Opinião

Cristiano Ronaldo, a tradição e a ética

"O ser humano para evoluir precisa eticizar-se e agir com razoabilidade, afastando-se de extremismos e de preconceitos de qualquer natureza"

Adelmo Pinho
19/10/23 às 22h12

Viralizou na internet e em veículos de comunicação de todo o mundo, um vídeo em que o jogador de futebol português, Cristiano Ronaldo, abraça uma artista iraniana – solteira -, o que é considerado crime no Irã, país do fato.

Segundo noticiado pela imprensa daquele País, Cristiano, por ser casado, cometera adultério ao abraçar a artista iraniana, Fatemeh Hamami, que tem 85% do corpo paralisado, deu um quadro seu pintado por ela com os pés ao atleta, num evento em Teerã, o qual lhe retribuiu com um abraço e uma camisa sua, de jogador.

Segundo o noticiado pela imprensa iraniana, o crime (adultério) atribuído a Cristiano Ronaldo prevê a pena de 100 chibatadas. E mais. Segundo o site TNTSPORTS, o atleta foi condenado a levar 99 chibatadas e, caso volte àquele País, poderá ser detido para cumprir a pena.

Difícil tomar conhecimento de algo assim e não se decepcionar, ainda mais, com o ser humano. A tradição e os costumes de cada povo, em cada país, precisam ser mantidos e respeitados, sendo isso que distingue uma nação de outra.

Tal como não existe uma pessoa igual a outra, dentre bilhões de seres humanos, os povos possuem origens, história, cultura, leis e tradições diferentes. Até aí, tudo bem ... O questionamento que se faz num caso como esse, que envolve o jogador e a artista em questão é: mostra-se razoável, nesse contexto, considerar-se o abraço crime ou uma conduta errada?

O perfil do jogador Cristiano Ronaldo, pelo que se sabe, não é de um assediador de mulheres e, ao que consta, o jogador é casado com Georgina Rodrigues. Ele é nascido em Portugal, país em que um abraço é natural e corriqueiro, mormente numa situação como essa, em que uma artista e um jogador de futebol famoso se encontram num evento público.

A situação fala, por si. O abraço em questão, assim, deu-se de um ao outro, como um ato de cordialidade e de respeito, sem conotação libidinosa. Longe de se questionar neste simples artigo, a tradição iraniana ou o crime que a lei daquele país prevê, porque são legítimos.

Questiono, porém, caracterizar-se como crime, um abraço com troca de gentilezas entre pessoas públicas, num evento público. Existe algo maior que a lei, a tradição ou a cultura de qualquer nação: a ética. Esta ultrapassa a normatização adotada por qualquer país, seja na esfera civil ou penal.

Sob a visão da ética, nem sempre um ato considerado legal em um país é visto “de fora” como sendo ético. Como, também, o contrário, ou seja, um ato considerado ilegal num país, pode não ser antiético, como vejo neste caso.

Todo país do mundo possui leis penais e sanções, alguns, inclusive, adotam a pena de morte para determinados delitos. O Irã, além de outros 06 países, por exemplo, adota a pena capital (morte) para os atos sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja: atos homossexuais são puníveis com a morte naquele país.

Para o Irã, assim, punição dessa natureza ou mesmo do adultério cometido (já foi condenado) por Cristino Ronaldo, estão em conformidade com a lei, a tradição do País e com a sua moral – enquanto norma legítima daquele País; mas não com a ética. Esta pressupõe sempre algo de maior dimensão e de espírito mais elevado, em benefício do ser humano, individualmente ou de toda a humanidade.

A lei iraniana ao rotular como crime tais condutas “navega contra a maré”, desumaniza, afasta o amor e a boa convivência entre pessoas e povos. O ser humano para evoluir precisa eticizar-se e agir com razoabilidade, afastando-se de extremismos e de preconceitos de qualquer natureza.

Isso evitaria guerras e muitos outros males sociais ... Não se trata, enfim, da pretensão de santificar o ser humano – que é um ser errante por natureza, mas de adotar a ética, inteligir e evoluir. Simples, assim.

Foto: Divulgação



Adelmo Pinho é articulista, cronista e membro da Academia de Letras de Penápolis

 
** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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