Conhecido nacionalmente pelo forte polo calçadista, o município de Birigui (SP) tem atualmente 1.070 empresas ativas ligadas ao setor, sendo a maioria MPEs (Micro e Pequenas Empresas).
Há negócios em praticamente em todos os bairros da cidade. No entanto, os que mais concentram fábricas são residencial Monte Líbano e Jardim São Braz (vizinhos), Centro e Novo Parque São Vicente. Pelas vias, os endereços são avenidas Nelson Calixto e Vitória Régia e ruas Tiradentes e Guarani. Cinquenta e quatro empresas foram abertas neste ano.
Essas e outras centenas de informações estão no sistema idealizado pelo economista, professor universitário e pesquisador em economia regional Marco Aurélio Barbosa de Souza, que já está no ar e pode ser acessado por qualquer pessoa.
O objetivo do sistema é trazer conhecimento e potencializar o desenvolvimento do APL (Arranjo Produtivo Local) calçadista da cidade de Birigui.
Como economista e pesquisador, Souza acredita que o primeiro passo para uma boa formulação de estratégias e políticas de desenvolvimento local é o conhecimento da realidade econômica do município.
“Dessa forma, o sistema permite conhecer em detalhes a estrutura produtiva do segmento de calçados e se destina aos agentes econômicos da cidade (empresas, instituições diversas, poder público, pesquisadores, professores, cadeia produtiva, etc) para que utilizem o sistema para fomentar e alavancar a economia local favorecendo o seu desenvolvimento”, explica sobre sua contribuição pessoal ao município nesse momento de crise.
Informações
A apresentação gráfica do sistema foi montada para responder possíveis perguntas do usuário. Ele permite a visualização de um conjunto grande de informações setoriais de uma forma interativa e fácil, trazendo à tona conhecimentos que não estavam até então disponíveis, como a abertura de empresas ano a ano, o conhecimento das empresas mais antigas e sua instalação ao longo das décadas, entre outras informações do setor.
Embora a indústria calçadista de Birigui tenha começado a se desenvolver na década de 1940, o sistema mostra, por exemplo, a abertura de duas empresas no ano de 1980 – que seriam as duas mais antigas de Birigui na ativa.
A pulverização das empresas por toda a cidade também é bem visível no georreferenciamento. Essa característica, segundo o economista, tem como ponto positivo a facilidade de deslocamento de mão de obra e, muitas vezes, se torna um atrativo para o desenvolvimento de outras atividades econômicas, como restaurantes e estruturas constituídas para atender os trabalhadores.
“Por outro lado, se as fábricas estivessem concentradas em uma mesma localidade, gerariam sinergias e possibilidades mais amplas de trabalho cooperativo como estabelecimento de uma central de compras, restaurante coletivo, troca e empréstimos de máquinas e equipamentos, etc. Compradores e representantes de empresas fornecedores se deslocariam para um único lugar facilitando o contato com as empresas. A concentração favoreceria também as empresas que têm loja de fábrica para comercialização de calçados no atacado e varejo, pois os compradores se deslocariam para um único lugar”, enumera.
Crises
Outro ponto interessante é o impacto das crises no segmento e a mudança na categoria predominante de empresas ao longo das décadas. Em 2010, por exemplo, menos de 2% dos 408 CNPJs de Birigui eram MEI (Microempreendedor Individual). Neste ano, essa figura corresponde a 43%, do total de 1.097 cadastros.
Segundo o economista, o cenário econômico atual, por exemplo, impactou muito o setor que vinha se recuperando de crises anteriores. A abertura de novas empresas, neste caso, em especial, MEIs, tem relação com o fechamento de postos de trabalho que leva os trabalhadores demitidos a abrirem novas unidades como forma de manutenção de sua inserção produtiva.
Também está ligada às oportunidades de mercado, haja vista a cultura calçadista presente no município, com disponibilidade de mão de obra e fornecedores; e à questão tributária e fiscal, que leva as empresas a terem mais de uma unidade produtiva (filial) como estratégia empresarial de sobrevivência.
Marco Aurélio Barbosa de Souza é o idealizador do sistema (Foto: Arquivo pessoal)
Levantamento de dados
O levantamento teve início neste ano e foi realizado por meio de pesquisas, cruzamento e tratamento de várias bases e fontes de dados, entre as quais a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), CME (Cadastro Municipal de Empresa) do IBGE, além de base de dados do Ministério da Economia, Junta Comercial do Estado de São Paulo, Portal do MEI (Microempreendedor Individual), Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e Receita Federal do Brasil.
A solução tecnológica é em parceria com a empresa Orion Soluções em Gestão, do empresário e professor Ricardo Azevedo.
Souza também destaca o incentivo recebido do prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão, do secretário Nelson Giardino e do Sinbi (Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui).
No ar
Devido ao cenário econômico atual, o sistema já foi disponibilizado à comunidade sem lançamento oficial. Para facilitar o uso, foi elaborado um tutorial, disponível no Youtube.
(Veja vídeo abaixo)
Os dados, segundo Souza, serão atualizados a cada quatro meses.
O desafio agora, de acordo com o economista, é produzir um sistema ainda mais robusto que abranja toda a estrutura produtiva de Birigui.
“Também tenho a intenção de produzir algo para o município de Araçatuba, pois o desenvolvimento conjunto das duas cidades é fator essencial para o desenvolvimento regional. Porém, a viabilização desse projeto demanda investimentos e patrocínios”, destacou.
Serviço
Sugestões de melhorias e críticas sobre o sistema podem ser encaminhadas no e-mail:
prof.marcoaurelio@yahoo.com.br