O Brasil tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025 , o equivalente a 4% da população nessa faixa etária . Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre Trabalho de Crianças e Adolescentes de 5 a 17 anos.
Do total, 1,141 milhão realizavam atividades econômicas , enquanto 358 mil exerciam apenas produção para o próprio consumo .
Depois de uma queda em 2023 e de uma pequena oscilação positiva em 2024, a proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil voltou a recuar em 2025 , atingindo o menor percentual da série histórica.
Entre 2022 e 2025, a redução acumulada foi de 0,9 ponto percentual . Em relação a 2024, o número de pessoas nessa condição caiu 9,2% , chegando a 1,499 milhão, também o menor contingente registrado pela série do IBGE. Texto colado
Trabalho infantil aumenta conforme a idade
Os dados mostram que a ocorrência do trabalho infantil cresce conforme aumenta a idade.
Em 2025, entre crianças de 5 a 13 anos , a proporção em situação de trabalho infantil era de 1,1% . O percentual subia para 5,9% entre os jovens de 14 e 15 anos e chegava a 14,5% entre aqueles de 16 e 17 anos .
Todos os grupos etários apresentaram redução em relação a 2024 e registraram, em 2025, os menores percentuais da série histórica.
Entre as pessoas de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, 58,1% tinham 16 ou 17 anos , enquanto 23,2% estavam na faixa de 14 e 15 anos e 18,7% tinham entre 5 e 13 anos . Texto colado
Sudeste concentra maior número, mas Norte tem maior proporção
A Região Sudeste apresentou o maior contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil pessoas .
Na sequência aparecem:
- Nordeste: 408 mil;
- Norte: 249 mil;
- Sul: 233 mil;
- Centro-Oeste: 128 mil.
Apesar de ter o maior número absoluto, o Sudeste apresentou a menor proporção entre as regiões, com 3,3% da população de 5 a 17 anos nessa condição.
Já a Região Norte registrou a maior proporção , com 6,3% . Texto colado
Jornada de trabalho aumenta com a idade
A pesquisa também mostra diferenças importantes na quantidade de horas trabalhadas.
Entre crianças de 5 a 13 anos em situação de trabalho infantil, 87,1% trabalhavam até 14 horas por semana .
Na faixa de 14 e 15 anos , 43,3% trabalhavam até 14 horas semanais, enquanto 27,1% cumpriam jornadas de 15 a 24 horas.
Entre adolescentes de 16 e 17 anos , apenas 20,4% trabalhavam até 14 horas por semana. Por outro lado, 29,6% trabalhavam 40 horas ou mais . Quase metade desse grupo cumpria jornadas de pelo menos 25 horas semanais. Texto colado
Meninos são maioria entre trabalhadores infantis
Em 2025, os meninos representavam 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.
Entre 2024 e 2025, a população masculina nessa condição caiu 10% , passando de 1,089 milhão para 980 mil pessoas . Entre as meninas, a redução foi de 7,5% , de 561 mil para 519 mil .
Na análise por cor ou raça, 3,2% das crianças e adolescentes declarados brancos estavam em situação de trabalho infantil. Entre aqueles declarados pretos ou pardos , o percentual era de 4,4% . Texto colado
Trabalho infantil também afeta frequência escolar
A pesquisa identificou diferença na frequência à escola. Considerando toda a população de 5 a 17 anos, 97,5% eram estudantes . Entre aqueles em situação de trabalho infantil, o percentual caía para 86,9% .
Entre crianças de 5 a 13 anos, a frequência escolar superava 99% tanto na população total quanto entre aquelas em situação de trabalho infantil.
A maior diferença aparece entre os jovens de 16 e 17 anos : enquanto 89,6% da população dessa faixa frequentava a escola, entre os que estavam em situação de trabalho infantil o índice era de 79,6% , uma diferença de 10 pontos percentuais . Texto colado
Comércio concentra maior parte das atividades
Entre os 1,132 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no trabalho principal , 83,3% estavam em atividades não agrícolas .
A maioria atuava como empregado, representando 67,4% . Outros 19% eram trabalhadores familiares auxiliares , enquanto 13,6% eram empregadores ou trabalhadores por conta própria .
O comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas concentrava 29% das atividades. Em seguida apareciam agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura , com 16,7%.
