Justiça

Dono de empresa de Birigui e mais 5 são condenados em processo por furtos e adulterações de caminhonetes

O mesmo grupo foi alvo da “Operação O Clone”, deflagrada neste ano pela DIG/Deic de Araçatuba, em conjunto com a DIG de Votuporanga

Lázaro Jr. - Agência Trio Notícias
15/09/26 às 06h55
Imagem: Ilustração

A Justiça de Votuporanga (SP) condenou seis réus acusados de integrarem um grupo especializado em furtos de caminhonetes, especialmente na marca Nissan, em cidades das regiões de São José do Rio Preto e Araçatuba. Acusado de ser o líder do grupo, Rhudy Reatto foi condenado a 19 anos e 11 meses de prisão.

Este mesmo grupo foi alvo da “Operação O Clone” , deflagrada em abril deste ano pela DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, em conjunto com a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Votuporanga.

Na ocasião, oito pessoas foram presas, três delas em Birigui, incluindo um permissionário do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Esse permissionário é Airton Momesso, que foi condenado a 4 anos de prisão no regime inicial aberto. No caso dele, a pena foi substituída pelo pagamento de multa no valor de 5 salários mínimos.

Ouvido em juízo, ele negou integrar organização criminosa ou confeccionar conscientemente placas destinadas à adulteração de veículos e afirmou não conhecer os demais réus. Porém, reconheceu que a empresa dele pode ter confeccionado alguma placa de forma irregular, mas negou que isso tivesse ocorrido conscientemente para beneficiar ladrões de caminhonetes.

Inquéritos

A investigação realizada pela Polícia Civil de Araçatuba resultou em dois inquéritos que já foram relatados à Justiça, mas ainda estão tramitando. Essa investigação apurou dois furtos de caminhonetes em Araçatuba e um em Votuporanga, ocorridos em outubro e novembro de 2025. 

Porém, conforme já divulgado, o trabalho conjunto da 1ª DIG/Deic de Araçatuba com a DIG de Votuporanga, aliado à atuação operacional e de inteligência, esclareceu ao menos cinco furtos que teriam sido praticados pelos investigados.

Rhudy Reatto foi flagrado por câmeras de monitoramento durante tentativa de furto (Foto: Reprodução)

Tentativa de furto

O processo que resultou agora na condenação destes seis réus, refere-se à investigação de um furto tentado e de um furto consumado. Segundo a denúncia, o furto tentado aconteceu em 29 de outubro de 2025, em Votuporanga, praricado por Rhudy Reatto e Thiago Santos de Oliveira. Eles teriam utilizado um dispositivo eletrônico de abertura e reprogramação de módulo para abrir o veículo, avaliado em R$ 167.299,00.

Entretanto, os autores teriam desistido do furto ao notarem que haviam sido flagrados por funcionários de um estabelecimento comercial nas imediações. A ação deles também foi gravada por câmeras de segurança e as imagens ajudaram a polícia a identificar o veículo utilizado pela dupla na ocasião.

Os dois réus deixaram o local em um Fiat Mobi que está registrado em nome da esposa de Rhudy Reatto, Andreza Mariana de Souza Reatto, que também está entre os condenados. Ao identificar esse veículo, a Polícia Civil descobriu que o réu possuiria um rancho em Buritama e conseguiu identificá-lo.

Investigação

Consta na decisão que, com a análise das imagens de câmeras de segurança, a pesquisa em bancos de dados policiais e o cruzamento de ocorrências semelhantes registradas em outras cidades, foi possível ampliar a investigação e estabelecer possíveis conexões entre os fatos. 

Assim, além do casal condenado, também foram identificados David do Nascimento Silva, Thiago Santos de Oliveira e Luiz Phillipe Santos Martins como integrantes do grupo. Para a polícia, os envolvidos desempenhavam funções distintas, que inclui a execução dos furtos, apoio logístico, transporte dos veículos, adulteração de sinais identificadores e a movimentação dos valores obtidos.

A investigação confirmou que os executores dos furtos escolhiam caminhonetes da marca Nissan e utilizavam aparelhos eletrônicos que interferiam nos sistemas de travamento ou de presença, permitindo a abertura e o acionamento dos veículos, que eram furtados, adulterados e destinados à circulação ou comercialização.

Para isso, era feita a adulteração das placas e de outros elementos identificadores, inclusive vidros, para dificultar a identificação.

Atuação

Ainda segundo a denúncia, Rhudy Reatto seria responsável pela execução de furtos, pelo contato com outros envolvidos, pela destinação das caminhonetes furtadas, pelas tratativas para obtenção de placas e também pela movimentação de valores.

