Um ano após transplante, jovem pedida em casamento em hospital conta experiência 

A enfermeira Camila Donato Innocêncio foi pedida em casamento quando estava internada e sua história comoveu a região

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
23/02/20 às 17h30
Transplante de Camila aconteceu em Jaú, no dia 21 de fevereiro de 2019 (Foto: Arquivo Pessoal)

A enfermeira Camila Donato Innocêncio, de 29 anos, moradora de Mirandópolis (SP), faz aniversário em agosto, mas a partir do ano passado, ganhou mais uma data para comemorar sua vida. Há um ano, mais precisamente no dia 21 de fevereiro de 2019, a jovem recebeu o transplante de medula óssea, em decorrência de uma leucemia.

Em 2018, Camila ficou conhecida na região quando foi pedida em casamento pelo marido, o engenheiro mecânico Wagner Francisco Rezende Cano, no hospital da Unimed Araçatuba. Comovida com o casal, a equipe médica preparou um jantar romântico para comemorar o noivado, com direito a música ambiente, decoração especial com fotos do casal e até aromatizadores.

A ação emocionou moradores da região e menos de dois anos depois do diagnóstico, a leucemia ganha outro tom na vida de Camila, o da vitória. E por falar em tom, desde o ano passado, por meio da lei 17.207, de 2019, o combate à doença ganhou uma cor, a laranja. A campanha Fevereiro Laranja alerta sobre a importância da doação de medula óssea e combate à leucemia.

Camila contou para a reportagem do Hojemais Araçatuba sobre a experiência de ter passado pela doença e como está retomando sua rotina agora, depois do transplante.

Incentivo

De acordo com a enfermeira, o diagnóstico da doença veio quando estava prestes a completar 28 anos, no dia 23 de agosto de 2018. Na época, ela suspeitava que estava com leucemia pelas  alterações em seu hemograma.

“Fiquei muito aterrorizada no momento. Pensei várias vezes em desistir, nem começar o tratamento. Quando eu soube que a minha leucemia iria precisar de transplante de medula óssea, fiquei apavorada. Eu sou da área da saúde e sei o quão difícil é você encontrar alguém 100% compatível no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea); é uma chance em 100 mil”, disse.

A enfermeira conta que recebeu muito apoio dos pais, irmã, do marido e amigos, além do suporte da equipe médica, que Camila destaca como fundamental.

Tratamento

A jovem não sabe quantos dias ficou internada para tratamento no hospital, mas conta que passou por dois ciclos de quimioterapia para exterminar a leucemia. Mas mesmo assim, Camila precisaria de um transplante. Sua irmã era 50% compatível, portanto, os médicos decidiram continuar a busca por um doador, até encontrarem no Redome alguém com compatibilidade de 100%.

Para Camila, a divulgação da sua história na imprensa ajudou a encontrar um doador, pois muitas pessoas foram se cadastrar. “Inclusive, pessoas que tinham a intenção de ser meus doadores, já foram chamadas para testes para outros casos”.

Camila foi transferida para Jaú (SP) em fevereiro e foi submetida a um ciclo de quimioterapia mais agressivo, antes de receber as células-troncos da medula óssea do doador por meio de infusão na veia. O procedimento, que é relativamente simples, foi realizado no dia 21, mas foi em 10 de março aconteceu a enxertia medular (“pega” da medula).

É nesse momento que as taxas leucocitárias aumentam, significando que a medula já está instalada e funcionando.

Voltando aos poucos

Depois do procedimento, precisou ficar oito meses morando em Jaú, em uma quitinete, com sua mãe, devido a algumas complicações que teve. “Um transplante é diferente do outro. O que pode complicar é o pós-transplante. A imunidade fica comprometida. O sistema imunológico fica fragilizado”, afirma.

No início, após o procedimento, ela não podia comer verduras cruas e nem frutas com casca fina, como uva. Bebida alcóolica e comida japonesa, por exemplo, não podem ser consumidos até hoje. Atividades físicas foram liberadas recentemente pelos médicos e em locais de aglomeração, tem que usar máscara.

“O sistema perde toda a memória dos anticorpos. Tive que me revacinar agora. A vida está voltando aos poucos, mas ainda não posso voltar a trabalhar”.

Nada é problema

Camila voltou a morar em Mirandópolis no final de outubro de 2019 e a próxima parada deve ser em Campinas, que é a cidade onde o marido mora. Eles, que já tinham uma união estável antes da doença, pretendem morar juntos ainda neste ano.

“Sempre fui uma pessoa grata, mas hoje em dia eu sou muito mais. Sou grata por cada respiração, a cada copo de água que eu tomo, a cada acordar, a cada despertar, por estar na minha casa. Coisas corriqueiras, que a gente não dava tanta atenção, agora consigo dar. Estou até mais calma; antes, pra mim, tudo era problema, hoje em dia nada é problema”, finaliza.

Hemocentro cadastrou 1.710 pessoas em 2019

O Hemocentro de Araçatuba (SP) realizou, somente em 2019, 1.710 cadastros de pessoas doadoras de medula óssea, que integram o Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea).

De acordo com a agente de captação de doadores de sangue, Aline Durante, os números de cadastrados no hemocentro têm aumentado, principalmente pela divulgação dos casos de pessoas, incluindo crianças, com leucemia de Araçatuba e região.

“Uma vez que o cadastro é feito, fica até completar 60 anos de idade”, conta Aline, que destaca que o procedimento é bastante simples e é retirado apenas um tubo de sangue para o cadastro. Para ser doador de medula, é preciso ter entre 18 a 54 anos e não ter doença transmissível pelo sangue.

O hemocentro funciona na avenida Arthur Ferreira da Costa, 330, bairro Aviação, em Araçatuba. O horário de funcionamento é de segunda, das 8h às 19h, de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 7h às 11h. Em feriados, é necessário consultar os horários. O telefone de atendimento é (18) 2102-9400.

Casos

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), foram registrados 10.810 novos casos de leucemia no Brasil, sendo 5.920 de diagnósticos em homens e 4.890 em mulheres. As informações foram divulgadas pelo instituto no início deste mês.

A leucemia é uma doença maligna que atinge os glóbulos brancos, onde as células doentes ficam acumuladas na medula óssea e passam a substituir as saudáveis na corrente sanguínea, segundo o Inca. Existem 12 tipos diferentes de leucemia. Entre os sintomas, estão a anemia, falta de ar e dor de cabeça.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
  22/05/26 às 12h24
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.