Um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), campus de Três Lagoas, está percorrendo micro e pequenas empresas da região para identificar iniciativas sustentáveis e orientar empresários sobre boas práticas ambientais, sociais e de governança. Coordenado pela professora Sirlei Tonello, do curso de Ciências Contábeis, o projeto já visitou 64 empresas desde maio deste ano.
A iniciativa, intitulada "Promoção de Práticas Sustentáveis em Micro e Pequenas Empresas", tem duração de 36 meses e meta de visitar 300 MPEs em Três Lagoas e região até 2029. Participam 20 estudantes de Ciências Contábeis, que aplicam questionários a proprietários e gerentes.
O diagnóstico parcial, referente ao período de maio a setembro, abrange empresas de Três Lagoas, Água Clara, Inocência e Campo Grande, além de Andradina, Mirandópolis e Murutinga do Sul, no interior de São Paulo. Do total de respondentes, 50% têm ensino superior, 45% ensino médio e 5% ensino fundamental. A maioria das empresas é do comércio (53%), seguida por serviços (39%) e indústria (8%).
No eixo ambiental, as práticas mais comuns são o descarte correto de resíduos (49 empresas), o uso de equipamentos com eficiência energética (48) e o uso eficiente da água (48). A redução de plásticos aparece em 38 empresas. Por outro lado, a adoção de energia solar é baixa: apenas 29 empresas, menos da metade da amostra. Impressão zero (20) e produtos de limpeza ecológicos (25) também estão entre as práticas menos frequentes.
Um dado curioso: muitos gestores não conhecem o conceito de ESG, mas já praticam ações sustentáveis no dia a dia.
No eixo social, a adesão a práticas internas é alta, com média de 69%. Os itens mais citados são manter clientes satisfeitos (52), salários justos (50) e igualdade de gênero (50). O apoio à comunidade é menor, com média de 47%. Doações aparecem em 31 empresas, e apoio a organizações sem fins lucrativos, em 29.
Na governança, o registro regular de receitas e despesas é o item mais forte (56). Transparência fiscal e ética aparecem em 51 empresas cada. O ponto mais fraco é o combate à corrupção, citado por apenas 35 empresas, cerca de 55% da amostra.
Após a visita, as empresas recebem um folder com recomendações simples para implementar práticas ESG aos poucos. Para a professora Sirlei, que atua na área desde 2000, o segredo é começar com ações que não demandam recursos financeiros.
"Separação do lixo, reciclagem, reutilização de materiais, redução do uso de energia e água, substituição de equipamentos por modelos mais eficientes. São várias ações que fazem diferença", explica a professora Sirlei.
A meta para 2027 é visitar 100 MPEs. O relatório parcial será apresentado em novembro, e o projeto segue até o final de 2028. Para os estudantes envolvidos, a experiência é uma oportunidade de aplicar o conhecimento em situações reais e contribuir para o desenvolvimento sustentável da região.