A dor ainda é um dos sintomas mais negligenciados na área da saúde e, muitas vezes, tratada apenas como consequência de outras doenças. Para mudar essa realidade, a médica anestesiologista e especialista em tratamento da dor, doutora Priscilla Fagundes, direcionou sua carreira ao cuidado integral de pacientes que convivem com dor aguda ou crônica.
Com trajetória construída em hospitais de referência, como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a médica iniciou a residência em anestesiologia no Hospital Sírio-Libanês. Foi nesse período que teve contato direto com a área de dor, que se tornaria seu principal campo de atuação. Desde então, aprofundou-se na especialidade com cursos, estágios e vivências práticas voltadas ao entendimento da dor como uma experiência individual e complexa.
Ao longo da carreira, também atuou no Hospital Israelita Albert Einstein, onde permaneceu até 2023, além de ter realizado fellowship em dor em Nova York. A formação em instituições de excelência consolidou a visão que hoje guia seu trabalho: a dor não é apenas um sintoma físico, mas um conjunto de fatores que envolvem corpo, emoções e história de vida do paciente.
No consultório, a especialista chama atenção principalmente para a dor crônica, ainda cercada de desinformação.
“A população tem muito pouco conhecimento sobre dor. Muitas vezes a pessoa simplifica, acha que sente dor porque trabalha demais, e essa dor vai se arrastando ao longo do tempo sem tratamento adequado”
, explica.
Quando a dor deixa de ser sintoma e vira doença
Segundo a médica, a definição de dor crônica é clara. Trata-se de uma dor que deveria se resolver em até três meses, mas persiste além desse período.
“O paciente muitas vezes diz que já se acostumou com a dor, e ela passa a ser persistente. Isso é um problema, porque a dor crônica hoje é reconhecida como uma doença e precisa ser tratada como tal”
, afirma.
Ela ressalta que a dor crônica é, inclusive, uma questão de saúde pública no Brasil, tanto no sistema público quanto no privado, onde ainda há falhas no reconhecimento e no atendimento adequado desses pacientes.
“A gente não tem formação em dor durante a faculdade. A Sociedade Brasileira de Dor tem trabalhado muito para ampliar esse conhecimento, para que a dor seja tratada o quanto antes.”
O alerta é também neurológico. De acordo com a especialista, a dor persistente provoca mudanças no próprio cérebro.
“Há estudos de neuroimagem mostrando que o córtex sofre alterações quando a dor não é tratada no tempo certo. Quanto mais tempo a pessoa convive com dor, maior o impacto na forma como o organismo passa a interpretar esse estímulo.”
O tratamento, segundo ela, é amplo e individualizado. Entre as condições acompanhadas estão dor oncológica, dores comuns na geriatria que levam à limitação funcional, dor pélvica, cefaleias, dores miofasciais, fibromialgia, síndrome dolorosa complexa regional e dores crônicas pós-operatórias.
“O consultório é bastante diversificado. Existem várias técnicas de tratamento, e a escolha depende do tipo de dor e da doença associada.”
Para a médica, o principal recado é que sentir dor por longos períodos não deve ser normalizado.
“A dor crônica precisa ter seu devido valor. Ela deve ser olhada com atenção por todos os médicos, e o paciente precisa saber que existe tratamento. Quanto antes ele buscar ajuda, menor será o sofrimento no futuro.”
SERVIÇO
A Clínica Theros Dor em Foco oferece à população da região um serviço especializado essencial para a qualidade de vida de quem convive com dor.
Endereço:
Avenida Waldir Felizola de Moraes, 888, no edifício The Tower, sala 83 - Araçatuba (SP);
Telefone:
(
18) 3175-0074 | (18) 98109-0700
Londrina:
(43) 99813-4224 | (18) 3323-9630
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