A manicure de 32 anos que denunciou uma cliente à polícia por injúria racial na semana passada, foi ouvida pela Polícia Civil de Araçatuba (SP) nesta terça-feira (9) e confirmou o interesse em representar criminalmente contra a acusada.
A reportagem apurou que a empresária, que é dona de uma esmalteria na cidade, esteve na delegacia acompanhada do advogado Roberto Alves da Silva Junior, que atuará como assistente de acusação.
Ele explica que o caso ganhou repercussão porque os fatos ocorreram em um ambiente de trabalho, na presença de diversas pessoas, havendo ainda registros audiovisuais que já circulam nas redes sociais e em veículos de imprensa.
“Na condição de advogado da vítima, minha atuação neste momento consiste em prestar toda a assistência jurídica necessária, acompanhar de perto as investigações e colaborar para que os fatos sejam integralmente esclarecidos pelas autoridades competentes, apresentando, no momento oportuno, todos os elementos de prova pertinentes ao caso” , informa.
Ainda de acordo com o que foi apurado pela reportagem, como a vítima confirmou as informações que haviam sido relatadas no boletim de ocorrência, um inquérito para investigar possível crime de injúria racial será instaurado pela CPJ (Central de Polícia Judiciária), que deve intimar as testemunhas para serem ouvidas, antes de intimar a investigada para prestar declarações.
Caso
Conforme divulgado, a vítima relatou à polícia que na última quarta-feira (3) a cliente, que teria 39 anos, havia agendado atendimento para as 13h, mas não chegou no horário.
Diante disso, a dona do estabelecimento enviou mensagem a ela, perguntado se estava a caminho e a resposta, de maneira grosseira, segundo a vítima, teria sido que ela era cliente antiga e ninguém havia avisado sobre tolerância de atraso.
A investigada teria informado que já estava chegando, mas se fosse dar problema, era para avisar que ela retornaria para casa. Apesar de ter sido informada que seria melhor agendar outra data, por haver outros clientes para atender, a acusada foi ao salão.
Ofensas
Ao ser informada de que não seria possível o atendimento em virtude de outras clientes já estarem esperando, ela teria passado a proferir palavras de baixo calão.
A mulher teria afirmado que a vítima “se achava demais”, declarado que teria dinheiro para comprar o salão e, antes de ir embora, teria dito para a vítima "voltar para o zoológico", chamando-a de macaca, além de ter informado que falaria mal da vítima nas redes sociais.
A empresária publicou um vídeo gravado por câmera de monitoramento, no qual é possível ouvir o termo macaca, quando um carro passa na frente da esmalteria. Ela informou que seria a investigada que estaria conduzindo o veículo, após deixar o prédio.
O crime de injúria racial por ofensa à dignidade por raça/cor tem pena prevista de 2 a 5 anos de reclusão e multa em caso de condenação. A reportagem ainda não conseguiu o contato da defesa da acusada.
