A CEI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada para investigar denúncia de possíveis irregularidades em contratos da Santa Casa de Birigui (SP), ouviu nesta quarta-feira (10), as primeiras cinco pessoas convidadas a prestar depoimentos como testemunhas.
Entre as pessoas que foram ouvidas, estão a ex-interventora do hospital, Sirlei de Paula Pereira, e o médico Carlos Antônio Gonçalves de Souza Filho, que é o responsável pela empresa C.A.F. Serviços Hospitalares Ltda, que é a prestadora dos serviços médicos de cirurgia, um dos alvos da investigação.
Os dois confirmaram que a contratação não precedeu processo de licitação e que não tinham conhecimento de que havia recomendação do Ministério Público para que as contratações feitas pelo hospital fossem realizadas por meio de licitação, devido ao hospital estar sob intervenção da Prefeitura.
Os dois também confirmaram que se conheceram durante o lançamento da pedra fundamental de construção do Hospital Alto Noroeste, hospital estadual que está sendo construído em Birigui. Essa cerimônia aconteceu em 18 de setembro de 2025. Porém, eles estariam se referindo à cerimônia de lançamento do edital de licitação para a construção do hospital, realizada em 23 de dezembro de 2024, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Contratos
Segundo a representação que resultou na instauração da CEI, o médico Carlos Antônio foi contratado para assumir a função de Diretor Técnico da Santa Casa de Birigui em 2 de junho de 2025, ou seja, três meses antes desta cerimônia.
Ainda de acordo com a representação, a empresa dele foi contratada para a prestação de serviços especializados na área de cirurgia geral em 14 de julho de 2025, dois meses antes da cerimônia de lançamento da pedra fundamental do hospital.
Em depoimento, Sirlei disse que fez parte da transição de governo, após a eleição de 2024, quando já havia a intenção de trocar a equipe médica do hospital. Ela informou que foi nesse momento que conheceu o médico Carlos Antônio.
Ainda segundo a ex-interventora, que foi exonerada após as denúncias serem apresentadas, quando a prefeita Samanta Borini (PSD) assumiu, em janeiro de 2025, ela assumiu um cargo de gestão na Santa Casa. Sirlei contou que naquele momento a troca da equipe não foi considerada uma medida de urgência, pois havia outros problemas mais graves a serem resolvidos.
Licitação
Como a empresa C.A.F. Serviços Hospitalares Ltda foi contratada apenas no início do segundo semestre de 2025, o presidente da comissão, vereador Marcos Antônio dos Santos (UB), o Marcos da Ripada, a questionou se nesse período não teria dado tempo de fazer uma licitação e se ela não havia sido informada sobre recomendação do Ministério Público, de que as contratações deveriam ser feitas mediante processo licitatório, devido à intervenção.
De acordo com Sirlei, devido à Santa Casa funcionar 24 horas, o jurídico da Prefeitura informou que o hospital estaria liberado da licitação, mas teria que fazer um chamamento. Ainda segundo a ex-interventora, a informação foi passada ao Jurídico do hospital, que confirmou, por isso foi dado andamento ao processo de contratação por meio do contato com os médicos.
Diretor técnico
A ex-interventora afirmou ainda que a escolha do médico Carlos Antônio para a função de diretor técnico pela atual administração não foi a primeira opção. “A primeira escolha foi o Dr. Erastos. Ele entrou junto com a equipe nova e foi imediatamente contratado como diretor técnico” , explicou.
Segundo o que foi informado à comissão, o diretor técnico anterior recebia R$ 5 mil mensais e o médico Erastos Cristiano Ochiai Brancalhão foi contratado por R$ 8 mil. Já Carlos Antônio, que o substituiu, recebia R$ 10 mil mensais.
Questionada sobre esses valores, ela reforçou que a escolha do diretor técnico não foi por afinidade, pois houve conversas com vários médicos e alguns, chegaram a pedir R$ 20 mil para assumir a função. “Porque o diretor técnico, a responsabilidade dele é pelo hospital inteiro, então nós não conseguimos um profissional com valor mais baixo” , justificou.
Sirlei explicou ainda que após o médico Erastos entregar a carta de demissão da direção técnica, o hospital passou mais de um mês sem ninguém exercendo a função de diretor técnico da Santa Casa. “Inclusive, nós conversamos com vários médicos que trabalham hoje ainda na Santa Casa e nenhum deles quis assumir. Aí foi quando a gente conversou com o dr. Carlos, nós fizemos a proposta de direção técnica para ele, ele deu o valor dele e nós fechamos” , afirmou.
Empresa
Com relação aos valores pagos à empresa contratada para assumir os plantões cirúrgicos da Santa Casa, a ex-interventora disse que ela pertence ao médico Carlos Antônio, que após assumir o posto, passou a compor a equipe dele.
Ainda de acordo com ela, esse contrato, que segundo consta na denúncia, superava R$ 100 mil mensais, foi baseado em valores de plantão e a equipe não receberia por produção, como ocorria com a outra empresa, que recebia R$ 46 mil, mais a produção.
Por fim, Sirlei argumentou ainda que a equipe anterior, durante o ano de 2024, teria recebido mais de R$ 1 milhão entre o valor do contrato e valores referentes a produção, e também do serviço de colonoscopia e endoscopia que era prestado por outra profissional.
