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Governo pede bloqueio de 5.209 sites de apostas irregulares no Brasil

Medida ocorre após publicação de MP que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa

Da Redação
30/09/26 às 09h14
(Foto: depositphotos.com / REDPIXEL)

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério da Fazenda intensificaram as ações contra a oferta de apostas irregulares no ambiente digital. Até esta terça-feira (29), foi solicitada a derrubada de 5.209 domínios relacionados à exploração de apostas, segundo balanço divulgado pelos órgãos.

Do total, 1.386 domínios foram indicados pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi/MJSP) e 3.823 pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda). A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por sua vez, já havia determinado a derrubada de 2.387 desses domínios.

As medidas fazem parte da implementação da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro. O texto proibiu, em território nacional, a exploração, oferta, intermediação e publicidade de loterias de apostas de quota fixa, tanto em meio físico quanto virtual.

Sites, aplicativos e redes sociais são alvo das medidas

O prazo para retirada de publicidades e plataformas irregulares do ar termina em 5 de outubro. No dia seguinte, 6 de outubro, as lojas de aplicativos deverão retirar de circulação os 186 aplicativos notificados.

Entre as empresas e plataformas notificadas estão Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord, que receberam prazo para retirar publicidades e conteúdos relacionados às apostas irregulares, conforme a situação de cada plataforma.

A ação também alcançou as redes sociais. Foram removidas 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram utilizados para divulgar, promover ou facilitar o acesso às apostas consideradas irregulares.

O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do MJSP, também iniciou ações voltadas à remoção de conteúdos relacionados à divulgação dessas apostas no TikTok.

No Telegram, o balanço apresentado pelo governo aponta que 1.014.722 membros e usuários de canais, grupos e perfis relacionados a bets ilegais foram alcançados.

MP prevê regras para devolução de valores

A MP nº 1.394/2026 também estabelece regras para a devolução dos valores aos apostadores.

Apostas que estejam em aberto e sem resultado apurado até dez dias após a publicação da medida deverão ser anuladas, com devolução integral do valor. Já os prêmios de apostas cujo resultado tenha sido apurado dentro do período deverão ser pagos normalmente.

Após a retirada das plataformas, as empresas terão dois dias para informar às instituições financeiras, por CPF, os valores a serem devolvidos e garantir os recursos necessários para as restituições.

Os bancos e demais instituições de pagamento terão sete dias para realizar as transferências aos apostadores.

Polícia Federal investiga apostas ilegais

A Polícia Federal também mantém investigações relacionadas a crimes envolvendo o mercado de apostas, incluindo apurações sobre organizações criminosas e patrimônio associado às atividades ilegais.

De acordo com o balanço divulgado pelo governo, entre março de 2023 e agosto de 2026, foram realizadas 12 operações em diferentes estados e no Distrito Federal.

No período, foram expedidos pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão. Os pedidos de sequestro de bens e recursos registrados nas operações somam aproximadamente R$ 4,17 bilhões.

Entre as operações citadas estão Narco Bet, Dark Bet, Dark Bet II, Véu de Maia, Última Aposta e Arena, voltadas ao combate a organizações criminosas relacionadas às apostas ilegais, lavagem de dinheiro e outros crimes associados ao setor.

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