Está marcado para a próxima quinta-feira (16), o julgamento pelo Tribunal do Júri de Aqueharu Yamaguchi Júnior, 40 anos, acusado de ter matado com golpes de martelo a mãe dele, Alzira Pinto da Silva, 74, crime ocorrido na casa da família, em outubro de 2020. A vítima também era mãe do ex-vereador Cláudio Henrique da Silva, o professor Cláudio.
O réu foi denunciado por homicídio qualificado pelo motivo torpe; emprego de meio cruel; mediante recurso que dificultou a defesa da vítima; e por razões da condição de sexo feminino. Também pode aumentar a pena em caso de condenação, o fato de a vítima ser pessoa idosa. Ele aguarda julgamento preso.
Conforme já divulgado, a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho aponta que o réu havia retornado do Japão havia cinco meses e morava com a mãe, no bairro Nova Iorque. Por ser usuário de drogas, ele se desentendia constantemente com ela.
Vingança
Ainda de acordo com a denúncia, Yamaguchi Júnior decidiu matar a mãe por vingança, pois no domingo anterior ao crime, ele teria sido agredido por ela na frente de amigos. Além disso, a ação foi filmada e postada nas redes sociais por terceiros, o que fez com que o denunciado se sentisse humilhado.
Assim, na noite do assassinato, Alzira chegou em casa e ofereceu um lanche para o filho e foi para o quarto trocar de roupa. Aproveitando que ela estava de costas, o filho teria se aproximado e batido com um martelo na cabeça da mãe dele por duas vezes.
Com os golpes a idosa caiu no chão, pediu ao filho que parasse com as agressões, mas ele a teria segurado pelo pescoço e retomado as agressões. Segundo a denúncia, a mulher recebeu de 20 a 25 golpes com o martelo na cabeça e não resistiu aos ferimentos.
Fugiu
Após matar a mãe, Yamaguchi Júnior tomou banho, trocou de roupa e deixou a casa com o carro dela, levando consigo o dinheiro da idosa. Mais tarde ele telefonou para familiares e contou que havia matado Alzira, que foi encontrada já sem vida.
Laudo do exame necroscópico apontou que a morte se deu em consequência de traumatismo craniano. Porém, também havia lesões nos braços e nas mãos, indícios de que a vítima tentou se defender das agressões.
Preso
Yamaguchi Júnior foi preso no dia seguinte ao crime, em uma casa no residencial Atlântico, e alegou em juízo não se lembrar de nada do que havia acontecido, sob argumento de que estaria sob efeito de vários remédios.
Ele declarou que recordava apenas ter visto a mãe dele caída no chão e que um primo dele teria ligado para a polícia e pedido para que ele se entregasse. Porém, alegou não se lembrar do que havia falado na delegacia.
O réu confirmou que uma semana antes de a mãe dele ser morta, ele esteve em um bar e passou a noite fora de casa. Pela manhã, ela descobriu que ele estava no bar, foi atrás dele e o agrediu com um pedaço de pau, mas afirmou que não teria ficado com raiva da vítima por causa das agressões.
Por fim, alegou que após a morte da mãe, ele saiu com o carro e com R$ 100,00 que estavam na carteira dela sobre a mesa, esteve em um bar e perambulando pelas ruas com o veículo e usando drogas. Na manhã seguinte foi à casa do primo dele, que sugeriu que se entregasse à polícia, o que fez.
Capaz
Após aceitar a denúncia, a Justiça determinou a realização de exame de insanidade mental no acusado, atendendo a pedido da defesa. O laudo pericial concluiu pela imputabilidade do réu, ou seja, que ele pode ser responsabilizado pelos atos cometidos.
A defesa de Yamaguchi Júnior se manifestou pela nulidade processual, alegando cerceamento de defesa, pediu a absolvição sumária do réu e, em caso de condenação, requereu o afastamento das qualificadoras e a revogação da prisão preventiva.
Porém, a Justiça decidiu pela pronúncia e pela manutenção da prisão preventiva, levando em consideração que o réu confessou a familiares que havia matado a mãe dele com várias marteladas. O julgamento está previsto para começar às 9h e será realizado no Fórum de Araçatuba.
