Polícia

Justiça Federal afasta novo reitor de universidade investigada pela PF

Foi nomeado pela esposa do antigo reitor, que foi preso e afastado, e estaria ameaçando testemunhas

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
13/02/20 às 09h08
Dinheiro e objetos que serão periciados foram apreendidos pela Polícia Federal (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (13), a segunda fase da Operação Vagatomia, denominada “VERITÀ PROTETTA” (Verdade protegida).

Policiais Federais cumprem três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de Jales (SP) na sede de uma universidade na capital paulista e no escritório e residência do atual reitor.

Na primeira fase da operação, deflagrada em setembro do ano passado, o antigo reitor e dono do grupo educacional foi preso e afastado do cargo em razão de diversas fraudes relacionadas a um curso de medicina na cidade de Fernandópolis.

Segundo a PF, após assumir as funções, o novo reitor deu início a uma série de ofensas e ameaças à colaboradora das investigações, testemunhas e autoridades públicas responsáveis pela apuração dos crimes cometidos pela organização criminosa investigada na Operação Vagatomia.

Após a constatação dos fatos, o chefe da PF em Jales, delegado federal Cristiano Pádua da Silva, representou à Justiça Federal para a expedição de medidas judiciais contra o atual reitor do grupo educacional.

O objetivo é cessar essas ameaças e em função do receio externado por pais e alunos em decorrência do comportamento intimidatório do reitor.

Pode ser preso

O atual reitor foi afastado do cargo e deverá cumprir uma série de medidas cautelares impostas pela Justiça Federal de Jales.

Entre outras coisas, ele está proibido de ter contato com qualquer pessoa envolvida na investigação, funcionários, alunos e ex-alunos, e os atuais ou futuros gestores e administradores da instituição.

Também está proibido de ter qualquer tipo de acesso à universidade ou outra instituição sob investigação e de se ausentar da comarca onde reside por mais de 30 dias sem autorização judicial.

No caso de reiteração ou continuidade dos fatos ou o descumprimento das condições impostas pela Justiça ao reitor afastado, uma ordem de prisão preventiva contra ele poderá ser decretada.

Investigação

A Operação Vagatomia foi deflagrada em setembro de 2019 e prendeu vários integrantes da organização criminosa que também tiveram que cumprir várias medidas cautelares expedidas pela Justiça Federal de Jales.

Na primeira fase da operação, o antigo reitor, que também é dono do grupo educacional, foi preso e afastado do cargo em razão de diversas fraudes relacionadas a um curso de medicina na cidade de Fernandópolis.

A investigação teve início após a Polícia Federal e o Ministério Público Federal receberem diversas denúncias e informações sobre fraudes no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

Também haveria comercialização de vagas no curso de medicina em um campus da universidade em Fernandópolis e fraudes no exame Revalida, destinado a avaliar o conhecimento dos alunos que estudam ou estudaram medicina no exterior, principalmente no Paraguai, Bolívia e Argentina.

Perícia

Na operação desta quinta-feira foram apreendidos documentos, celulares, mídias de armazenagem e computadores. Todo o material será encaminhado para a sede da PF em Jales para análise e possível identificação de novos delitos ou envolvidos nos crimes.

O reitor afastado poderá responder pelos crimes de obstrução de investigação de organização criminosa e coação no curso do processo, entre outros eventualmente identificados nas investigações em curso.

Verdade protegida

Esta fase da Operação Vagatomia recebeu o nome “VERITÀ PROTETTA”, que significa “verdade protegida” em italiano, em alusão à proteção daqueles que colaboram com a justiça e têm a obrigação de dizer a verdade.

As investigações demonstraram que pessoas vinculadas às investigações e à própria instituição de ensino (como por exemplo alunos, testemunhas e colaboradora) foram expostas e intimidadas pelo atual reitor, o que pode influenciar em seus depoimentos e prejudicar a busca pela verdade dos fatos. (Com informações da assessoria de imprensa da PF)

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