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Canoagem: mais do que uma atividade, um estilo de vida 

A bordo de uma canoa canadense, Daniel Barbosa Guizelini, de Araçatuba, já conheceu a maioria dos rios da região

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
04/07/21 às 17h00
(Foto: Divulgação)

Do interesse pelos rios, que vem desde a época em que seu pai o levava para esses locais, surgiu o gosto pela canoagem. Aos 36 anos, o arte finalista Daniel Barbosa Guizelini, de Araçatuba (SP), encontra nessa prática mais do que uma atividade, um estilo de vida. 

Embora na região a canoagem ainda seja pouco conhecida e explorada, tem conquistado adeptos, que buscam unir natureza, qualidade de vida e atividade física. Afinal de contas, Araçatuba está situada numa área fluvial rica.  

Para abordar o potencial regional desse tipo de atividade e algumas curiosidades sobre o assunto, Guizelini participa do vídeo de estreia,  que já está no ar, do projeto Limoeiro 2k21, neste domingo (4), no canal no Youtube da Aruê! Arte, Cultura e Holismo, de Araçatuba. 

O Hojemais Araçatuba irá mostrar algumas das atrações que compõem a grade de programação da iniciativa, a partir de hoje, com publicações aos domingos, com foco nos trabalhos e histórias de artistas, arte-educadores, agentes culturais e articuladores do município ( veja mais sobre o projeto e programação no final do texto ). 

Colocando as habilidades em prática

Há cerca de 10 anos, Daniel começou algumas incursões em rios usando um caiaque. Conforme ia se identificando com a atividade, percebeu que para as expedições mais demoradas, a embarcação não era a ideal. Assim, descobriu as canoas canadenses, próprias para rotas mais longas. 

Buscou informações em fóruns na internet e decidiu colocar suas habilidades em desenho industrial e marcenaria em prática. Deu certo! Daniel construiu uma canoa havaiana e depois partiu para a canoa canadense.

“A canoa canadense, pra mim, ficou um pouco acima do esporte, do lazer. Tem todo um estilo de vida envolvido. A canoa traz uma conexão ancestral muito forte. E esse fator é determinante pra mim, além de outras questões técnicas”. 

(Foto: Divulgação)

Diferenças da canoa canadense 

Mas o que é uma canoa canadense? Você já viu uma? Esse tipo de embarcação tem características muito próprias, que a difere das demais. Se tornou popular, após a expansão, no Canadá, do comércio de pele de animais. As canoas dos nativos eram usadas pelos mercadores para fazer o transporte do material. 

Devido às suas dimensões, passava em canais estreitos de água, e como a canoa não fica muito submersa na água, é navegável em trechos rasos. Após ser utilizada no transporte de peles, a embarcação foi incorporada na cultura do Canadá como lazer. 

Além de ser construída com madeira, há também modelos feitos em fibra de vidro. A eficiência entre elas pode ser quase igual. Uma canoa canadense também é mais indicada para incursões que duram alguns dias, pois podem levar de 250 a 300 quilos. Ou seja, comporta o canoeiro, mantimentos, barraca, entre outros objetos necessários para expedições longas. 

Expedições 

O canoísta, que realiza suas expedições sozinho ou acompanhado - pela família e até mesmo pelo cachorro de estimação - já remou na maioria dos rios da região. Um dos exemplos é o ribeirão Baguaçu, que passa por dentro de Araçatuba e desagua no rio Tietê. 

“Tenho a impressão de que as pessoas veem o Baguaçu como um canal de lixo, de esgoto. Eu o vejo como uma ligação com os povos antigos daqui, com os caingangues, que subsistiram do rio”. Mesmo com todas as dificuldades do percurso – o ribeirão tem trechos obstruídos por árvores e se divide em dois, formando labirintos -, conseguiu fazer o trecho até o rio Tietê em dois dias, mas com um cronograma bem apertado. 

“Um pessoal que conhece a região disse que era impossível, que a gente não ia chegar lá, porque o rio é obstruído por uma série de árvores, tem trechos que ele praticamente entra embaixo da vegetação e sai do outro lado. A gente subestimou um pouco o grau de dificuldade. Imaginava fazer o trecho em dois dias com folga; nós fizemos em dois dias, porém chegamos às 23h no Tietê”. 

Segundo o canoísta, em um raio de 100 quilômetros partindo de Araçatuba, há outros rios possíveis de praticar canoagem, como o próprio Tietê, o rio Aguapeí, conhecido como rio Feio. 

