Conhecido por falas polêmicas, o deputado estadual Roque Barbiere (Avante), o Roquinho, desafiou a polícia a prendê-lo. Ele é investigado na Operação Raio-X, que apura suposto esquema de desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de OSSs (Organizações Socais de Saúde). Segundo a polícia e o Ministério Público, há indícios de participação do parlamentar no suposto esquema.
“Por que que não me prende? Eu não roubei a Santa Casa? Por que esse “b...” desse delegado não vem me prender aqui na rádio agora? Ou não vai lá no meu sítio me prender? Porque ele sabe que a armação dele, no meu caso, vai ser desarmada. E acredito que a de muitas pessoas também”, disse.
Roquinho concedeu entrevista ao radialista Paulo Brito na terça-feira (20), em Birigui, na qual criticou a ação da polícia durante a operação, em setembro do ano passado, quando dezenas de pessoas foram presas, entre elas, vários médicos.
Um dos réus em processos que tramitam em Birigui e em Penápolis é o médico Lauro Henrique Fusco Marinho, de Birigui. Ele é apontado como braço direito do médico anestesista Cleudson Garcia Montali, apontado como líder do suposto esquema.
Os dois foram presos durante a operação, em 29 de setembro do ano passado e recentemente tiveram o direito à prisão domiciliar concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Porém, nos dois casos o benefício foi revogado por indícios de fraude nos atestados médicos apresentados por eles à Justiça. Assim, eles voltaram para o presídio.
Espetacularização
Roquinho deu a entender que houve uma espetacularização por parte da polícia ao deflagrar a operação, que envolveu dezenas de policiais, com apoio de helicóptero da Polícia Civil. Ele criticou a forma como se deram as prisões, em especial à de Lauro, famoso por ter aparecido em reportagem do Fantástico como um dos personagens principais da investigação.
“Não precisa vir prender de helicóptero e metralhadora um cara como o Lauro, não. Não precisa vir dez viaturas, helicóptero, metralhadora. Pra que? Um bom policial, um policial competente, um policial que quer realmente prender quem está fora das regras e está com mandado de prisão, liga para o cara, fala: amigo, o quarteirão está cercado, para não magoar e traumatizar seus filhos, você quer sair? Você está sendo preso, você está cercado, não adianta você fazer nada. Sabe que não é um cara violento, que é um cara que nunca deu um tapa em ninguém. Não precisa fazer todo esse aparato para mostrar serviço” (sic), argumentou.
Inocentes
Para o parlamentar, a ação da polícia criou um clima ruim e pode ter prejudicado muitas pessoas inocentes. Ele citou como exemplo a prisão de uma mulher, que de acordo com ele, sempre deu a vida para a Santa Casa de Birigui.
“Eu já vi muito raio-X não dar nada. Todos os que eu fiz até hoje graças a Deus não deram nada. Não sei o que vai dar esse daí, porque eu não vi o resultado, vamos ver o que vai acontecer, mas até lá, manchou-se o nome de muitas pessoas”, argumentou.
Para ele, os investigados na operação Raio-X não deveriam estar presos, já que ainda não houve condenação. “A preventiva (prisão) é 90 dias. Não sou nenhum especialista nisso não, mas também não sou nenhum tontinho não. Ficam prorrogando, prorrogando, vai se “f...”! Cumpra a lei direitinho como eu tenho cumprido ao longo da vida”, declarou.
