Esporte

Projeto quer popularizar prática da esgrima

Iniciativa que nasceu em Lins, em 2012, se expande para municípios, como Birigui e Araçatuba

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
18/05/19 às 14h00
Jordana Ciryllo Melo, 17 anos, de Araçatuba, jogando em torneio em Birigui (Foto: Aline Galcino)

Em julho do ano passado, Jordana Ciryllo Melo, 17 anos, de Araçatuba, teve seu primeiro contato com o esporte que agora é sua paixão: a esgrima.

“Minha mãe sempre gostou de esgrima e quando ela ficou sabendo, por meio de uma amiga, que tinha aulas de esgrima em Birigui, ela logo se matriculou, carregando eu e meu irmão”, conta sobre seu início na modalidade.

No ano passado, os três iam de Araçatuba para Birigui duas vezes na semana para aprender as técnicas do jogo. Neste ano, um clube de Araçatuba também passou a oferecer a modalidade e facilitou a vida da família, que continua treinando.

No último fim de semana, Jordana conquistou medalha de ouro na categoria cadete (16 e 17 anos), a primeira dela no esporte, durante o 2º Torneio de Esgrima na cidade de Birigui. “Eu quero chegar mais longe, quero jogar fora do País. Hoje essa é minha vontade”, diz.

Jordana está entre os cerca de 500 alunos matriculados no projeto “Esgrima para Todos”, que nasceu em 2012, na cidade de Lins, mas que está presente em nove municípios do interior - Araçatuba, Bauru, Birigui, Cafelândia, Guaiçara, Lins, Promissão, São José do Rio Preto e Três Lagoas (MS). É a equipe de esgrima com maior número de atletas no País.

Pedro Elias, de 15 anos, recebe medalha de sua mãe (Foto: Aline Galcino)

Democratizar

O idealizador do projeto, Diego André Coutinho Dourado, conta que se mudou da capital paulista para o interior, em 2012, e trouxe o esporte junto. “A iniciativa visa democratizar a prática da esgrima em parceria com clubes e instituições”, explica.

Em Araçatuba, a parceria foi firmada no início deste ano, com o Araçatuba Clube. Em Birigui, o projeto acontece desde 2015, após uma parceria com um colégio particular. Hoje, as aulas são na academia Arena GP e no colégio Sagrado Coração de Jesus.

Pedro Arthur Moreno Elias, de 15 anos, de Birigui, é um dos primeiros alunos da região a se matricular nas aulas. Assim que ficou sabendo do projeto e que teria aulas na cidade, ele se interessou e passou a treinar o esporte. “Comecei por fazer mesmo, mas agora quero progredir”, disse o garoto que se inspira em Athos Schwantes (campeão brasileiro no esporte).

Desde então, foram quatro medalhas de bronze e muito aprendizado. “Você tem que ter calma para jogar, tem que ter estratégia, porque você pode estar perdendo e ainda assim consegue virar”, conta.

Apoio

Além dos torneios realizados nas cidades onde há aulas pelo projeto, como o ocorrido na semana passada em Birigui, os atletas participam de campeonatos estaduais e nacional. Só neste ano, em três competições oficiais, o grupo conquistou 23 medalhas. “Este ano será bem promissor”, prevê Dourado.

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Arte de ataque e defesa

A esgrima é definida como uma arte de ataque e defesa onde o jogador usa uma espada, florete ou um sabre. Trata-se de um jogo e não uma luta, porque não existe contato corporal, onde ganha quem fizer mais pontos.

No projeto Esgrima para Todos é usada a espada. Nessa categoria, é preciso encostar a ponta da espada em qualquer parte do corpo do adversário. Um botão eletrônico na arma e cabos conectados a aparelhos ajudam a marcar a pontuação. Em jogos olímpicos, os equipamentos são wireless.

As disputas são divididas por categorias: infantil até 9, 11 e 13 anos; na fase juvenil pré-cadete até 15 anos e cadete até 17 anos; e juvenil até 20 anos. Há ainda as categorias absolutas (adultos), pré-veteranos (de 40 a 50 anos), veteranos 1 (de 50 a 59 anos) e veteranos 2 (de 60 a 70 anos).

Nas competições infantis, os combates duram dois minutos na primeira fase (classificatória) e seis minutos na segunda (eliminatória). Nas demais categorias, são três e nove minutos, respectivamente. Ganha quem marcar até 5 pontos na primeira fase e 15 pontos na segunda.

Concentração

O esporte exige preparo físico, mas principalmente concentração. “A esgrima tem o apelido de xadrez com as pernas, porque você precisa pensar durante todo o combate. É um dos esportes que mais trabalha o cérebro, porque é preciso elaborar estratégias enquanto se movimenta intensamente. Exige foco, atenção e técnica”, afirma Diego Dourado.

De acordo com o educador físico, é um esporte ideal para crianças em fase escolar porque trabalha as três características: física, técnica e cognitiva. 

Iniciantes recebem incentivo

Um dos objetivos do projeto Esgrima para Todos é facilitar o acesso ao esporte. Para isso, fornece os materiais para os atletas iniciantes.

“Infelizmente a esgrima é taxada como esporte elitizado, mas isso é muito mais uma questão histórica porque quando a esgrima virou esporte era uma modalidade que só podia ser praticada pelos nobres. Desde então criou-se a crença de que é um esporte de rico. A nossa ideia é mostrar o contrário”, explica Diego André Coutinho Dourado.

O custo de um kit completo, que seria entre R$ 900 e R$ 1.200, acaba sendo diluído. “Se alguém quiser praticar esgrima hoje, nós fornecemos os materiais. Com o passar dos meses, o aluno vai adquirindo gradativamente. Não é preciso comprar nada de início. Só vai comprar se ele der continuidade e aos poucos”, afirma.

Os materiais são duradouros e não exigem reposição, a não ser quando o atleta é criança, devido ao tamanho.

Professores

Além dos praticantes, o projeto busca parceria com profissionais da educação física. “É um esporte novo, que está em expansão na região. É uma ótima oportunidade de negócio para quem busca algo diferente”, avisa Dourado.

Mais informações sobre o projeto podem ser acessadas no www.esgrimaparatodos.com.br

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