Geral

Copom aumenta taxa básica de juros e preocupa indústrias

Presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, entende que os últimos dois trimestres de retração do PIB deixaram evidente o quadro adverso da atividade econômica

Da Redação - Hojemais Araçatuba
08/12/21 às 18h59
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) considera equivocada a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, por um novo aumento da taxa básica de juros, Selic, em 1,5 ponto percentual, anunciada nesta quarta-feira (8).

De acordo com o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, os últimos dois trimestres de retração do PIB (Produto Interno Bruto) deixaram evidente o quadro adverso da atividade econômica. Além disso, efeitos defasados do aumento da Selic devem contribuir, nos próximos meses, para desestimular ainda mais o consumo e, por consequência, desacelerar a inflação.

“Dessa forma, um aumento menos intenso da Selic, em conjunto com as elevações anteriores, já seria mais que suficiente para levar a inflação até à meta, sem que o Banco Central aumentasse a probabilidade de recessão”, avalia.

Em razão desse cenário, a CNI entende que as restrições nas condições de crédito para consumidores e empresas poderiam ter seu ritmo reduzido.

A decisão do Banco Central por um sétimo aumento expressivo da Selic vai de encontro a essa necessidade, aumentando o custo do financiamento e desestimulando a demanda, justamente em um momento em que muitas empresas ainda estão se recuperando.

Aumento

Foi o aumento da inflação que fez o Banco Central ajustar mais uma vez os juros básicos para tentar segurar a alta dos preços. Por unanimidade, o Copom elevou a Selic de 7,75% para 9,25% ao ano, decisão que era esperada por analistas do mercado financeiro.  

Esse foi o sétimo reajuste consecutivo na taxa Selic, depois de passar seis anos sem elevação. De março a junho, o Copom elevou a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. No início de agosto, o BC passou a aumentar a Selic em 1 ponto a cada reunião. Na última reunião, em outubro, o reajuste chegou a 1,25 ponto percentual.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Em outubro, o índice ficou em 1,25%, o maior para o mês desde 2002 (1,31%). Em 12 meses, o IPCA chegou a 10,67%.

Para o mercado financeiro, o IPCA deve chegar a 10,18%, neste ano. Tanto o resultado em 12 meses quanto a previsão para o ano estão acima do teto da meta de inflação para o ano. Para 2021, o CMN (Conselho Monetário Nacional) fixou a meta de inflação em 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite superior é 5,25% e o inferior, 2,25%.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. (Com informações da Agência Brasil)

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM GERAL
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.