Ponto de Vista

Respostas ao nobre vereador do guaraná

Não estamos brincando de jornalismo, pelo contrário. Estamos cumprindo nosso papel

Aline Galcino - Coluna Pimenta*
04/06/20 às 11h45

Visivelmente enfurecido, o vereador Valdemir Frederico, o Vadão da Farmácia (PTB), usou a maior parte de seu tempo na tribuna para criticar a imprensa, a quem acusa de sensacionalismo.

Reportagem feita pelo Hojemais Araçatuba destacou projeto de lei de sua autoria, que instituía o guaraná Paulistinha como bebida típica oficial do município, entre os itens da pauta da sessão da Câmara de Birigui (SP) da última terça-feira (2).

O problema é que a iniciativa não foi bem vista pelos leitores, que imediatamente “desceram a lenha”, como diz o ditado popular, no desempenho do parlamentar.

Puxa-saco

Para o vereador, a imprensa foi a responsável por estimular a fúria do eleitorado, como se os munícipes não tivessem inteligência suficiente para saber o que é ou deixa de ser relevante para eles.

Vadão, como todos sabem, é funcionário da fábrica de guaraná, que tem como proprietário o vice-prefeito Antônio Carlos Vendrame, conhecido como Carlito Vendrame.

Nos comentários em redes sociais, o termo “puxa-saco” e seus sinônimos predominaram em virtude de tal ligação. Mas esse não foi o motivo da fúria, porque em certo momento, o vereador concordou com o adjetivo, rasgando elogios ao patrão e à empresa.

Vadão não gostou da publicidade dada a seu projeto e menos ainda da reação da população (Foto: reprodução de vídeo)

Parecer

Voltando às críticas à imprensa, foram várias. A primeira delas foi que seria obrigação dos jornalistas divulgar junto com o projeto o parecer contrário e a sua retirada.

Estranho ouvir essa alegação, já que não é a primeira e nem será a última vez que a Câmara ignora os pareceres para votar textos com interesses próprios, principalmente homenagens.

Recentemente, o Hojemais Araçatuba fez matéria mostrando o empenho de parlamentares na derrubada de parecer contrário para homenagear Pedro Piacente, pai do vereador Odair José Aparecido Piacente, o Odair da Monza (Cidadania).

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Derrubada

Lei municipal, de autoria do próprio Vadão em legislatura anterior, proíbe a homenagem antes de obra acabada. Só nessa legislatura, no entanto, foram quatro propostas aprovadas nesse sentido, só para citar as homenagens feitas a parentes de políticos.

Se os vereadores não respeitam lei que eles mesmos fizeram, a imprensa vai adivinhar que vai respeitar um parecer jurídico?

Protocolo

Em tempo ... quando a reportagem foi produzida, não havia parecer anexado no sistema da Câmara. No entanto, o protocolo mostra que teria sido emitido às 14h55 do dia anterior.

Como não podemos comprovar o horário da divulgação no site, não temos como entrar nesse ringue, até porque o Legislativo raramente responde questões desse tipo feitas pela imprensa e que podem indicar alguma falha interna.

Conhecimento

O vereador falou também que é preciso tanto a imprensa quanto a população saber o que pode ou não ser feito no exercício do cargo.

Se ele que é vereador não sabe que uma bebida industrializada não pode ser considerada típica, pois não pode ser reproduzida em casa, só para resumir o parecer jurídico, é a imprensa quem tem que estudar mais a Lei Orgânica e Regimento Interno da Casa? Não há uma inversão de papéis aí?

Diferença

Além de não poder ser feita em casa, o projeto destacaria uma marca de guaraná, produto que não foi criado pela indústria local, muito diferente do caldo de jegue, que é considerado prato típico de Birigui, por meio de iniciativa do próprio Vadão e que foi citado por ele.

Na época da aprovação, a receita do caldo de jegue foi amplamente divulgada para quem quisesse reproduzir.

Outro detalhe importante é que o prato não leva o nome da empresa ou restaurante privado. Embora todos saibam que foi criado por Manoel Marques Espedo, o Mané Simpatia, a homenagem é feita à receita em si. 

Vamos continuar

Na verdade os parlamentares já estavam se esquecendo de como é ter uma imprensa atuante e imparcial, por isso o incômodo. Não temos dúvidas de que, se não tivéssemos dado publicidade ao projeto e, mais ainda, se não fosse a opinião pública contrária, o parecer jurídico teria sido derrubado e o projeto aprovado.

E respondendo outra pergunta do vereador, não estamos brincando de jornalismo, pelo contrário. Estamos cumprindo nosso papel e adiantamos: vamos continuar.

Indústria tem linha completa de refrigerantes (Foto: Divulgação)

Vamos fiscalizar?

Em nenhum momento o texto publicado fez qualquer crítica à propositura, classificando-a como importante ou não.

O que agora, por meio desta coluna, estamos afirmando e vai ao encontro do que pensa a população, é que o atual momento exige representantes do povo atuantes, que façam ações além da redoma em que vivem. Que trabalhem para beneficiar toda a comunidade e não apenas para massagear egos.

"Como fazer um projeto relevante nessa situação?", indagou Vadão em um aparte na fala de Cesinha Pantarotto (PSD).

Simples. Não proponha. Exerça seu papel principal que é o de fiscalizar o Executivo. Papel esse que é cumprido por poucos integrantes da Casa.

Vida longa!

O guaraná Paulistinha é produzido pela indústria de bebidas Vendranelli, uma empresa que tem quase cinco décadas de fundação, gera emprego, renda e ainda leva o nome de Birigui para várias regiões do País.

Esta coluna e este veículo de comunicação reconhecem todos os méritos da empresa, que tem uma grande linha de produtos, entre refrigerantes e cervejas.

Homenagens de destaque, como a moção citada por Vadão, são mais do que justas e merecidas.

Vida longa à empresa! Vida curta à tentativa de intimidação!

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*Na coluna Pimenta são publicadas informações de bastidores da política da região de Araçatuba.

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