Dores de cabeça frequentes, crises de enxaqueca que não respondem ao tratamento convencional e dores intensas na região do rosto podem ter diferentes causas. Por isso, antes de definir uma estratégia de tratamento, é fundamental investigar a origem do problema. Essa é uma das etapas do trabalho da Dra. Priscilla Fagundes, especialista em dor e anestesia, com formação pelo Hospital Sírio-Libanês e pelo Hospital das Clínicas de São Paulo e especialização em dor intervencionista em New York. A médica atua na Clínica Theros, em Araçatuba.
A médica explica que a dor neuropática ocorre quando há alteração na forma como o nervo interpreta determinados estímulos.
“Ela tem uma característica de choque, de queimação. Às vezes, só de você passar levemente a mão, já acaba sentindo dor, um estímulo que não é doloroso, mas causa dor”,
explica.
Esse tipo de dor pode atingir diferentes regiões do corpo, inclusive nervos da face. Entre as condições relacionadas à dor neuropática está a neuralgia do trigêmeo, que envolve um dos principais nervos responsáveis pela sensibilidade facial e pode provocar episódios de dor intensa.
Nem toda dor de cabeça é enxaqueca
Quando o assunto é dor de cabeça, a especialista reforça que o diagnóstico precisa ser cuidadosamente avaliado. Segundo a Dra. Priscilla, existem diferentes tipos de cefaleia e, em alguns casos, o paciente pode conviver com mais de uma condição simultaneamente.
Por isso, pacientes que continuam apresentando crises mesmo com acompanhamento médico e uso de medicamentos podem precisar de novos exames.
“Muitas vezes, o paciente chega até nós com diagnóstico de enxaqueca, mas, antes de simplesmente tratar a dor, precisamos avaliar o paciente como um todo. É importante investigar se existem outros fatores associados, inclusive alterações musculoesqueléticas, que podem estar desencadeando ou mantendo as crises. Só assim conseguimos direcionar melhor o tratamento e buscar uma melhora efetiva na qualidade de vida”
, explica a médica.
A avaliação busca entender se existe outro problema associado ou algum fator que esteja desencadeando as crises.
Identificar gatilhos pode mudar o tratamento
De acordo com a médica, a enxaqueca pode estar associada a diferentes gatilhos, entre eles fatores alimentares, alterações musculares e disfunções na articulação temporomandibular.
“Muitas vezes, podemos ter a enxaqueca associada a uma cefaleia típica, mas também podemos ter uma disfunção temporomandibular que funciona como gatilho para a enxaqueca”
, explica
Nesses casos, controlar apenas os sintomas pode não ser suficiente. É necessário identificar e tratar o fator que está contribuindo para desencadear as crises.
“Quando existe uma disfunção na articulação temporomandibular que funciona como gatilho para a enxaqueca, tratar essa alteração pode ajudar a eliminar esse fator desencadeante e melhorar o controle das crises”
, explica a especialista.
Bloqueios sobre gatilhos da dor
Outra possibilidade dentro da abordagem intervencionista são os bloqueios de nervos periféricos. A técnica pode ser indicada quando a avaliação identifica o envolvimento de determinados nervos no desencadeamento ou na manutenção da dor.
“Em alguns casos, fazemos o bloqueio do nervo occipital, guiado por ultrassom, para atuar sobre um dos possíveis gatilhos da enxaqueca. Com isso, o paciente pode apresentar uma melhora importante das crises e, dependendo do caso, até reduzir a necessidade de medicação profilática”
, explica Dra. Priscilla.
A abordagem também pode envolver estruturas musculares e a região da mandíbula, especialmente quando essas alterações estão relacionadas às crises.
“Na clínica, trabalhamos com bloqueios dos nervos periféricos associados à enxaqueca e também com o tratamento da articulação temporomandibular e da hipermobilidade mandibular. Além disso, avaliamos alterações musculares, como as disfunções no trapézio e na musculatura do pescoço, que também podem estar relacionadas à enxaqueca”
, detalha.
A proposta, segundo a especialista, é identificar os fatores que contribuem para as crises e atuar sobre eles, associando as técnicas intervencionistas ao tratamento medicamentoso quando necessário.
Dor neuropática exige atenção
Além das dores de cabeça, a especialista chama atenção para as dores neuropáticas provocadas por diferentes causas. Ela explica que o diagnóstico e o tratamento precoce podem ser importantes para evitar a evolução da dor para um quadro persistente.
Um exemplo é o herpes-zóster, infecção que pode provocar inflamação dos nervos. Segundo a médica, quando a dor não é controlada adequadamente ainda na fase inicial da doença, o quadro pode evoluir para uma dor neuropática persistente.
“É muito importante entender que, quando o paciente recebe o diagnóstico de herpes-zóster e está com a dor descontrolada, é preciso procurar ajuda. É uma dor muito intensa, que pode provocar sensação de choque e limitar atividades do dia a dia”
, alerta.
Avaliação individualizada
O trabalho do especialista em dor começa, segundo a Dra. Priscilla, com uma avaliação detalhada do paciente e a confirmação do diagnóstico. A partir dessa investigação, são definidas as estratégias mais adequadas para cada caso, que podem incluir medicamentos, técnicas manuais e procedimentos intervencionistas
. “Quando um paciente chega à clínica com enxaqueca, cefaleia ou dor de cabeça, o primeiro passo é voltar à escala zero e investigar novamente. Antes de tratar, precisamos ter certeza de que esse é realmente o diagnóstico e entender o que está causando ou mantendo essa dor”
, reforça.
SERVIÇO
A Clínica Theros Dor em Foco oferece à população da região um serviço especializado essencial para a qualidade de vida de quem convive com dor.
Especialista em dor e anestesia, Dra. Priscilla Fagundes realizou formação no Hospital Sírio-Libanês e no Hospital das Clínicas de São Paulo, além de especialização em dor intervencionista em New York.
Para pacientes que convivem com dores recorrentes, intensas ou que não apresentam melhora com o tratamento realizado, a recomendação é buscar avaliação médica para investigar a causa e definir a conduta mais adequada para cada caso.
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