Opinião

Das promessas às desculpas: de quem é a culpa?

"Ninguém que se proponha a governar uma cidade pode, depois de eleito, alegar surpresa diante das dificuldades encontradas ou ignorância quanto à realidade que herdou"

César Franzói
15/06/26 às 14h42

Assim como tantas outras cidades deste país, Birigui não foge à regra. Há pelo menos duas décadas acompanho a política municipal e, a cada ciclo eleitoral, assisto ao mesmo espetáculo: promessas grandiosas, discursos inspiradores e a garantia de que a nova gestão será superior à anterior. Promessas como aquela célebre frase proferida por um ex-prefeito de Birigui: “Se não roubar, dá para fazer.”

Entretanto, após o encanto das urnas e o brilho efêmero das campanhas, surge uma pergunta inevitável: por que as promessas se transformam tão rapidamente em desculpas?

Os ativos e passivos de um município são públicos. Da mesma forma, contratos, obrigações e compromissos assumidos pela administração estão à disposição de quem deseja conhecê-los. Ninguém que se proponha a governar uma cidade pode, depois de eleito, alegar surpresa diante das dificuldades encontradas ou ignorância quanto à realidade que herdou. Afinal, no período eleitoral tudo parece possível; porém, quando chega a hora de realizar, o que mais se ouve são justificativas.

Hoje, 15 de junho de 2026, ouvimos o vice-prefeito de Birigui atribuir parte dos problemas enfrentados pela saúde pública municipal aos fatos revelados pela conhecida Operação Raio-X, ocorridos em 2020. Contudo, se tais problemas foram amplamente divulgados e discutidos em âmbito nacional, e se eram de conhecimento público antes mesmo da eleição, não parece razoável que falhas presentes sejam constantemente justificadas por acontecimentos do passado.

Quem se candidata ao comando de uma cidade apresenta-se como portador de soluções, não como mero narrador das dificuldades herdadas. O passado pode explicar a origem dos problemas, mas não pode servir eternamente como abrigo para a ausência de resultados.

Chegou o momento de abandonarmos a confortável morada das desculpas e habitarmos o terreno mais nobre da responsabilidade. Porque, se cada novo prefeito que assumir os destinos de nossa cidade continuar atribuindo à gestão anterior a culpa pelos desafios do presente, permaneceremos aprisionados em um ciclo infinito de acusações, enquanto os problemas reais aguardam solução.

A gestão atual — assim como todas as que vierem no futuro — deve compreender que governar é assumir os méritos dos acertos, mas também a responsabilidade pelos erros e dificuldades do momento. Quem promete mudanças deve estar preparado para responder por elas. Caso contrário, talvez seja mais honesto prometer menos e realizar mais.

Chega de promessas. Chega de desculpas. É tempo de assumir a responsabilidade e reconhecer a própria parcela de culpa. Somente assim Birigui poderá transformar expectativas em resultados e discursos em realizações.

Foto: Divulgação

César Franzói é advogado em Birigui

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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