Política

Exoneração na Saúde: ex-secretária diz que se tornou “peso político” e fala em pressão de vereadores

Profissional afirma que tentou ser técnica e mais imparcial possível, mas que, em Birigui, o “esquema é gigantesco”

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
04/02/21 às 16h10

*Matéria atualizada

A agora ex-secretária de Saúde de Birigui (SP) Adriana Sangaletti Duarte nega que o pedido de exoneração do cargo tenha sido feito em comum acordo com o prefeito Leandro Maffeis (PSL) e afirma que passou a sofrer pressão por dizer “não” principalmente a vereadores.

Ela afirma que tentou ser técnica e mais imparcial possível, mas que, em Birigui, o "esquema é gigantesco".

Em conversa com a reportagem do Hojemais Araçatuba, após a divulgação da notícia de sua saída da equipe de governo, Adriana explicou que ficou sabendo que teria outro secretário para ocupar seu lugar, por isso pediu exoneração. “Eu estava sendo um peso politicamente. Aí, por bom senso, eu pedi minha exoneração para desocupar o lugar e o prefeito ficar à vontade para substituição”, justifica citando que não houve um diálogo com o chefe do Executivo sobre isso.

Sem citar nomes, Adriana conta que logo no início da gestão recebeu muitos pedidos de vereadores para passar pessoas na frente nas filas de atendimento da saúde.

“A gente tem uma lista de demanda reprimida gigantesca, porque em seis anos não foram realizadas cirurgias eletivas, o dinheiro da Saúde não chegou para a população. E eles (vereadores) queriam passar paciente na frente. Eu fui falando não. Conforme eu fui falando não, essas pessoas que eram amigas, começaram a se tornar inimigas”, conta.

"Por bom senso, eu pedi minha exoneração", diz Adriana, que ficou pouco mais de um mês na equipe de governo (Foto: Divulgação)
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Abusiva

Um dos exemplos que ela cita foi a audiência na Câmara, convocada pelas comissões permanentes de Saúde e Saneamento e Orçamento, Finanças e Contabilidade. 

“Ficou nítido para mim que a intenção era me pegar e me sabatinar. Foi abusivo. E na semana seguinte arquivam uma denúncia contra o prefeito anterior (Cristiano Salmeirão-PTB). Mas por que fizeram isso? Porque eu fui falando não”, afirma.

Para ela, o fato de ser técnica e não entrar “nesses conchavos” a tornou um peso para a administração. “O Leandro é um cara honesto, um cara íntegro, mas ele é prefeito, e politicamente, eu estava sendo um peso para ele, porque eu não cedi aos pedidos e aos privilégios que os vereadores me solicitaram. Eu acho que quem está na fila merece o respeito e merece que alguém técnico defina se ele tem prioridade ou não”, ressalta.

“Acredito que a utilização do dinheiro público deve ser transparente. Essa carteira tem dono, é da população. Eu como gestora recebi a confiança da população para usá-lo da melhor forma possível e que o serviço chegasse aos que dele necessitam. Infelizmente minha missão foi abortada”, completa.

Secretárias Antonia Lucilene Ferreiro Jardim (Planejamento e Finanças), Nair Sabbo (Negócios Jurídicos) e Adriana foram convocadas na Cãmara (Foto: Amanda Reis/Câmara de Birigui)

Contratações

Adriana ainda esclareceu sobre as contratações que estão ocorrendo na pasta. De acordo com ela, o Departamento Jurídico da Prefeitura, que tem todos os apontamentos contra a OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Birigui na mão, orientou a fazer contratações em blocos.

O primeiro seria de pessoas físicas, incluindo técnicos de enfermagem, recepcionistas, vigias, etc., o que está em andamento por meio de processo seletivo.

O segundo bloco é o de pessoas jurídicas, para saber o quanto é pago por cada tipo de serviço prestado.

Um exemplo é a contratação da empresa Isma (Instituto São Miguel Arcanjo), para prestação de serviços médicos no pronto-socorro por 180 dias (seis meses), pelo valor de R$ 3,735 milhões.

A empresa, cuja sede é Araraquara, ofereceu o menor valor para escalas médicas, sendo o menor valor por plantão. Pelo contrato a empresa oferecerá dois médicos 24 horas para a Unidade Covid, que está sendo implantada no Centro Médico de Especialidades, além de quatro médicos generalistas (24 horas por dia), 1 pediatra (18 horas/dia) e 1 ortopedista (12h/dia) no pronto-socorro municipal.

A OSS Santa Casa de Birigui, por exemplo, cobrava, além dos plantões, um valor extra por “coordenação de plantão”, o que não existe.

Eram R$ 170 mil para coordenação de médicos generalistas, R$ 25 mil para a coordenação do plantão do corujão (6 horas/dia) e R$ 11 mil para coordenação do plantão da pediatria, segundo Adriana.

Outras empresas contratadas para atuar no pronto-socorro são para escala de técnicos em radiologia, imobilização ortopédica, exames laboratoriais, laudos para raio X e tomografia, e ultrassonografia.

*Matéria atualizada às 19h50 para inclusão dos valores cobrados para coordenação de plantões.

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