Geral

Instituto Butantan testa em animais soro para tratar covid-19

Medicamento começou a ser desenvolvido há mais de 5 meses, usando vírus inativo para induzir a produção de anticorpos

Daniel Mello - Agência Brasil
27/01/21 às 15h11
Foto: Divulgação/Instituto Butantan

O Instituto Butantan, de São Paulo, está testando em animais, um soro contra o coronavírus. O medicamento começou a ser desenvolvido há mais de cinco meses pelo instituto, usando vírus inativo para induzir a produção de anticorpos por animais. Nos próximos dias, a instituição deve apresentar os resultados dessa etapa da pesquisa.  

O soro que está sendo testado atualmente em hamsters foi produzido a partir da inoculação do vírus inativo em cavalos. O corpo dos animais reage ao microrganismo e produz anticorpos para combater a infecção.

Depois, o sangue dos equinos é coletado e esses anticorpos isolados para que possam ser usados contra a doença.

É esse produto que está sendo testado nos roedores que foram inoculados previamente com coronavírus. Agora, os pesquisadores podem observar se o soro será efetivo contra a doença.

Exigência

Segundo a diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Butantan, Ana Marisa Chudzinski Tavassi, os testes clínicos do soro em animais vivos são uma exigência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para que o medicamento possa ser usado em pacientes com covid-19. “A Anvisa pediu para fazer um teste para provar que esse teste é capaz de reduzir a quantidade de vírus”, enfatizou em entrevista à Agência Brasil.

O Butantan já é referência na produção de soros, como os antiofídicos, que neutralizam os efeitos de venenos de cobras, e o antirrábico, contra a raiva. “O Butantan produz soro há mais de cem anos”, afirmou Tavassi.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Rio de Janeiro e América Latina

O soro que está sendo desenvolvido no Butantan se diferencia do que está sendo produzido no Instituto Vital Brazil, por usar o vírus inteiro inativado. No instituto de pesquisa do Rio de Janeiro, o soro foi produzido a partir da reação dos cavalos a uma das proteínas do coronavírus.

A diretora do Butantan disse que outros países da América Latina, como México e Costa Rica, também estão desenvolvendo produtos semelhantes.

“Na Argentina já fizeram ensaio clínico em pacientes moderados para grave, pacientes hospitalizados. Eles provaram que funciona, que reduziu mortalidade e necessidade de ventilação”, exemplificou.

Infraestrutura e expertise

Caso os resultados dos testes em animais sejam favoráveis, e seja possível administrar o medicamento e obter bons resultados também com pacientes humanos, Tavassi acredita que o soro vai abrir uma importante possibilidade de tratamento contra a doença no Brasil.

De acordo com ela, o Butantan possui um número significativo de animais e infraestrutura para fazer uma produção em escala do produto, se for o caso. Capacidade que pode, inclusive, ser ampliada com eventuais parcerias.

“A gente consegue fazer a coisa muito rapidamente, porque a gente tem a infraestrutura para fazer isso e o pessoal que é expert no assunto”, destacou, sobre o apoio da pesquisa em uma construção desenvolvida ao longo de muito tempo.

“É claramente o resultado de anos e anos de investimento em uma área específica em que o Butantan é líder”.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
  27/05/26 às 18h36
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM GERAL
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.