Um sonho possível 

O sonho de Daniel, que poderá se tornar realidade no ano que vem, é remar em toda extensão do rio Feio, desde quando nasce na região de Bauru até chegar no rio Paraná, divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul. 

“Ele é um rio muito interessante, corre em uma calha vulcânica, num leito de rocha. Quando ele desemboca no rio Paraná, forma um bioma muito interessante no Estado de São Paulo, que é chamado de minipantanal paulista”. 

Para a expedição, Daniel contará com a companhia do canoísta referência na área, Nilton Zerlin, de Barra Bonita, já que o percurso pelo rio Feio é considerado de alta periculosidade, com pontos que não são navegáveis. Serão mais de 400 quilômetros de distância, que eles pretendem fazer em torno de 15 a 20 dias, remando durante o dia todo e pausando à noite para descansar e recomeçar no dia seguinte

(Foto: Divulgação)

A canoa no Brasil e na região

Daniel comenta que no Brasil a prática de canoagem não é comum, além da cultura dos ribeirinhos. Em outros países, a realidade já é diferente. Na região, especificamente, o que impera é a atividade de barco a motor. 

“Muita gente me vê na água. Às vezes, a pessoa está pescando com um barco motorizado e me pergunta se eu quero ajuda, se preciso de reboque. São maneiras de ver as coisas. Eu acho engraçado, porque pra mim o que importa é a atividade, não chegar ao destino; é o caminho que importa. Você está na água, não emite ruído, isso permite que você veja um passarinho de perto, um jacaré, uma cobra. Quando você está num barco a motor, é como se desconectasse daquele sistema, você está se sobrepondo a ele. Na canoa, você faz parte do sistema”. 

Construção artesanal

Além de remar, Daniel constrói algumas canoas por encomenda, de forma artesanal e nas horas vagas. Na sua casa, um galpão com aparatos de marcenaria foi providenciado para essa atividade. Ele comenta que até setembro, sua agenda está fechada com pedidos. 

A maioria dos seus clientes é de outras cidades, inclusive de outros estados, que procura o trabalho de Daniel por ser totalmente artesanal. De acordo com ele, a demanda pela embarcação tem aumentado, principalmente na pandemia, onde as pessoas têm optado por atividades ao ar livre.

“A pandemia trouxe à tona essa possibilidade de fazer um esporte na natureza. É uma questão de tempo para aparecer mais gente interessada”. 

Segundo Daniel, ele é o primeiro na América do Sul a construir uma canoa artesanal, usando a técnica Tortured Plywood, que aprendeu com um especialista austríaco. A tradução literal do termo é “madeira torturada”, porém, nessa construção, a madeira é curvada, feita com vincos. Ele utiliza madeira laminada, cola naval, que é a prova d´água, e uma resina potente, a mesma utiliza em pranchas de surfe. 

Limoeiro inicia nova programação neste domingo

(Foto: Divulgação)

Após a primeira temporada lançada no ano passado, o ambiente cultural on-line Limoeiro, ganha nova versão, a 2k21 (2021). A estreia acontece neste domingo (4), com o vídeo de Daniel Guizelini. Às 20h, tem o documentário "Biodanza: reflexões sobre o tempo hoje", com Valu Ribeiro e Fernando Bonvino. 

Nesta segunda-feira (5), a programação segue com vídeo às 16h, com o tema "Comunicação Carismática na Conexão com as Pessoas", com a jornaloista e professora Ágatha Urzedo. Às 20h, Alonso Pafyeze traz o documentário "Repertórios Visuais" ( veja abaixo a programação da semana ). 

Todos os vídeos serão disponbilizados gratuitamente, na plataforma da Aruê! Arte, Cultura e Holismo, de Araçatuba. Para acompanhar toda a programação, acesse a fanpage da Aruê! no Facebook .

Nesta segunda temporada, o Limoeiro traz atividades com conteúdos que abrangem diferentes segmentos culturais, com o objetivo de "compartilhar os fazeres e procedimentos integrados às práticas artísticas e formativas, contribuindo, desta forma, para a construção de repertório de prática criativa e o adensamento do pensamento crítico contemporâneo. E essa chamada vem ampliar esse, que é um dos principais objetivos do projeto", explica o produtor cultural e responsável pela Aruê!, Rafael Batista. 

O projeto é realizado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, por meio do ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. 

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