Política

Vice-prefeito de Birigui culpa 'Operação Raio-X' por crise na Santa Casa da cidade

Em depoimento para comissão da Câmara que investiga contrato sem licitação feito na atual gestão com equipe médica de plantões cirúrgicos, ele questionou o bloqueio judicial das contas do hospital

Agência Trio Notícias
16/06/26 às 18h40
O vice-prefeito de Birigui prestou depoimento na CEI na Câmara (Foto: Reprodução)

O vice-prefeito de Birigui (SP), Marcelo Parizati (PSD), culpou a Operação Raio-X, que investigou o desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de contratos com OSSs (Organizações Sociais de Saúde), pela crise financeira enfrentada atualmente pela Santa Casa da cidade.

Ele foi ouvido na segunda-feira (15) pela CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Câmara, que investiga possíveis irregularidades em um contrato sem licitação, feito pela direção do hospital com uma empresa que presta plantão médico cirúrgico na instituição.

Devido à Santa Casa estar sob intervenção municipal, em fevereiro de 2023 o Ministério Público recomendou à administração municipal que a partir de então, passasse a adotar os procedimentos de licitação como base para contratações de pessoal e aquisições de serviços e materiais.

Operação

Conforme amplamente divulgado, a Operação Raio-X foi deflagrada pela Polícia Civil de Araçatuba em setembro de 2020. Ela resultou na condenação de dezenas de réus em processos que tramitaram na Justiça de Birigui e de Penápolis e há ainda vários outros processos tramitando.

Entre os condenados está o médico anestesista Cleudson Garcia Montali, que é de Birigui e, de acordo com as sentenças, utilizava a OSS Santa Casa de Misericórdia de Birigui como uma das entidades para firmar convênios com órgãos públicos, especialmente Prefeituras e governos de Estado.

Ainda de acordo com as sentenças condenatórias, esses convênios eram utilizados para firmar contratos de prestação de serviço, que seriam superfaturados e, muitas vezes, os serviços contratados não eram executados, mas as referidas empresas recebiam os valores.

Por isso, entre os réus condenados está o então presidente da OSS Irmandade da Santa Casa de Birigui, Cláudio Castelão Lopes, responsável pelos pagamentos referentes ao convênio. A investigação, na época, apontou que teriam sido desviados dos cofres públicos aproximadamente R$ 500 milhões que deveriam ter sido aplicados em serviços de Saúde.

Descredibilidade

Um dos argumentos utilizados pelo vice-prefeito de Birigui durante depoimento para justificar o contrato que está sendo investigado pela comissão, que tem valor bem acima do anterior, é o desinteresse de profissionais em querer prestar serviços para a Santa Casa de Birigui, devido à descredibilidade da instituição. 

“Por conta desse absurdo que foi feito com a Santa Casa de Birigui, esse nome sujo que a Santa Casa de Birigui tem no Brasil inteiro né. Porque com a Operação Raio-X nós ganhamos visibilidade no Brasil inteiro ”, afirmou.

Parizati disse em depoimento que participou de várias reuniões com médicos em outras cidades, citando como exemplo Catanduva, Ribeirão Preto, Andradina e Penápolis, e que nenhum teria tido interesse em trabalhar na Santa Casa de Birigui. 

Bloqueio judicial

Ele argumentou ainda que a Santa Casa de Birigui passa por uma descredibilidade muito grande e corre o risco inclusive de ter a energia elétrica cortada. Segundo o vice-prefeito, quando a atual administração assumiu, em 2025, o hospital devia mais de R$ 1 milhão.

A informação passada foi de que a administração municipal anterior teria feito um acordo com a distribuidora de energia, que teria concordado em não suspender o fornecimento se mantiver a conta do mês em dia. Porém, o valor pendente seria cobrado futuramente.

O vice-prefeito reclamou ainda do fato de a Santa Casa estar com todas as contas bancárias bloqueadas, o que dificulta à Prefeitura, repassar dinheiro para o hospital. A gente faz um verdadeiro malabarismo para que esse dinheiro que nós repassamos, o dinheiro suado da população, para pagar médico, para pagar energia elétrica, para pagar insumos, para pagar medicamentos, na hora de transferir para a Santa Casa ela não seja bloqueada, por conta dessa bendita Raio-X” , declarou.

Dinheiro retido

Ainda de acordo com Parizati, o montante em recursos bloqueados na Santa Casa atualmente ultrapassa R$ 1 milhão, com a soma de valores que vêm sendo bloqueados desde as administrações passadas. “Quando eu cheguei eu tive essa informação e eu não me conformei. Como que um juiz manda bloquear recurso público destinado à Saúde, para uma única instituição que faça cirurgia na cidade? A Santa Casa é o único lugar público que nós temos!” , declarou.