Thiago Santos de Oliveira teria atuado com ele na tentativa de furto ocorrida em Votuporanga e no transporte de veículos. Já Luiz Phillipe Santos Martins exerceria função logística na região de Birigui, sendo o responsável por receber ou auxiliar na destinação dos veículos.

Ele também manteria movimentações financeiras com a conta de Andreza Mariana de Souza Reatto, que teve identificadas diversas transferências realizadas por ele para contas de titularidade dela, que seria responsável ou colaboraria com a movimentação financeira do grupo.

Já David do Nascimento Silva foi preso em flagrante durante uma tentativa de furto em Mogi das Cruzes e foram encontradas conversas dele com Rhudy Reatto. E Airton Momesso era o responsável pela empresa “Placa Mais”, em Birigui, que segundo a investigação, teria produzido placas sem a correspondente autorização de estampagem ou sem QR Code, para viabilizar a utilização em veículos adulterados.

Confessou

Consta na decisão que ao ser ouvido em juízo, Rhudy Reatto confessou a tentativa de furto e o furto de uma caminhonete ocorrido em Votuporanga, mas negou fazer parte de organização criminosa e os crimes de adulteração de sinal identificador de veículo.

Sobre o furto que foi concretizado, ele aconteceu em 6 de novembro de 2025, praticado na companhia de Luiz Phillipe Santos Martins. O veículo furtado na ocasião é uma caminhonete Nissan Frontier, avaliada em R$ 149.045,00 que segundo o próprio réu, foi levada para Birigui.

Ele alegou que um comprador teria encomendado e prometido pagar R$ 15.000,00 por caminhonetes, tendo pago o valor em dinheiro. O réu declarou não saber se o veículo furtado seria desmontado, adulterado, utilizado para transportar drogas ou teria outra finalidade.

Adulteração

Ainda de acordo com a denúncia, os investigados mantinham em Birigui, uma estrutura clandestina utilizada para adulterar os sinais identificadores e as placas das caminhonetes furtadas, para transformá-las em "dublês", e cinco pessoas foram denunciadas por esse crime. 

Fazem parte desse grupo, Rhudy Reatto, Luiz Phillipe, Andreza, Airton Momesso e Sheuli Alves de Souza, que foi investigada por suspeita de manter em depósito e ocultar os veículos já adulterados.

Dos réus que foram ouvidos, apenas Luiz Phillipe disse que pesquisou sobre uma empresa denominada "Placa Mais" após ouvir de Rhudy que naquele local seria possível obter placas automotivas, mas alegou nunca ter comparecido à empresa, mantido contato com funcionários ou participado de qualquer procedimento relacionado à confecção ou adulteração de placas.

Entretanto, segundo a sentença, foi encontrado o registro do endereço da empresa “Placa Mais” no aplicativo de mapas do celular do réu, além da foto da própria caminhonete furtada, já com a placa adulterada. A investigação também apontou transferências via Pix realizadas por Rhudy em favor de Airton nas datas imediatamente posteriores aos crimes investigados.

Organização criminosa

Oito réus foram denunciados pelo crime de organização criminosa, que a Justiça reconheceu que seria liderada por Rhudy Reatto. “A sequência temporal e a reiteração dos pagamentos evidenciam que Rhudy não ocupava posição meramente periférica na estrutura, mas era quem providenciava e custeava os meios necessários à adulteração dos veículos, inclusive definindo a quem seriam solicitadas as placas clandestinas e como se daria sua utilização” , consta na decisão.

Também foi levado em consideração que a investigação encontrou registros de pesquisas feitas por ele, sobre ferramentas e procedimentos relacionados à adulteração e à codificação de diferentes veículos, o que vai de encontro à dinâmica criminosa atribuída ao grupo.

Condenações

Assim, Rhudy Reatto foi condenado por furto qualificado tentado, furto qualificado consumado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, corrupção ativa e organização criminosa, na condição de líder; Andreza Mariana de Souza Reatto por organização criminosa; Luiz Phillipe Santos Martins por furto qualificado consumado, adulteração de sinal identificador e organização criminosa; Thiago Santos de Oliveira por furto qualificado tentado e organização criminosa; David do Nascimento Silva por organização criminosa; Airton Momesso por adulteração de sinal identificador; e Sheuli Alves de Souza, por receptação.

Thiago, Luiz Phillipe, Rhudy e David respondem ao processo presos e não foi concedido a eles o direito de recorrer em liberdade. Quanto a Andreza, foi revogada a prisão domiciliar, sendo concedido a ela o direito de responder ao processo e eventual recurso em liberdade. Porém, a sentenciada está proibida de alterar o endereço residencial sem prévia autorização e de se envolver em nova prática delituosa.

A reportagem vai tentar contato com as defesas dos réus para comentar a sentença.

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