Polícia

Polícia pede a prisão de 4 suspeitos de participação no assassinato do advogado

Mulher de 20 anos confessou ter atraído vítima para a casa dela para roubá-la; foi morto com machadinha

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
15/01/20 às 15h48
Polícia esclarece crime que matou advogado Ronaldo Cesar Capelari, 53 anos, de Araçatuba (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) pediu nesta quarta-feira (15), a prisão temporária por 30 dias de quatro suspeitos de participação no assassinato do advogado Ronaldo Cesar Capelari, 53 anos, que foi morto e esquartejado. O pedido foi aceito no final da tarde e eles estão à disposição da Justiça.

Os suspeitos são três rapazes e uma garota de 20 anos, que mora na casa onde o corpo foi encontrado, no bairro Água Branca. Ela o teria atraído para assaltá-lo. O que foi informado é que a vítima reagiu e foi morta com golpes de machadinha e pedra na cabeça.

Segundo o delegado Paulo Natal, responsável pelo caso, o crime foi esclarecido depois que essa jovem se apresentou espontaneamente na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e indicou os demais participantes.

Negaram

Um deles, de 25 anos e morador no Água Branca 2, alegou não conhecer o advogado e não ter relação nenhuma com a morte. Ele disse que conhece a jovem que o denunciou apenas de vista, mas é colega dos outros dois investigados.

Afirmou ainda que não sabe onde a jovem mora e que não saiu de casa na noite de segunda-feira, quando o advogado desapareceu. Por fim, falou que soube por meio de um vizinho da apreensão perto da casa dele da caminhonete roubada.

Outro preso tem 18 anos, mora no Água Branca 3 e se reservou ao direito de falar apenas em juízo.

Apenas um dos investigados confessou ter sido convidado a “participar de uma fita” na casa da jovem, mas alegou não ter aceito.

Apesar de a versão contradizer o que a investigada afirma, a polícia acredita que os três estão realmente envolvidos no crime, por isso, representou pela prisão temporária de todos para dar sequência na investigação.

Caso

Capelari desapareceu na noite de segunda-feira, quando saiu de casa com a caminhonete GM S-10 dizendo à família que iria à academia. O veículo foi encontrado abandonado na manhã seguinte em uma estrada que liga Araçatuba a Birigui, no fundo do bairro Água Branca.

O chinelo do advogado sujo de sangue e um tampão de madeira também com sangue, estavam na caminhonete, que estava trancada e foi aberta por um chaveiro.

Após divulgação da localização do veículo, a Polícia Militar recebeu denúncia de que ele foi visto durante a madrugada, estacionado na frente da residência da jovem investigada, na rua Waldir Cunha.

Equipe foi ao local, deteve três pessoas que estavam nas imediações e encontrou o corpo de Capelari esquartejado, dividido em três sacos de lixo. Eles estavam no banheiro da casa, que apesar dos móveis, estava vazia e aberta.

As três pessoas detidas na ocasião negaram participação no crime, foram liberadas durante a madrugada e a polícia prosseguiu com as diligências.

Já havia informações extraoficiais de que o imóvel era ocupado por uma jovem e que ela seria garota de programa.

Esclarecimento

Segundo o delegado, pela manhã, essa jovem foi à delegacia e alegou que apesar de ter alugado o imóvel recentemente, fazia um mês que não ia ao local, que estaria com a porta aberta e não sabia a respeito do corpo.

A polícia não acreditou na versão, houve questionamentos e a investigada admitiu participação no assassinato.

Segundo a jovem, ela não é garota de programa, tem namorado, mas conhecia o advogado havia dois meses e tinha um relacionamento com ele, sem descrever o tipo de relação.

Disse ainda que tinha o contato pessoal da vítima, que esteve na casa dela anteriormente, com a caminhonete.

O veículo teria sido visto pelos colegas do bairro, que propuseram fazer o assalto. “Como ele tinha um carro bom, acharam que tivesse um bom dinheiro”, conta o delegado.

Na versão da jovem, ela convidou Capelari a ir na casa dela, como combinado, mas momentos antes de ele chegar, ela saiu, se escondeu, deixando no imóvel apenas os três investigados.

“Quando o dr. Ronaldo chegou, ele estacionou o veículo na frente da casa e quando adentrou, três pessoas o arrastaram com violência para dentro da casa”, relatou o delegado.

Ainda segundo a versão da jovem, nesse momento ela deixou o local e só soube na manhã seguinte por um dos investigados que o advogado tinha sido morto por ter reagido ao assalto.

Ela disse que limpou os respingos de sangue na parede e no chão do quarto e depois foi embora.

Latrocínio

Como os três presos alegaram não ter participado do assassinato, a polícia ainda não tem informação exata do que aconteceu na casa.

O que há por enquanto é a versão da investigada, com base nos relatos que ela disse ter obtido com o acusado que confessou o crime a ela.

Segundo o que foi apurado até agora, tudo indica que o advogado foi assassinado no imóvel, onde foram apreendidas facas de tamanhos diversos, lima e serra ou serrote.

Na versão dada por ela, a ideia inicial era apenas assaltar a vítima, que teve o celular e R$ 200,00 roubados. Apesar de a jovem afirmar não fazer programa, esse dinheiro seria dado a ela, segundo o que relatou à polícia.

Sobre a caminhonete, a ideia inicial dos investigados era desmontá-la para vender as peças. Porém, como o roubo deu errado e a vítima foi morta, eles usariam o veículo para desovar o corpo.

Ao manobrar a caminhonete na garagem, eles acabaram batendo no muro da casa, por isso, decidiram deixar o cadáver no local e se desfazer da GM S10.

Sem ter veículo para se desfazer do corpo, os autores do crime decidiram esquartejá-lo para retirá-lo da casa como se fosse lixo, provavelmente na noite em que os sacos foram encontrados.

Frieza

Paulo Natal revelou que a polícia se surpreendeu com a crueldade e a frieza dos envolvidos, sendo que dois dos rapazes têm passagem por tráfico de drogas. Segundo ele, a única a que demonstrou arrependimento foi a jovem.

Todos devem ser indiciados por latrocínio, com pena que varia de 20 a 30 anos de prisão, e ocultação de cadáver, que pode chegar a 3 anos de cadeia. Durante o inquérito será avaliado se também irá configurar associação criminosa.

A polícia aguardará a conclusão dos laudos periciais e do exame necroscópico e deve confrontar com o que já foi ouvido em depoimento e apurado.

Os investigados devem ser interrogados novamente e nos próximos dias familiares da vítima devem ser ouvidos.

Entre outras coisas, a polícia quer saber onde Capelari possuía conta bancária para verificar se foram feitos saques usando cartões de crédito dele. Documentos pessoais, procurações e documentos do veículo foram encontrados na casa junto com o corpo.

O friso lateral da caminhonete, danificado ao bater no muro, estava sobre o telhado do imóvel e foi recolhido, comprovando que ela esteve no local.

Empenho

O presidente da Subsede local da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Sandro Laudelino, acompanhou a coletiva de imprensa e agradeceu ao trabalho das polícias civil e militar. “Uma demora maior poderia acabar com tudo isso”, comentou.

Paulo Natal também enalteceu o trabalho dos policiais no caso e declarou que todos os crimes graves, como latrocínio e homicídios, recebem o mesmo empenho da polícia.

Segundo ele, nesse caso as circunstâncias levaram a chegar rapidamente aos autores. “O trabalho com relação a todos os crimes é o mesmo”, concluiu.

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