Política

Deputado Roque Barbiere desafia a polícia a prendê-lo

Roquinho é investigado na Operação Raio-X; segundo a polícia, há indícios de que ele tentou indicar um delegado que seria ligado ao grupo investigado para barrar as investigações

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
21/07/21 às 12h25
Roque Barbiere concedeu entrevista ao radialista Paulo Brito, em Birigui (Foto: Reprodução)

Conhecido por falas polêmicas, o deputado estadual Roque Barbiere (Avante), o Roquinho, desafiou a polícia a prendê-lo. Ele é investigado na Operação Raio-X, que apura suposto esquema de desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de OSSs (Organizações Socais de Saúde). Segundo a polícia e o Ministério Público, há indícios de participação do parlamentar no suposto esquema.

“Por que que não me prende? Eu não roubei a Santa Casa? Por que esse “b...” desse delegado não vem me prender aqui na rádio agora? Ou não vai lá no meu sítio me prender? Porque ele sabe que a armação dele, no meu caso, vai ser desarmada. E acredito que a de muitas pessoas também”, disse.

Roquinho concedeu entrevista ao radialista Paulo Brito na terça-feira (20), em Birigui, na qual criticou a ação da polícia durante a operação, em setembro do ano passado, quando dezenas de pessoas foram presas, entre elas, vários médicos.

Um dos réus em processos que tramitam em Birigui e em Penápolis é o médico Lauro Henrique Fusco Marinho, de Birigui. Ele é apontado como braço direito do médico anestesista Cleudson Garcia Montali, apontado como líder do suposto esquema.

Os dois foram presos durante a operação, em 29 de setembro do ano passado e recentemente tiveram o direito à prisão domiciliar concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Porém, nos dois casos o benefício foi revogado por indícios de fraude nos atestados médicos apresentados por eles à Justiça. Assim, eles voltaram para o presídio.

Espetacularização

Roquinho deu a entender que houve uma espetacularização por parte da polícia ao deflagrar a operação, que envolveu dezenas de policiais, com apoio de helicóptero da Polícia Civil. Ele criticou a forma como se deram as prisões, em especial à de Lauro, famoso por ter aparecido em reportagem do Fantástico como um dos personagens principais da investigação.

“Não precisa vir prender de helicóptero e metralhadora um cara como o Lauro, não. Não precisa vir dez viaturas, helicóptero, metralhadora. Pra que? Um bom policial, um policial competente, um policial que quer realmente prender quem está fora das regras e está com mandado de prisão, liga para o cara, fala: amigo, o quarteirão está cercado, para não magoar e traumatizar seus filhos, você quer sair? Você está sendo preso, você está cercado, não adianta você fazer nada. Sabe que não é um cara violento, que é um cara que nunca deu um tapa em ninguém. Não precisa fazer todo esse aparato para mostrar serviço” (sic), argumentou.

Inocentes

Para o parlamentar, a ação da polícia criou um clima ruim e pode ter prejudicado muitas pessoas inocentes. Ele citou como exemplo a prisão de uma mulher, que de acordo com ele, sempre deu a vida para a Santa Casa de Birigui.

“Eu já vi muito raio-X não dar nada. Todos os que eu fiz até hoje graças a Deus não deram nada. Não sei o que vai dar esse daí, porque eu não vi o resultado, vamos ver o que vai acontecer, mas até lá, manchou-se o nome de muitas pessoas”, argumentou.

Para ele, os investigados na operação Raio-X não deveriam estar presos, já que ainda não houve condenação. “A preventiva (prisão) é 90 dias. Não sou nenhum especialista nisso não, mas também não sou nenhum tontinho não. Ficam prorrogando, prorrogando, vai se “f...”! Cumpra a lei direitinho como eu tenho cumprido ao longo da vida”, declarou.

Roquinho teria tentado indicar delegado para barrar a Operação Raio-X 

A Polícia Civil de Araçatuba encontrou indícios de que o deputado estadual Roque Barbiere teria tentado barrar as investigações que resultaram na Operação Raio-X e levaram várias pessoas a cadeia acusadas de participar do suposto esquema de desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de Organizações Sociais de Saúde.

Segundo o que foi apurado pela reportagem, consta nos autos que a polícia interceptou conversa telefônica entre o deputado e o médico Cleudson Garcia Montali, apontado como líder da suposta organização criminosa, na qual eles tentam indicar um delegado que seria ligado ao grupo para chefiar a Polícia Civil na região e barrar as investigações.

Ainda de acordo com o que foi apurado, após a conversa entre os dois por telefone, Cleudson teria falado também por telefone com outro investigado, Márcio Takahashi Alexandre, e informado sobre a tentativa de barrar a investigação por meio da indicação de um delegado, caso ele fosse nomeado.

Corregedoria

O Hojemais Araçatuba apurou que um dos delegados que seria próximo ao grupo e que poderia assumir algum cargo de interesse dos investigados aposentou-se após a operação ser deflagrada. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para apurar os fatos.

Quando a segunda conversa foi interceptada, Márcio Takahashi estava preso. Ele é filho do ex-vereador Osvaldo Ramiro Alexandre (1993/1996) e foi preso um ano antes da operação ser deflagrada. Considerado foragido da Justiça, ele foi flagrado com R$ 179 mil em dinheiro e três carros na garagem de casa, um deles blindado.

Anotações

Na ocasião também foram apreendidos documentos com anotações, que segundo a investigação, são relacionadas ao esquema envolvendo da Irmandade da Santa Casa de Birigui, uma das OSSs que teriam sido utilizadas para assinar contratos em favor do grupo investigado.

Também havia anotações com abreviações de nomes de pessoas que receberiam dinheiro supostamente desviado. Segundo a polícia, uma dessas pessoas seria Roque Barbiere.

Antes de ser deflagrada a operação, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) autorizou o desmembramento do processo, concedendo foro privilegiado ao parlamentar. Assim, as informações relativas a ele passariam a ser investigados pelo tribunal.

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