Famílias que compartilham fotos de crianças e adolescentes nas redes sociais estão sendo alvo de uma nova modalidade de fraude digital. Criminosos passaram a utilizar indevidamente o nome do ECA Digital (Estatuto da Criança e do Adolescente Digital) para enviar falsas notificações, acusar responsáveis de supostas irregularidades e exigir pagamentos urgentes por meio de Pix para evitar processos judiciais.
Apesar dos relatos registrados em diferentes regiões do país, ainda não há confirmação de casos do chamado “golpe do ECA Digital” em Mato Grosso do Sul .
A fraude ganhou atenção após um levantamento da Certta e da Nexus , que identificou criminosos explorando a preocupação dos pais e responsáveis com novas regras de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
A estratégia dos golpistas consiste em criar uma situação de medo e urgência, aproveitando a falta de informação sobre a legislação para convencer as vítimas de que precisam pagar valores imediatamente para evitar punições.
Golpistas usam informações das redes sociais das vítimas
Segundo o estudo Mapa de Confiança Digital , que analisou conteúdos publicados entre janeiro e julho de 2026 nas plataformas X, Facebook, Instagram e no fórum Reddit, foram encontradas aproximadamente mil menções espontâneas relacionadas aos temas “Menores de Idade e ECA Digital” .
As discussões identificadas pelos pesquisadores se concentram principalmente em dois grupos: pessoas interessadas em entender formas de proteção e fiscalização de crianças e adolescentes na internet e usuários que relataram tentativas de golpe utilizando o nome da legislação.
Na prática, os criminosos entram em contato com os responsáveis alegando que imagens publicadas dos filhos estariam violando normas de proteção de menores. Em seguida, apresentam supostas multas e ameaçam medidas judiciais caso o pagamento não seja realizado.
Para tornar a abordagem mais convincente, os golpistas utilizam informações disponíveis publicamente nas próprias redes sociais das vítimas, como nome da criança, escola, locais frequentados e dados de familiares.
“Em momentos de mudança, como a implementação de novas regras de proteção no ambiente digital, os criminosos encontram oportunidades para explorar dúvidas e vulnerabilidades. Por isso, entender como essas fraudes surgem e se aproximam do cotidiano das pessoas é fundamental para antecipar riscos, orientar os usuários e fortalecer a proteção ao longo de toda a jornada”, afirmou Roberto Ferlis, vice-presidente de Legal e Compliance da Certta.
ECA Digital não prevê cobrança de multas por mensagem
A tentativa de fraude também foi identificada pela SaferNet Brasil , organização que acompanha crimes e violações de direitos no ambiente digital.
Segundo a entidade, criminosos já utilizaram estratégias semelhantes, acusando famílias de acessar conteúdos inadequados e cobrando uma suposta regularização por meio de transferências via Pix.
A orientação é que responsáveis desconfiem de qualquer mensagem recebida por redes sociais ou aplicativos de conversa envolvendo cobranças relacionadas ao ECA Digital.
“A lei existe. A multa para famílias, não. As novas regras valem para plataformas digitais: nenhum órgão monitora sua rede doméstica nem envia cobrança pelo que é acessado em casa”, informou a SaferNet em publicação nas redes sociais.
Exposição de crianças na internet aumenta riscos
O estudo da Nexus analisou dados coletados entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026 , reunindo mais de 60 mil menções em redes sociais , com cerca de 44 milhões de interações , além de pesquisas realizadas em mecanismos de busca como Google e Bing e debates no Reddit.
Especialistas alertam que o excesso de informações compartilhadas na internet pode facilitar a atuação de criminosos. Fotos de crianças, uniformes escolares, locais de atividades e detalhes da rotina podem ser utilizados para criar abordagens falsas mais próximas da realidade das famílias.
A recomendação é evitar publicar informações que permitam identificar a rotina de crianças e adolescentes, não realizar pagamentos diante de ameaças recebidas por mensagens e sempre buscar confirmação diretamente em canais oficiais.
Em caso de tentativa de golpe, a orientação é registrar a ocorrência e guardar provas, como capturas de tela das mensagens, números de telefone utilizados e demais informações relacionadas ao contato dos criminosos.
