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Nobel de Química 2026: cientistas são premiados por descoberta que ajuda a criar medicamentos mais precisos

Henri Kagan e Kenso Soai foram reconhecidos por pesquisas sobre moléculas que existem em versões “espelhadas” e podem ter efeitos diferentes no organismo.

Da redação - Hojemais Três Lagoas
07/10/26 às 10h11
O francês Henri Kagan e o japonês Kenso Soai, vencedores do Nobel de Química de 2026. — Foto: JONATHAN NACKSTRAND/AFP

Uma descoberta que parece saída de um filme de ficção científica acaba de conquistar o Nobel de Química 2026 .

Os cientistas Henri Kagan, francês de 95 anos, e Kenso Soai, japonês de 76 , foram reconhecidos por seus trabalhos com moléculas que podem existir em duas versões semelhantes às mãos direita e esquerda: imagens espelhadas que, apesar de parecerem iguais, não podem ser perfeitamente sobrepostas.

O fenômeno é conhecido como quiralidade e tem enorme importância para a medicina e para a indústria farmacêutica. Isso acontece porque duas versões espelhadas de uma mesma molécula podem interagir de maneiras diferentes com o organismo.

Em outras palavras: uma molécula pode ser “canhota” ou “destra” — e essa diferença pode mudar completamente seu efeito.

Por que isso importa para os medicamentos?

O trabalho reconhecido pelo Nobel ajudou os cientistas a desenvolver maneiras de fazer uma reação química produzir preferencialmente uma determinada versão de uma molécula.

Esse controle é especialmente importante na fabricação de medicamentos, já que diferentes formas de uma mesma substância podem apresentar comportamentos distintos no organismo.

Segundo o comitê do Nobel, os pesquisadores forneceram ferramentas importantes para que químicos consigam selecionar a forma molecular desejada durante determinadas reações.

A importância desse tipo de conhecimento ficou evidente em episódios históricos da farmacologia, como o caso da talidomida , medicamento associado a graves malformações em bebês durante a década de 1960. A compreensão posterior da estrutura espacial das moléculas ajudou a demonstrar como diferentes formas moleculares podem produzir efeitos muito distintos.

Uma pergunta que intrigava a ciência há mais de um século

A história por trás do prêmio também passa pelo trabalho do químico francês Louis Pasteur , que no século XIX observou que determinadas substâncias podiam existir em formas diferentes, como imagens diante de um espelho.

A grande questão que permaneceu por décadas era: como fazer uma reação química produzir principalmente uma dessas formas?

Foi justamente nesse campo que Kagan e Soai deram contribuições fundamentais.

O resultado é uma área da química que hoje possui aplicações importantes no desenvolvimento de medicamentos e na produção de moléculas utilizadas pela indústria farmacêutica.

Um Nobel que aproxima a química da vida cotidiana.

Embora o tema pareça distante da rotina, a descoberta premiada está ligada a uma questão extremamente prática: como produzir moléculas na forma correta para que elas desempenhem determinada função?

É um daqueles casos em que uma descoberta feita no mundo microscópico pode ter consequências gigantescas no mundo real.

Os dois pesquisadores dividirão o prêmio de 12 milhões de coroas suecas , e a cerimônia de entrega será realizada em dezembro, em Estocolmo.

Henri Kagan e Kenso Soai venceram o Nobel de Química 2026 por descobertas sobre moléculas espelhadas, importantes para medicamentos e para a indústria farmacêutica.

Com informações: G1.

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