Esporte

87 anos com disposição e medalhas

Idosos de Birigui mostram que não há idade para começar a praticar esportes; basta ter vontade

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
24/06/19 às 10h44
Rita Voltere e Joaquim Maciel de Souza têm disposição de sobra para exercícios e até corrida (Foto: Aline Galcino)

Em comum, eles têm a idade e muita disposição. Ambos trabalharam por anos e anos na “roça”, como dizem, e hoje se dedicam a uma nova vocação: as atividades esportivas.

Rita Fabelício Voltere e Joaquim Maciel de Souza, de 87 anos, representam a vitalidade dos atletas da melhor idade de Birigui.

No último Jori (Jogos Regionais dos Idosos) que ocorreu em Santa Fé do Sul, de 29 de maio a 1º de junho, Rita conquistou medalha de ouro na natação (25 metros livre) e no atletismo (600 m rasos) e vai disputar a etapa estadual nas duas modalidades. Seu Joaquim ficou em quinto no atletismo (600 m rasos). Para chegar ao resultado, nada de treinos intensos, apenas disposição.

Depois décadas trabalhando em serviços rurais, Rita se mudou para a área urbana onde trabalhou por pelo menos 14 anos tocando um carrinho de pipoca que estacionava em frente à escola estadual Profª Regina Valarini Vieira. Ela se aposentou, mas não conseguiu deixar de trabalhar. Hoje vende gelinho e água na rodoviária velha. “Não consigo ficar em casa, eu preciso trabalhar”, conta.

Os “treinos” de atletismo ocorrem no dia a dia. Quando precisa ir ao Centro pagar uma conta, por exemplo, Rita vai a pé e, no caminho, intercala a caminhada com a corrida.

O talento para a natação, esporte que ela aprendeu sozinha em córregos de propriedades rurais, é nato. Rita conta que até se associou a um clube neste ano, com a intenção de aperfeiçoar o estilo. Porém em quatro meses, conseguiu ir duas vezes às piscinas. Nas duas ocasiões, foi a pé de onde mora, no Jardim São Braz, até o clube na Vila Roberto (distância de aproximadamente dois quilômetros).

Medalhas

A vida de “atleta” começou com o primeiro Jori, que teve sua 23ª edição realizada neste ano. Um amigo convidou Rita para mostrar seu talento nas piscinas dos jogos. Depois da primeira competição, ela não parou mais. Na natação, são 23 participações e 23 medalhas, a maioria, ouro e prata. No total, são 91, incluindo todas as modalidades esportivas que disputa.

“Cheguei a treinar natação todo dia de manhã no ginásio de esportes. Nessa época, era só ouro e prata. Mas um dia eu me machuquei e meu neto me proibiu de treinar sozinha, disse que eu precisava de um professor. Acabei desistindo dos treinos, mas não das competições”, conta.

Ela também integrou o time da dança e depois partiu para o atletismo, modalidade que gosta muito.
Rita não toma nenhuma medicação. Teve colesterol alto, porém conseguiu estabilizar com alimentação e os exercícios. O restante da saúde está “em cima”. Na semana passada, durante a entrevista ao Hojemais Araçatuba, Rita mostrou seu lado vaidoso e se disse preocupada com quatro quilos que ganhou no último mês - ela se machucou e foi obrigada a dar uma pausa na rotina movimentada.

O incentivo vem de dentro de casa. Viúva desde os 20 anos de idade, Rita tem uma filha e três netos - um deles, chamado Reginaldo, é seu grande apoio.

“A atividade física é tudo na minha vida. Eu tenho amigos, me exercito, cuido da saúde. Amo demais”, define.

Nos últimos jogos regionais dos idosos, Rita conquistou ouro na natação e no atletismo (Foto: Aline Galcino)

Quase 88

O seu Joaquim também é exemplo de que é possível ser ativo mesmo na velhice. Às vésperas de completar 88 anos – ele fez aniversário no dia 10 de julho – o atleta da melhor idade conta com entusiasmo sua rotina nas quadras e pistas. Além do atletismo, ele participa do vôlei adaptado (categoria B, mais de 70 anos).

A vida esportiva começou há quase 30 anos, mais precisamente quando ele se mudou do campo para a cidade. Até então, ele trabalhava duro com a enxada, como ele conta, e mal conhecia os esportes. Quando se aposentou, aos 65, passou a se dedicar mais. Chegou a representar Birigui na modalidade dança de casal e depois mudou para o atletismo e vôlei, esporte coletivo que pratica pelo menos três vezes por semana.

“O corpo já não é mais como antes, mas eu gosto da atividade física. O dia que eu não faço nada já sinto falta de um joguinho”, diz.

Viúvo há 45 anos e vivendo com dois de seus 12 filhos, Joaquim recebe incentivo para prosseguir, até porque a saúde só melhorou nos últimos anos. Com o esporte, conseguiu controlar o diabetes e a pressão. “Quando eu vejo que está alta (pressão) eu dou uma corridinha. Não sei se é psicológico, mas eu acho que ela abaixa”.

Vida ativa

A professora de educação física e delegada de Birigui no Jori, Sônia Maria Táparo Gomes, destaca a qualidade de vida quando um idoso se propõe a fazer atividade física. “Temos atletas que vão de bicicleta aos encontros. Eles têm mais fôlego e disposição do que muitos jovens”, afirma.

Os atletas idosos participam do Clube da Terceira Idade de Birigui, ligado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Cleonice Alves da Silva é a coordenadora do grupo, que, na área esportiva, recebe apoio também da técnica de atletismo Rita Aparecida de Melo Miguel.

O clube oferece atividades como vôlei, ginástica, jogos de mesa (dominó, xadrez, dama, truco e buraco). Para participar, basta fazer um cadastro.

Joaquim, Sônia, Rita e Cleonice (Foto: Aline Galcino)
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