Política

Câmara rejeita projeto que possibilitaria regularização do bairro Colinas

No residencial, que é de 1997, todas as esquinas são arredondadas, existindo uma área pública de 14,92 m², a maioria invadida por construções

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
29/03/22 às 22h56

A Prefeitura de Birigui (SP) não conseguiu quantidade suficiente de votos para aprovar projeto de lei que possibilitaria a regularização de lotes no bairro Colinas. No residencial, que é de 1997, há 487 áreas e todas as esquinas são arredondadas, existindo uma área pública de 14,92 metros quadrados. Praticamente todas foram invadidas pelos proprietários dos lotes lindeiros ao construir seus imóveis, e portanto, estão irregulares.

A discussão sobre o tema se arrasta há algumas sessões, quando apareceram os primeiros projetos de lei para regularizar situações individuais a pedido do morador. Após o Jurídico da Câmara notar que a situação não era apenas de um morador, mas de todo um bairro, passou a exigir documentação do residencial para emissão de parecer favorável aos projetos individuais.

Os documentos só foram enviados na semana passada, junto com um projeto mais abrangente, que autorizaria o Executivo a alienar as áreas do bairro mediante prévia avaliação, por meio de laudo, da Secretaria Municipal de Obras.

Para isso, o interessado pela aquisição da área deveria protocolar requerimento na Prefeitura, devidamente instruído com a documentação de identificação do proprietário e do imóvel a ser regularizado, e fazer o pagamento pela referida faixa de terra, que deveria ser à vista, no ato da lavratura da escritura. As despesas com desmembramento, abertura de matrícula, escritura, registro, dentre outras despesas notariais necessárias, seriam de responsabilidade do adquirente.

O projeto recebeu parecer favorável do Jurídico e foi para votação na sessão desta terça-feira (29)

Favoráveis

O vereador Everaldo Santelli (PV) foi o primeiro a falar da matéria. Ele comemorava a entrada na pauta de um texto que chamou de “adequado” tanto no entendimento do Jurídico da Câmara quanto pela Prefeitura e que traria a solução dos problemas da coletividade e não mais individualmente. Segundo ele, do jeito que está, o proprietário não consegue, por exemplo vender o imóvel.

Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia (PTB) foi na mesma linha de Santelli e disse que acompanhou a conversa entre os dois poderes (Legislativo e Executivo) até chegar a um acordo. “O que faltava era amplitude e não privilégio para um”, disse.

De acordo com Vadão, na época da aprovação do residencial houve uma falha no documento que estava sendo solicitado pelo Jurídico da Câmara. Para corrigir isso, o secretário de Obras fez um parecer técnico mostrando a situação do local, que foi aceito.

(Imagem: reprodução)

Contrários

Paulo Sergio de Oliveira, o Paulinho do Posto (Avante), disse que concorda com a necessidade de regularização do bairro, porém não se sentia confortável em votar a favor do projeto, pois em dois pareceres Jurídicos emitidos pelo Legislativo, o procurador pediu documentos, que não foram anexados. “Essas áreas eram áreas verdes? Foram trocadas? Como a Prefeitura adquiriu essa área? Não há nada aqui que comprova que essa área foi substituída por outra”, questionou.

José Luís Buchalla (Patriota) iniciou o discurso falando em democracia e votação de projetos para beneficiar a maioria. Discordou do Paulinho do Posto afirmando que a Casa recebeu o mapa de quando o bairro foi lotado, porém o documento estava incompleto.

“Não consta área verde, área remanescente, não consta nada. Então eu acho que deveria ser feito do começo. Vamos catalogar todas as áreas verdes, catalogar as áreas remanescentes, as áreas com problemas de esquina e vamos regularizar e cobrar os culpados, o loteador ou quem aprovou o projeto no passado?”

Ressaltou ainda que o Plenário é soberano e que pode ou não acatar os pareceres das comissões e do Jurídico. “Parecer não é lei, não é regra”, disse contrariando a posição de colegas que defenderam a aprovação do projeto após a emissão do parecer jurídico favorável.

Em sua opinião, em vez de um parecer técnico assinado por um secretário, a Prefeitura deveria ter enviado um parecer assinado por um órgão competente, da área de engenharia, como o Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia).

Votos

O projeto recebeu 7 votos favoráveis - Benedito Dafé (PDS), César Pantarotto Júnior (PSD), Everaldo Santelli, Marcos Antonio Santos, o Marcos da Ripada (PSL), Reginaldo Fernando Pereira, o Pastor Reginaldo (PTB), Sidnei Maria Rodrigues, a Si Combate ao Câncer (Avante) e Vadão da Farmácia. E quatro contrários – Paulinho do Posto, Cleverson José de Souza, o Tody da Unidiesel (Cidadania), Wagner Mastelaro (PT) e Zé Luís Buchalla. Era necessária maioria qualificada de votos, ou seja, dez votos.

Estavam ausentes na sessão Andre Luis Moimas Grosso, o Andre Fermino (PSDB), Osterlaine Henriques Alves, a Dra. Osterlaine (DEM), Fabiano Amadeu, o Pô Birigui (Cidadania) e Wesley Ricardo Coalhato, o Cabo Wesley (PSL).

(Imagem: reprodução de vídeo)

Outros

A sessão teve outros cinco projetos aprovados e um retirado de tramitação. Dentre os textos aprovados estão o veto e novo projeto de lei que corrigem o reajuste nos subsídios dos secretários municipais. Projeto aprovado anteriormente e já sancionado pelo Executivo tinha um erro no cálculo, concedendo um índice de aumento de 18%, ou seja, superior aos 10,5% dados ao funcionalismo público municipal. Em valores, significa R$ 515,31 a mais no vencimento.

O prefeito Leandro Maffeis (PSL) vetou o trecho que alterou o subsídio do cargo para R$ 7.876,83 e o novo projeto, com o valor correto de R$ 7.361,52 foi aprovado. No novo texto também foi incluída a correção do subsídio dos secretários-adjuntos, que passaram a receber R$ 7.303,32 (contra R$ 6.609,34 anterior).

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