A Prefeitura de Birigui (SP) decidiu seguir a determinação do governo estadual e voltou atrás em relação ao trabalho da indústria calçadista no município.
Decreto publicado em edição extra no Diário Oficial do Município tornam facultativas as atividades produtivas das empresas do ramo.
A publicação altera regra anterior, de 19 de março, que proibia o funcionamento das fábricas entre 31 de março e 13 de abril, como medida temporária e emergencial de prevenção ao contágio pelo novo coronavírus, que causa a covid-19. Na ocasião, foi firmado um acordo entre a Prefeitura e o Sinbi (Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui).
O prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) explicou que na hierarquia dos cargos Executivos, as decisões do presidente da República e do governador de Estado prevalecem, por isso decidiu alterar o decreto municipal.
No entanto, apesar do recuo, pede que os empresários que resolveram dar férias aos funcionários que mantenham a decisão, pois ele ainda acredita que o isolamento é a maneira mais eficaz de se prevenir contra o novo vírus.
“Aqueles que não se prepararam para fechar, que adotem as medidas preconizadas pelos órgãos de saúde, como a OMS (Organização Mundial de Saúde), Ministério da Saúde e secretarias estadual e municipal.”
Estoques
Para o presidente do Sinbi, Renato Ramires, o novo decreto é positivo. No entanto as indústrias calçadistas estão com grande dificuldade em relação ao estoque de mercadorias. Com o comércio fechado no País, há muitas cargas paradas nas transportadoras, outras estão voltando porque chegaram à loja e estava fechada e outras o comprador nem quis receber porque sabia que teria que fechar.
Mesmo que as lojas voltem ao atendimento, Ramires acredita que levará um bom tempo para estabilização do cenário, pois os clientes estão com medo e não deverão ir às lojas mesmo que estejam abertas. “Vamos ter um tempo de maturação para que tudo volte ao normal e rezar para que não suba o número de infectados neste período”, disse.
Por outro lado, as indústrias que trabalham com e-commerce serão beneficiadas e isso impedirá a paralisação total da produção, fazendo com que a economia volte a circular.
Continuam fechados
Segundo Salmeirão, todas as medidas de isolamento social adotadas em Birigui foram tomadas com base em questões técnicas, sem achismos, e o município está no caminho certo, pois tem poucos casos suspeitos da doença (não há caso de covid-19 confirmado em Birigui) quando comparado com outras cidades da região.
O prefeito pediu para as pessoas que estão pedindo a reabertura do comércio, que olhem para dentro de suas casas e locais de trabalho e pensem que essas pessoas próximas podem estar nas estatísticas do novo coronavírus.
Também seguindo decreto estadual, o comércio de Birigui não funcionará até 7 de abril. Creches e escolas da Prefeitura continuam fechadas por tempo indeterminado.
O transporte coletivo urbano não circula até 5 de abril. Até a data, o terminal urbano ficará fechado e está proibida a entrada de ônibus e vans de outros municípios em Birigui. A fiscalização é feita pela Polícia Municipal. As medidas evitam aglomerações e a propagação do vírus.
Leitos
O prefeito lembra que se a contaminação atingir muitas pessoas ao mesmo tempo, Birigui, assim como nenhuma cidade no mundo, tem estrutura para atender.
Hoje o município dispõe de 10 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), no entanto, outros problemas de saúde também precisam desse tipo de leito.
Há uma tentativa de se adaptar um novo local para atendimento aos pacientes com coronavírus, porém há grande dificuldade na compra de respiradores e aparelhos necessários.