A indústria geral representava 12,5% , enquanto alojamento e alimentação respondiam por 12,2%. Já os serviços domésticos concentravam 6,5%. Os demais segmentos, juntos, representavam 23,1%. Texto colado
Mais de 500 mil estão nas piores formas de trabalho infantil
Em 2025, 525 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em ocupações classificadas entre as piores formas de trabalho infantil , conforme a chamada Lista TIP.
O número correspondia a 36,2% das 1,450 milhão de pessoas dessa faixa etária que realizavam atividades econômicas .
Entre aqueles classificados nessa condição, 72,6% eram meninos e 68,3% eram pessoas pretas ou pardas .
O contingente de 525 mil representa o menor patamar da série histórica , com queda de 6,3% em relação a 2024 , quando eram 560 mil.
Desde 2022, quando havia 763 mil pessoas nessa situação, a redução acumulada chegou a 31,2% . Em 2023, houve uma queda de 22,7% em relação ao ano anterior, seguida por novas reduções em 2024 e 2025. Texto colado
Rendimento médio foi de R$ 936 entre trabalhadores infantis
O rendimento médio mensal real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas de 5 a 17 anos que realizavam atividades econômicas foi estimado em R$ 967 em 2025 .
Entre aquelas classificadas em situação de trabalho infantil, o rendimento médio foi de R$ 936 . Já entre as que realizavam atividades econômicas, mas não estavam classificadas nessa condição, o valor chegou a R$ 1.060 .
Entre os trabalhadores infantis que estudavam, o rendimento médio era de R$ 844 . Para aqueles que não frequentavam a escola, o valor chegava a R$ 1.326 . A diferença pode estar relacionada, entre outros fatores, à composição etária e ao número médio de horas dedicadas ao trabalho. Texto colado
Trabalho infantil e Bolsa Família
Em 2025, havia 13,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos vivendo em domicílios que recebiam Bolsa Família , o equivalente a 34,7% da população dessa faixa etária.
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita nesses domicílios era de R$ 660 , aproximadamente um terço dos R$ 1.990 registrados nos domicílios não beneficiados pelo programa.
Entre as crianças e adolescentes residentes em domicílios beneficiários do Bolsa Família , 4,4% estavam em situação de trabalho infantil , correspondendo a 573 mil pessoas. Na população total de 5 a 17 anos, o percentual era de 4%.
Em 2016, o trabalho infantil atingia 7,3% das crianças e adolescentes de domicílios beneficiados pelo programa, contra 5,2% da população total. Em 2025, a diferença caiu para 0,4 ponto percentual.
Na comparação com 2024, o trabalho infantil nos domicílios beneficiados pelo Bolsa Família caiu 20,1% , o equivalente a 144 mil crianças e adolescentes a menos nessa situação.
A redução entre beneficiários respondeu por mais de 95% da queda total do trabalho infantil registrada na população de 5 a 17 anos, que foi de 151 mil pessoas no período. Texto colado
Tarefas domésticas também fazem parte da rotina
Além do trabalho infantil, o levantamento analisou atividades domésticas não remuneradas e o cuidado de pessoas.
Em 2025, entre os 37,8 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos , 42,1% , ou 15,9 milhões, realizavam trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidavam de pessoas no próprio domicílio ou de parentes que moravam em outro endereço.
A proporção era maior entre os jovens de 16 e 17 anos, com 64,6% , seguida pela faixa de 14 e 15 anos, com 60,7%. Entre os de 5 a 13 anos, o percentual era de 32,7%.
Também houve diferença por sexo: 47,9% das meninas realizavam essas tarefas, contra 36,6% dos meninos .
A maioria, 86,5% , dedicava até 14 horas semanais a essas atividades, enquanto 8,4% dedicavam entre 15 e 24 horas. Texto colado
Crianças que trabalham também acumulam tarefas domésticas
Do total de crianças e adolescentes que realizavam trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidados de pessoas, 15 milhões não exerciam atividades econômicas , enquanto 944 mil acumulavam as duas formas de atividade .
Entre aqueles de 5 a 17 anos que realizavam atividades econômicas, 65,1% também faziam tarefas domésticas e/ou cuidavam de pessoas . Entre os que não exerciam atividades econômicas, o percentual era de 41,2%.
A diferença era ainda maior entre as crianças de 5 a 13 anos : 74,3% das que realizavam atividades econômicas também desempenhavam tarefas domésticas ou cuidados, contra 32,5% entre as que não exerciam atividade econômica.
Entre os adolescentes de 16 e 17 anos , os percentuais foram semelhantes entre aqueles que realizavam ou não atividades econômicas.
