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Arcebispo de Aparecida pede paz, desarmamento e combate à fome no Dia da Padroeira

Durante missa solene em 12 de outubro, dom Mário Antônio da Silva defendeu atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade e criticou o ódio contra quem pensa diferente.

Da Redação
12/10/26 às 16h57
© a12.com/santuario

O combate à fome e à pobreza, a defesa do desarmamento e a construção da paz estiveram entre os principais temas da missa solene em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, celebrada nesta segunda-feira (12), na Catedral Basílica de Aparecida, no interior de São Paulo.

A cerimônia foi conduzida pelo arcebispo metropolitano de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, durante as comemorações do Dia da Padroeira do Brasil. O sermão ocorreu na missa das 9h, que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Durante a homilia, o religioso afirmou que a fé deve estar acompanhada de atenção às dificuldades enfrentadas pela população, incluindo a fome, a violência, a solidão e o abandono de pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Quem escuta Deus não pode ficar indiferente diante da fome, da pobreza, da violência, da solidão”, declarou o arcebispo. Ele também mencionou famílias e crianças feridas, jovens sem esperança, idosos abandonados, guerras e destruição da natureza entre os problemas que afetam o Brasil e o mundo.

Dom Mário defende desarmamento e condena o ódio

Em outro momento da celebração, dom Mário reforçou o apelo pela paz e criticou os conflitos alimentados pelo uso de armas e pela intolerância.

Ao mencionar os ensinamentos do papa Leão XIV, o arcebispo defendeu uma paz que não dependa do armamento e afirmou que o Evangelho não autoriza a hostilidade contra pessoas que tenham opiniões diferentes.

“Mas muitas vezes alimentamos divisões com armamentos, com guerras e tantos confrontos entre nós. O evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, e nem a matar os inimigos”, afirmou.

Arcebispo comenta debate sobre o título de padroeira do Brasil

Após a missa, durante entrevista coletiva, dom Mário foi questionado sobre a possibilidade de Nossa Senhora Aparecida perder o título de Padroeira do Brasil.

A pergunta ocorreu em meio a uma polêmica iniciada no mês anterior, após a circulação de informações de que grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro teriam manifestado oposição ao título nacional atribuído à santa. O candidato do PL, entretanto, negou a intenção de retirar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país.

O arcebispo afirmou não temer que Maria perca a importância que possui para os brasileiros. Ele lembrou que o título foi concedido pelo papa em 1930 e proclamado oficialmente no Brasil em 31 de maio de 1931, quando o Rio de Janeiro era a capital federal.

Dom Mário reconheceu a existência de movimentações políticas favoráveis e contrárias ao tema, mas disse que não pretende fazer previsões sobre possíveis mudanças nos próximos anos. Segundo ele, não cabe criar cenários que provoquem preocupação diante da celebração vivida pelos fiéis.

Santuário de Aparecida deve receber 150 mil pessoas

As homenagens a Nossa Senhora Aparecida também foram marcadas pela presença de milhares de romeiros no Santuário Nacional, localizado no Vale do Paraíba, em São Paulo.

Estimativas da administração do santuário apontavam que aproximadamente 150 mil pessoas deveriam passar pelo local nesta segunda-feira (12). Durante a novena de Nossa Senhora Aparecida, iniciada dez dias antes e encerrada no domingo (11), cerca de 500 mil pessoas estiveram no santuário.

A missa solene das 9h foi a celebração mais procurada pelos romeiros e lotou a basílica. Mesmo durante a cerimônia, devotos formaram uma longa fila para passar diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida, posicionada sobre uma passarela.

Romeiros percorrem longas distâncias para agradecer

Entre os peregrinos estava Anderson Roberto Mendes da Costa, de 47 anos, que saiu a pé da zona leste de São Paulo e percorreu 172 quilômetros até Aparecida. A caminhada durou cinco dias e foi marcada por dificuldades climáticas e problemas de saúde entre alguns participantes.

Ele relatou que o grupo enfrentou chuva acompanhada de vento, granizo e um dia de calor intenso. Também houve casos de insolação e infecção intestinal durante o percurso. Apesar dos obstáculos e das dores, Anderson afirmou que os peregrinos conseguiram chegar bem e se sentiram realizados pelas bênçãos recebidas.

Outra devota presente foi Rosemeire Alves Araújo Vieira, de 59 anos, que viajou de Belo Horizonte, em Minas Gerais, por meio de uma excursão. Ela contou que foi ao santuário para agradecer e pedir uma bênção especial para o Brasil, especialmente diante do período eleitoral.

“Vim agradecer e pedir benção para o nosso país, para o momento em que nós estamos vivendo, com essas eleições. Vim de Belo Horizonte e estar aqui é uma emoção muito grande”, afirmou.

As celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida reuniram manifestações de fé e pedidos por paz, solidariedade e atenção aos problemas sociais enfrentados pela população brasileira.

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