesp tenta diálogo com o governo

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
23/12/20 às 18h37
Inflação de hortifrutigranjeiros, até novembro de 2020, foi de 18,79% (Foto: Roberto Justo Kabana/Banco de imagens)

Produtos como carne, leite, hortifrútis, pães e congelados terão até 4,32% de impostos na composição dos seus preços nas gôndolas dos supermercados a partir de 15 de janeiro de 2021, informou a Apas (Associação paulista de Supermercados).

O índice é resultado da lei 17.293/2020, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo no dia 15 de outubro, que permitiu ao governador João Doria (PSDB) editar quatro decretos (65.252/20, 65.253/20, 65.254/20 e 65.255/20) para inserir o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no preço de alguns produtos no Estado de São Paulo.

Na prática, a lei altera a isenção do imposto e impacta no valor final dos produtos a partir de janeiro.

Por exemplo. Os produtos hortifrutigranjeiros (in natura), atualmente isentos de ICMS, a partir de janeiro serão reajustados em 4,32% para o consumidor. A inflação neste segmento, até novembro de 2020, foi de 18,79%. Ou seja, se uma família gastava R$100,00 em janeiro de 2020 com produtos hortifrutigranjeiros, considerando a inflação de 18,79% acumulada no segmento até novembro, o custo dos mesmos produtos passou para R$118,79.

A grosso modo, desconsiderando as inflações de dezembro e janeiro, com a adição do novo ICMS (4,32%) nos hortifrútis esta família passará a gastar R$123,11 para consumir os mesmos produtos.

Contra

A Apas se posiciona contra a medida e afirma que enviou ofício ao governador com a manifestação. A expectativa é que os decretos sejam revistos.

“A Apas é contra todo e qualquer aumento de impostos que possa impactar o orçamento das famílias que é destinado à alimentação. Por isso, desde a tramitação do Projeto de Lei na Alesp, nos manifestamos contra o fim da isenção do ICMS em produtos tão comuns à mesa dos brasileiros, como leite e hortifrútis”, afirma o presidente da entidade, Ronaldo dos Santos.

“O preço dos hortifrútis, por exemplo, é sensível à sazonalidade e intempéries, mas, independentemente de inflação ou deflação, o ICMS irá incidir em seu preço final e isso é ruim para o produtor, que perde força de negociação frente ao produtor de outro estado, é ruim para o varejo alimentar, que - mesmo empregando 550 mil pessoas em São Paulo - tem trabalhado com margens baixas devido à pandemia, e ruim para o consumidor, que já tem sentido no bolso o peso da inflação de 2020”, explica.

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Federação da Agricultura também tenta reverter impacto

Leite foi um dos produtos mais impactados; queijos também ficarão mais caros (Foto: banco de imagens)

A Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo) afirma que as modificações feitas por meio dos decretos pelo governo paulista atingem os custos de produção rural e o preço dos alimentos.

Em nota, a entidade destaca os insumos agropecuários, produtos agrícolas in natura e processados, combustíveis, energia elétrica, embalagens e transportes, de modo que diferentes segmentos das cadeias de valores serão impactados, acarretando custos de produção crescentes, em alguns casos cumulativamente", segundo explicou o vice-presidente da entidade, Tirso Meirelles.

Novas alíquotas

Insumos agropecuários que eram isentos nas saídas internas passarão a ser tributados em 4,14%. A isenção de energia elétrica, que era para todas as propriedades rurais, foi limitada até o consumo de 1.000 Kwh/mês. Óleo diesel e etanol hidratado tiveram alíquotas elevadas para 13,30% (eram 12%). Ovo e suas embalagens, anteriormente taxados em 7%, passarão a 9,40%.

O leite foi um dos produtos mais impactados, pois a carga tributária foi aumentada em diferentes etapas da cadeia produtiva. A saída do produto cru e pasteurizado, que era isenta, passará a ser tributada em 4,14%. Os queijos muçarela, prato e minas tiveram alíquotas elevadas para 13,3% (eram 12%). O crédito outorgado à indústria na aquisição do leite produzido em São Paulo, uma conquista para restabelecer a competitividade do setor frente à concorrência desleal de outros estados, será reduzido de 12% para 9,4%. O transporte de leite cru e pasteurizado teve alíquota majorada de 5% para 6,5%.

Inflação

"Em suma, a tributação de insumos importantes, combustíveis e transporte foi elevada. Além disso, as alíquotas de itens essenciais à alimentação subiram e/ou reduções de base de cálculo ou crédito outorgado foram reduzidas. Em consequência, o custo de produção e os preços ao consumidor devem elevar-se, impactando a renda das famílias, com potencial reflexo nos índices de inflação", pondera Meirelles.

Uma reunião entre o representante da Faesp e o vice-governador Rodrigo Garcia foi realizada para tratar do assunto. A entidade aguarda a possibilidade de reverter os ônus para a agropecuária.

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