Economia

Vendas em sex shops da região aumentam até 70% durante pandemia

Procura por produtos eróticos cresceu entre solteiros e casados; para atender a clientela, comerciantes apostaram nas vendas on-line 

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
31/07/20 às 18h50
Marcela (foto) comanda o sex shop La Sensitive em Valparaíso, junto com a cunhada Leisa Queiroz (Foto: Eliel Victor/Divulgação)

Com a pandemia, e o fechamento de atividades consideradas não essenciais, as vendas por e-commerce têm disparado. Acompanhando esse crescimento, está o segmento de produtos eróticos.

Esse tipo de mercado já vem crescendo nos últimos anos e despontou mais ainda com o isolamento social. No Dia Mundial do Orgasmo, celebrado nesta sexta-feira (31), a reportagem ouviu comerciantes da região de Araçatuba (SP), que garantem que o momento está favorável para o segmento.

Em uma pesquisa realizada em abril pela plataforma Loja Integrada sobre novos comércios on-line que surgiram na pandemia, o setor de sex shop ficou em segundo lugar, com um aumento de 43,90% de novos negócios eletrônicos. O campeão foi o segmento de games, que representou 70,28% da fatia de novas lojas virtuais da plataforma.

As comerciantes Marcela e Leisa Queiroz comandam, desde 2019, o sex shop La Sensitive, em Valparaíso (SP). Com a pandemia, precisaram paralisar os atendimentos presenciais, mas focaram na oportunidade de aperfeiçoar as vendas por meio digital para não perder clientes.

O resultado rendeu a elas um aumento de cerca de 70% na procura, principalmente de novos consumidores. Nesse sentido, o público que se destacou nesta pandemia foi o de homens casados, que começaram a procurar os produtos com mais frequência.

“A pandemia foi um mal necessário para as pessoas se permitirem a melhorar ainda mais para o prazer a dois ou a sós”, destaca Marcela.

As vendas são realizadas pelo site da loja, com entrega para todo o Brasil, e também por meio das redes sociais ou WhatsApp da empresa. Todos esses atendimentos virtuais devem ser mantidos mesmo após o fim da pandemia, segundo Marcela. Para a comerciante, muitos consumidores preferem comprar virtualmente porque se sentem mais confortáveis.

"O público masculino que aumentou é tudo por venda on-line. Homem tem mais vergonha. Hoje, alguns vão na loja, depois que vão pegando intimidade”, frisa.

Nesta pandemia, os produtos procurados, de acordo com Marcela, são aqueles que prometem prolongar a brincadeira a dois e a melhorar a libido. “Ah, e as ‘boas vibrações’ devem ser lembradas por estarem começando a entrar no coração dos brasileiros(as)”, brinca Marcela.

Autoconhecimento

As terapeutas sexuais, Aline Tenório Doná e Laís Messias, de Araçatuba (SP), levam por meio do projeto Café com Pimenta, educação sexual por meio de palestras e rodas de conversa, e trabalham com a venda on-line de produtos eróticos desde 2018, com atuação na região e envio em todo Brasil.

Antes da pandemia, as vendas também eram feitas nas palestras e rodas de conversa, que sempre rendiam explicações detalhadas sobre os produtos, suas funcionalidades e benefícios. Porém, com o isolamento social, o atendimento passou a ser todo digital, registrando também um aumento na procura.  

As vendas on-line estão concentradas no Instagram do projeto, que segundo Laís, tem sido muito eficiente e lucrativo, já que hoje as pessoas estão o tempo todo no celular. Sem contar que na biografia do perfil, já tem um link que direciona a pessoa para o WhatsApp, com acesso ao catálogo on-line e consultoria individual. 

Aline e Laís contam que no início da pandemia, houve uma queda nas vendas, no entanto, o aumento de até 50% veio logo em seguida, tanto por parte dos homens, quanto das mulheres. Nessa demanda, Laís destaca a busca por vibradores, estimulantes, produtos para potencializar o orgasmo, lubrificantes e óleos de massagem.  

Aline e Laís fazem atendimento personalizado sobre os produtos pelo WhatsApp (Foto: Divulgação)

Tensão

“As pessoas foram percebendo que deveriam se adaptar ao ‘novo normal’, voltaram a procurar a gente. Os que têm uma relação passaram a ter mais tempo juntos e sentirem a necessidade de uma novidade. Pessoas solteiras tiveram que se adaptar, porque não tem como sair para conhecer pessoas, fazer sexo casual”, explica Aline.

A procura foi de ambos os públicos, dos solteiros e casados; a diferença dos grupos está nos objetivos. Os solteiros buscam os sex toys como alívio para a tensão e possibilidade de explorar e autoconhecer o corpo. Os casados buscam para apimentar a relação, deixando de lado alguns preconceitos.

“Pra nós, o aumento das vendas se dá porque as pessoas se voltaram mais a descobrir sua intimidade, sexualidade, de voltar a priorizar o papel sexual. Nesse momento que nós vivemos, de cobranças sobre produtividade, de cuidar da casa e das pessoas, encontros sociais, pessoas deixaram de priorizar o papel sexual. Isso mostra essa redescoberta”, complementa Aline.

As pessoas romperam muitos preconceitos, paradigmas, crenças, quanto ao sex toy e papel sexual. Quando conhece melhor os produtos, como podem ser usados. A gente não faz só uma venda. A gente explica como usar, o que pode causar e formas de usufruir dele no cenário. Surgiu dessa ideia, ensinar, ajudar as pessoas a terem contato, mas de uma forma que consiga usar no dia a dia. O quanto isso pode ser favorável para o autoconhecimento e relação. As pessoas vão continuar voltadas, sim, para o papel sexual delas, na busca dos produtos.

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100% on-line

O comerciante Luciano Chicoli da Costa também atua em Araçatuba e cidades da região e de São José do Rio Preto, por meio do e-commerce Cerejinha Sex Shop. Desde o início, o projeto é 100% on-line, justamente para atender também clientes que se sentem constrangidos em ir numa loja física.

O atendimento não mudou, no entanto, como os produtos são entregues por meio de delivery, as atenções ficam focadas na higienização dos objetos para prevenir o contágio e circulação do novo coronavírus entre os clientes.

As vendas, segundo Costa, também aumentaram no seu negócio. Nos últimos meses, a procura foi 25% maior. “Percebo que as pessoas estão buscando melhorar o relacionamento com o parceiro(a), por isso buscam novidades para sair da rotina, devido ao confinamento dentro de casa”, opina.

No seu e-commerce, a procura maior foi por cosméticos, como óleos de massagem, e anestésico.

Já sobre os clientes que já procuravam seus produtos, também houve um interesse maior por novidades, e entre aqueles que começaram a consumir os sex toys agora, já estão retornando para novas compras.

Fechamento do comércio prejudicou as vendas no sex shop Evidence (Foto: Divulgação)

Baixa

Com o Evidence Sex Shop, que possui uma loja física em Araçatuba desde 2008, o reflexo da pandemia não resultou na alta das vendas. Isso porque, devido ao decreto de fechamento do comércio e serviços não essenciais, não conseguiram atender os clientes na loja.

“A procura virtual aumentou, principalmente pelo Instagram , que é a rede social que focamos nossa divulgação. Porém, a procura não reverteu em vendas, devido às pessoas pedirem para ir ver pessoalmente os produtos e não podíamos fazer isso, para não quebrar o decreto de fechamento”, explica Carol Oliveira, social media responsável pelo marketing digital da loja.

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