A auxiliar de enfermagem Marli Pacheco Bezerra (PDT), a Marli do Lelo, que também ocupa a função de presidente da Câmara de Santo Antônio do Aracanguá (SP), foi denunciada pelo Ministério Público por desacato contra funcionário público no exercício das funções.
A ação tem como vítima o médico Glenn Wood da Silva, que foi secretário de municipal de Saúde de Araçatuba e atualmente presta plantão na unidade de saúde da cidade vizinha.
Essa ação tramita na 3ª Vara Criminal de Araçatuba, mas haveria outra ação tramitando na 2ª Vara Criminal, na qual o MP já teria pedido o arquivamento. Além disso, o médico também moveu uma ação cível com pedido de indenização contra Marli, que fez o mesmo pedido contra ela, por danos morais.
Polícia
A ação que resultou na denúncia tem como base um boletim de ocorrência registrado em janeiro deste ano pelo médico, que acusa a auxiliar de enfermagem de desacato em duas ocasiões, a primeira em outubro de 2025.
Ele relatou à polícia que na ocasião ela teria entrado no consultório dele durante um plantão e apresentado “um maço” de exames em branco para serem carimbados e assinados. Na versão do médico, Marli teria afirmado que não era um pedido, mas uma ordem, por ela ser vereadora e presidente da Câmara.
Silva disse à polícia que recusou o pedido, sob argumento de que as guias eram liberadas em número reduzido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), além de não saber qual seria a destinação das guias assinadas em branco, sob risco de uso indevido. Segundo o médico, diante da recusa, a vereadora o teria ofendido com os dizeres “velho” e “bobo”.
Mais guias
De acordo com o médico, em 20 de janeiro Mari teria entrado novamente no consultório com guias, mas desta vez preenchidas em nome de pessoas desconhecidas, que não haviam sido consultadas por ele. Tais guias estariam grampeadas com solicitações de exames e o médico recusou assiná-las.
Mais uma vez, a auxiliar de enfermagem o teria ofendido com os termos “velho”, “tonto”, “velho ridículo” e “velho patético”, ofensas que teriam sido testemunhadas por duas enfermeiras e por pacientes.
Na frente das testemunhas, o médico teria comunicado que iria processar Marli nas esferas civil e administrativa e ela teria respondido que isso não lhe traria qualquer prejuízo, por ela ser presidente da Câmara. Consta no boletim de ocorrência que o médico apresentou à polícia fotos das guias de exames preenchidas e de outra guia em branco.
Discussão profissional
A defesa de Marli havia representado pelo arquivamento do termo circunstanciado, sob argumento de que os fatos teriam ocorrido durante discussão profissional entre servidores públicos, o que afastaria o dolo.
Apesar do argumento, a Promotoria de Justiça considerou que a existência de dolo específico e eventual reciprocidade de condutas depende de provas, diante do crivo do contraditório e da ampla defesa.
A reportagem apurou que antes do oferecimento da denúncia, o Ministério Público propôs transação penal, benefício que foi recusado pela vereadora, por isso, a acusação prosseguiu.
Ao aceitar a denúncia, a Promotoria de Justiça requereu a realização de uma audiência para propor a suspensão condicional do processo, a qual deve acontecer em agosto. Se a proposta não for aceita, será dado prosseguimento na ação criminal.
