A APqC (Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo) emitiu um comunicado na última segunda-feira (12), informando que recebe com preocupação a notícia de mortes provocadas pela febre maculosa.
Nos últimos anos, a associação destaca que o Estado vem sofrendo um desmonte da estrutura de pesquisa científica, essencial para orientar ações de vigilância epidemiológica.
Como exemplo, a nota cita a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), responsável pelos estudos na área da febre maculosa e outras doenças, que foi extinta em 2020, durante o governo de João Doria.
A estrutura, composta por 14 laboratórios, sendo dois na Capital e 12 em diferentes regiões do Estado, está até hoje com operações comprometidas, afetando e até cancelando novas pesquisas, informou.
Proposta
Em março deste ano, em conjunto com o Instituto Pasteur, a APqC comunicou que entregou uma proposta para que os laboratórios sejam incorporados ao Pasteur, mas ainda aguarda decisão do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em 2016, uma resolução conjunta entre o Estado e o Ministério Público estabeleceu diretrizes para o controle da febre maculosa. O documento atribuía à Sucen pesquisas em locais com casos confirmados da doença, identificando os tipos de carrapatos, além do monitoramento e orientação aos municípios.
"Sem investimentos em ciência, a resposta a casos como este, de morte provocada por uma bactéria, fica comprometida e expõe a sociedade ao risco de novos casos e mortes. É urgente investir em Institutos de Públicos de Pesquisa, alguns há 20 anos sem concurso público, além de salários defasados em relação a outros Estados da Federação. Mesmo nestas condições, Institutos Públicos, como o Adolfo Lutz, responsável pela análise das amostras coletadas das vítimas, ainda são referência em atendimento à população brasileira e merecem o reconhecimento da sociedade", finaliza nota enviada à imprensa.
Mortes
Nesta terça (13), a Secretaria Municipal de Saúde de Campinas confirmou que três pessoas morreram por febre maculosa. As vítimas são uma mulher de 28 anos e um casal (uma mulher de 36 anos e um homem de 42 anos). Nenhum morava em Campinas, porém, adquiriram a doença no município.
Além disso, uma adolescente de 16 anos de Campinas, internada com suspeita de febre maculosa, também morreu na noite desta terça. Os exames para confirmar ou descartar a doença estão sendo feitos no Instituto Adolfo Lutz.
A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pelo carrapato-estrela ( Amblyomma cajennense ) infectado pelas bactérias Rickettsia rickettsii ou Rickettsia parkeri . Os sintomas mais comuns são febre alta, dores no corpo, dor de cabeça, desânimo e inapetência.
