Polícia

Polícia Civil apreende nova arma de policial penal e gravador de imagens de bar

Policiais estiveram na casa do policial penal, no bar onde ele estaria trabalhando como segurança e na casa dos donos do bar, que podem ser investigados por fraude processual

Agência Trio Notícias
16/09/26 às 11h30
A Polícia Civil cumpriu buscas no bar onde o policial penal estaria trabalhando como segurança (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) apreendeu um revólver, munições e dois celulares na casa do policial penal Gledson David Corassa Alves, 39 anos, acusado de matar a tiros Robert Ronald Ramos Vieira, 29, a noite de 30 de agosto.

O nome do acusado do crime está sendo divulgado porque a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e agora, ele passa a ser réu em processo, que pode levá-lo a julgamento pelo Tribuna do Júri. O policial penal alega legítima defesa, tese que não ficou configurada para a Polícia Civil e para o Ministério Público. 

A apreensão aconteceu durante a “ Operação Verum” , que é verdade, em latim, para cumprimento a quatro mandado de busca e apreensão. A ação é coordenada pelo delegado Marcel Basso. Além da casa do policial penal, as equipes também estiveram no bar que fica na frente do local onde aconteceu o crime, no cruzamento da rua Pedro Álvares Cabral com a avenida Waldemar Alves.

Mentiram

A polícia acredita que os donos deste estabelecimento teriam mentido ao declarar em depoimento, que o réu pelo crime de homicídio seria um cliente assíduo do estabelecimento, pois ele próprio disse em depoimento, que fazia segurança no local. Por isso a operação foi denominada Verum.

Ainda segundo a polícia, os donos do bar disseram que não possuíam imagens relacionadas aos fatos ocorridos naquela noite. As imagens que foram obtidas pela polícia que mostram a abordagem do policial à vítima e os disparos, são de câmeras de outro imóvel.

Por isso, durante as buscas, também foi apreendido o aparelho de DVR, que é o gravador das imagens do sistema de monitoramento do estabelecimento comercial. Durante a operação foram apreendidos ainda dois notebooks, um tablet e oito celulares.

Revólver, munições e celulares foram apreendidos na casa do policial penal (Foto: Divulgação)

Perícia

Dois desses celulares foram encontrados em um armário que estava trancado, na casa do policial penal. Os aparelhos serão encaminhados para perícia, assim como o revólver calibre 357, que foi apreendido na residência dele junto com 13 munições, dois carregadores de munição e cinco coldres.

Sobre a arma, a análise inicial apontou que ela está registrada, mas não consta se é em nome do policial penal. Não está descartada a possibilidade de ele ser CAC (Caçador, Atirador Esportivo ou Colecionador). Caso não seja confirmada a documentação em nome dele, ele poderá incorrer no crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Investigação

Como o inquérito já foi concluído, a Promotoria de Justiça apresentou denúncia, que já foi aceita pela Justiça, um novo inquérito será instaurado a partir das apreensões realizadas na manhã desta quarta-feira.

O delegado informou que nesse inquérito, será investigado entre outras coisas, os possíveis crimes de fraude processual a falso testemunho por parte dos responsáveis pelo bar onde o policial penal estaria trabalhando como segurança.

Conforme já divulgado, as imagens obtidas pela polícia mostram que ele estava parado na esquina desse bar, e abordou a vítima quando ela caminhava na rua abraçada à esposa, em direção ao carro dela, que estava estacionada na frente do bar.

Tiros

O réu suspeitou que Vieira teria pego uma arma no carro e, segundo consta na denúncia, ele realmente estava com uma réplica de pistola na cintura. Assim que é abordada, a vítima é separada da esposa, empurrada para trás e na sequência são feitos dois disparos contra a região abdominal dela, seguidos de um terceiro tiro.

Este último foi feito cerca de quatro segundos depois, quando Vieira já estava caído no chão, segundo relato do próprio réu. Ele alegou mesmo ferida e caída, a vítima teria levado a mãe em direção à cintura, por isso fez o terceiro disparo. Para o Ministério Público, os disparos teriam sido feitos mesmo com a vítima completamente rendida e sem esboçar qualquer reação ou movimento ameaçador.

Qualificadoras

Assim, o policial penal foi denunciado por homicídio qualificado pelo emprego de meio que resultou perigo comum, pois os disparos de arma de fogo foram feitos em via pública, na frente de um estabelecimento comercial em funcionamento e com diversas pessoas reunidas, colocando em risco a integridade física de todos os presentes.

Ele também responde judicialmente pela qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima, pois Vieira caminhava abraçado à mulher, desarmado, sem participar diretamente de qualquer briga, quando foi abordado de forma súbita pelo denunciado, que é agente de segurança pública e estava armado, não havendo possibilidade real de reação ou de defesa eficaz, segundo a denúncia.

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