A presença de animais de grande porte soltos nas ruas de Três Lagoas preocupa moradores e pode representar riscos para o trânsito, para a população e para os próprios animais. Cavalos, bovinos, caprinos e ovinos estão entre os animais encontrados em vias públicas e que podem ser recolhidos pelas equipes da Prefeitura.
Em entrevista, a médica veterinária Marília Garbelotto , da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio, explicou como funciona o atendimento às ocorrências, os principais riscos e a importância da responsabilidade dos tutores.
Denúncias ajudam na localização dos animais
De acordo com Marília, o trabalho da Secretaria começa a partir das denúncias feitas pelos moradores. Os chamados chegam por meio do WhatsApp ou por telefone da Secretaria e do Departamento de Agronegócio.
“Esses animais são de grande porte, grande e média porte, cavalo, boi, caprino, ovino. A gente faz essa apreensão através de denúncias”, explicou.
Após receber a informação, uma equipe é deslocada até o endereço indicado.
“Chegou uma denúncia para a gente, a gente desloca uma equipe, a gente tem um trailer, a nossa equipe vai até o local para fazer esse atendimento.”
Inicialmente, os servidores procuram localizar o tutor. Quando isso não é possível, o animal é apreendido e encaminhado para um espaço específico da Prefeitura.
“A gente tem um local específico da Prefeitura para estar levando esses animais, onde vai ter atendimento veterinário, vai ter alimentação adequada, pasto, tudo certinho para eles.”
Animais soltos podem provocar acidentes
Entre os animais encontrados nas ruas, os cavalos estão entre os casos que mais exigem atenção, segundo a veterinária. O comportamento do animal pode mudar diante de barulhos, buzinas ou da aproximação de veículos.
“Ele vai assustar com uma moto, ele vai assustar com barulho, com uma buzina. E esse animal, ele pode vir por cima do carro, por cima da moto.”
Marília contou que já acompanhou uma ocorrência em uma das principais avenidas de Três Lagoas, no início da manhã, quando um cavalo corria no sentido contrário ao fluxo dos veículos.
“Ele estava correndo numa avenida, uma das avenidas principais aqui da cidade, e esse cavalo, ele corria contra o trânsito.”
Segundo ela, o animal estava bastante assustado.
“O trânsito estava vindo pra cá, o cavalo estava correndo pra lá. Assustadíssimo, estava até suado.”
A situação, conforme a veterinária, poderia ter provocado uma colisão grave.
“Ele pode bater num carro, pode bater numa bicicleta, pode bater numa moto e aí pode acontecer um acidente bem grave.”
Ocorrências acontecem em diferentes bairros
A Secretaria recebe denúncias de diversas regiões de Três Lagoas. Marília cita alguns bairros onde as equipes já registraram maior número de ocorrências.
“A gente pega bastante no Jupiá, a gente pega bastante no Nova Três Lagoas, a gente já pegou bastante. Na região da Urias Ribeiro também.”
Apesar desses locais concentrarem algumas ocorrências, o problema não está restrito a determinadas regiões.
“Só que tem pela cidade inteira. Em todos os bairros da cidade a gente recebe denúncias.”
Como o tutor é identificado?
A experiência dos profissionais que atuam no atendimento também contribui para identificar os responsáveis pelos animais.
“A nossa equipe, como ela já tem bastante tempo que tem contato com os munícipes, com os animais, às vezes a gente olha pro animal e a gente já sabe, é de tal pessoa, é de tal pessoa. A gente vai acostumando.”
No caso dos bovinos, a identificação também pode ser feita por meio da marca do animal e de informações obtidas com moradores.
“A gente vê a marca, a gente tenta fazer aquela pesquisa na região, com os moradores.”
Quando o responsável é localizado, a equipe realiza a notificação. Marília também explica que situações envolvendo maus-tratos recebem tratamento diferente.
“Caso ele não cumpra, é gerada uma multa pra ele.”
E, nos casos de maus-tratos:
“Em casos de maus-tratos, a gente não devolve o animal pra essa pessoa. A gente recolheu, a tutela é sempre da Prefeitura.”
Local adequado evita fugas
Para a veterinária, a prevenção começa antes mesmo de o animal ser adquirido. O tutor precisa ter um espaço adequado para garantir o bem-estar do animal.
“Se a pessoa tem um animal de grande porte, ela precisa, antes de adquirir esse animal, ter um local adequado pra ele.”
Esse espaço deve oferecer condições básicas, como alimentação, água e proteção do sol.
“Um local adequado pra um animal de grande porte é onde tenha pasto, água, sombra.”
Marília também chama atenção para a necessidade de manutenção das cercas, principalmente em propriedades próximas à área urbana.
“A gente encontra em vários lugares que o animal fugiu porque a cerca estava estragada.”
Segundo ela, manter animais de grande porte em áreas urbanas não é indicado.
“O principal é não deixar o animal em zona urbana mesmo, porque não é o indicado pra esse animal.”
Moradores devem comunicar a Prefeitura
Ao encontrar um animal de grande porte solto em uma rua ou avenida, a orientação é comunicar a Secretaria para que uma equipe possa realizar o atendimento.
“Aos moradores, pra estar entrando em contato com a gente. Recebeu alguma informação, viu, pode estar enviando pra gente.”
A veterinária reforça que a rapidez na comunicação pode ajudar a evitar acidentes.
“A gente vai deslocar uma equipe até esse local. Antes que aconteça alguma coisa, a gente faz o possível pra ir o quanto antes.”
Aos proprietários, a recomendação é buscar locais adequados para manter os animais, garantindo condições de segurança e bem-estar.
“Pros tutores desses animais, pra evitarem de estar deixando esses animais em zona urbana, encontrar um local adequado pro bem-estar do animal.”
Marília destaca ainda que o ambiente deve permitir que o animal tenha acesso às condições necessárias para viver adequadamente.
“Pra o animal ter esse instinto de correr, de passar, de ter uma árvore, uma sombrinha pra ele, que é o que ele necessita pra viver bem.”