Segundo o vice-prefeito, a administração municipal já tentou de tudo e não consegue uma liminar ou alguma garantia judicial para que o recurso não seja bloqueado. Questionado pelo vereador Cleverson José de Souza (Avante), o Tody da Unidiesel, que é o relator na comissão, sobre por que a Prefeitura manteve a intervenção, diante de todas dificuldades, ele argumentou que se tirar a intervenção, a Santa Casa tem que fechar as portas.

Determinação do TCE

Por fim, ele afirmou que nunca houve informação de que a Prefeitura não poderia repassar recurso para a Santa Casa, o que só poderia ser feito por meio da intervenção. Porém, de acordo com Parizati, recentemente a administração municipal foi comunicada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) que está proibido o repasse de recurso para a Santa Casa.

“O que nós vamos fazer? Temos duas opções: ou corre o risco de a prefeita ser cassada, porque ela não está cumprindo uma determinação do Tribunal de Contas, ou fecha as portas. Eu falei com a prefeita e ela disse que então vai ser cassada, pois não deixará e passar recursos para o hospital” , declarou.

Vice-prefeito nega direcionamento para contratar equipe médica

“Se não está dando certo é porque o pessoal não está correspondendo” . Este foi o argumento dado pelo vice-prefeito de Birigui, Marcelo Parizati, para justificar a contratação de uma nova equipe médica para os plantões cirúrgicos na Santa Casa da cidade, contrato esse que está sendo investigado por uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) na Câmara.

Em depoimento na segunda-feira, ele negou que a administração municipal já estivesse negociando com alguma equipe médica antes de ser feita a contratação da nova empresa.

Em depoimento na semana passada, o médico Carlos Antônio Gonçalves de Souza Filho, que é o responsável pela empresa que está tendo o contrato questionado, confirmou que ainda durante a transição de governo, em dezembro de 2024, conheceu o ex-secretário de Saúde, Roque Bonfim, que posteriormente o convidou para trabalhar como cirurgião na Santa Casa de Birigui.

Não conhece

Parizati afirmou que não conhecia esse médico e também não conhecia o diretor regional de Saúde, Francisco Carlos Bassalobre, até o início dos depoimentos pela comissão na semana passada, quando foram exibidas fotos deles.

Questionado sobre a diferença de valores entre o contrato com a empresa anterior e com a contratada pela atual administração, o vice-prefeito argumentou que é preciso analisar o tipo de contrato e não apenas o valor pago.

Ainda de acordo com ele, ao ter conhecimento da situação a partir da denúncia, ele foi questionar o hospital, que teria argumentado que o contrato anterior não teria cirurgia eletiva, enquanto o novo já incluiria esse tipo de serviço. “Falar que é discrepância, que é moral, que é imoral, é preciso ver em que condições foi feito esse contrato” , justificou.

Produção

Mesmo após ser informado pelo presidente da comissão que foram realizadas apenas 30 cirurgias a mais pela nova empresa, se comparado com a empresa anterior, ele manteve o posicionamento.

Segundo o que foi informado, a CEI recebeu ofício da Santa Casa informando que em 2024 foram realizadas 358 cirurgias eletivas no hospital pela equipe anterior, média de aproximadamente 29 por mês, na modalidade que previa pagamentos extras por procedimento aos médicos.

Em 2025, que tem parte do novo contrato, foram contabilizadas 388 cirurgias desse tipo, aumento de apenas três cirurgias mensais, elevando a média para 32 por mês. “Não podemos avaliar dessa forma, precisa ver que circunstâncias foram feitas” , reforçou o vice-prefeito.

Honestidade

Ainda de acordo com o que foi informado durante a sessão, a comissão recebeu documento informando que durante um ano, os médicos plantonistas P2, que ficavam de sobreaviso conforme previsto no contrato, foram responsáveis pela internação de apenas três pacientes em um ano. Esses médicos eram o próprio responsável pela empresa e o diretor regional de Saúde.

Por fim, o presidente da comissão, vereador Marcos Antônio dos Santos (União Brasil), o Marcos da Ripada, chamou a atenção para o fato de o Ministério Público ter orientado sobre a necessidade de chamamento público para contratação de médicos, o que não foi feito, apesar de o hospital estar “mendigando”, conforme as palavras dele.

Em resposta, o vice-prefeito declarou que o que pauta a atual administração municipal em Birigui é a honestidade. "Se houve erro, pode até apurar se houve erro, mas não houve dolo” , argumentou o vice-prefeito.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM POLÍTICA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.