AO VIVO
Cultura

Dia do Nordestino celebra a força de quem ajudou a construir Três Lagoas

A trajetória de Rose Evangelista, do Empório Nordestino, mostra como essa história também é feita de empreendedorismo, saudade e tradição.

Redação - Hojemais - Três Lagoas 
08/10/26 às 13h03
(Da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil à construção das fábricas de celulose, nordestinos ajudaram a transformar a cidade)

Celebrado nesta quinta-feira, 8 de outubro, o Dia do Nordestino é uma oportunidade de reconhecer a contribuição de um povo que ajudou a construir a história, a economia e a identidade cultural de Três Lagoas. Da chegada dos primeiros trabalhadores pela ferrovia às grandes obras de infraestrutura e à expansão da indústria de celulose, a presença nordestina atravessa gerações e permanece marcante no desenvolvimento do município.

Em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, essa história começou a ganhar força com a implantação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que abriu caminhos para a chegada de trabalhadores e famílias de diferentes regiões do país. Entre eles estavam nordestinos que encontraram na cidade oportunidades de trabalho e a possibilidade de construir uma nova vida.

Décadas depois, a construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, no Rio Paraná, impulsionou outra importante fase de migração. Trabalhadores participaram das obras da barragem e muitos permaneceram em Três Lagoas, formando famílias, estabelecendo negócios e criando raízes.

O movimento ganhou novo impulso com a industrialização e a chegada das grandes fábricas de celulose, especialmente os empreendimentos da Suzano e da Eldorado Brasil. A construção das unidades industriais e a expansão das atividades florestais atraíram profissionais de várias partes do Brasil, incluindo milhares de trabalhadores nordestinos.

Mais recentemente, a expansão do setor no leste de Mato Grosso do Sul, com novos investimentos industriais, mantém viva essa relação entre migração, trabalho e desenvolvimento regional.

Mas a contribuição nordestina vai muito além das grandes obras. Ela está presente na gastronomia, no comércio, na música, nas tradições e nas histórias de famílias que transformaram Três Lagoas em seu lar.

(Rose Evangelista - prorietária das 3 lojas do Empório Nordestino)

Rose Evangelista: uma empreendedora que vende o sabor da saudade

Uma dessas histórias de valorização das raízes nordestinas foi apresentada no Hojemais Notícias, comandado pelo jornalista Paulo Renato, que recebeu Rosemeire Silva Evangelista, de 52 anos, proprietária do Empório Nordestino, em Três Lagoas.

Rose representa o espírito empreendedor de quem identifica oportunidades sem perder a ligação com as tradições. Sua trajetória mostra que um negócio pode oferecer muito mais do que mercadorias: pode proporcionar lembranças, emoções e o reencontro com a própria origem.

Com o lema “Lidero com propósito, crio com paixão”, a empresária transformou uma necessidade percebida no comércio local em uma oportunidade de negócio. Ao pesquisar o mercado, identificou que Três Lagoas recebia muitas pessoas vindas do Norte e do Nordeste, mas ainda tinha espaço para uma loja especializada em produtos e sabores dessas regiões.

Assim nasceu o Empório Nordestino, reunindo alimentos, produtos naturais e tradições que despertam memórias afetivas em quem deixou sua terra natal.

A trajetória não foi simples. Rose enfrentou dificuldades, incluindo os impactos da pandemia de Covid-19, período em que precisou lidar com problemas de saúde e, ao mesmo tempo, manter o empreendimento funcionando.

Com planejamento, persistência e fé, conseguiu superar os desafios e ampliar o negócio. Atualmente, conforme a trajetória apresentada pela empresária, o Empório está presente em três pontos de Três Lagoas, aproximando os produtos dos consumidores.

Para Rose, uma das maiores recompensas é acompanhar a emoção de clientes que encontram nas prateleiras alimentos que fizeram parte da infância, da convivência familiar e das tradições de sua região.

Em seu relato, a empresária resume esse sentimento ao afirmar que muitas vezes não está vendendo apenas um produto, mas proporcionando uma lembrança e um sabor que faz a pessoa se sentir mais perto de casa.

É justamente esse sentimento que dá significado à expressão “o sabor da saudade”.

Uma cultura que criou raízes e ajudou a transformar a cidade

A história de Rose Evangelista representa uma realidade compartilhada por inúmeras famílias que escolheram Três Lagoas para viver.

Os nordestinos que chegaram para trabalhar na ferrovia, na construção da barragem de Jupiá e nas fábricas de celulose não contribuíram apenas com a força de trabalho. Trouxeram costumes, receitas, expressões culturais, religiosidade e uma maneira própria de enfrentar os desafios.

Muitos chegaram com a intenção de permanecer por alguns meses ou anos. Entretanto, encontraram oportunidades, constituíram famílias e fizeram da cidade seu endereço definitivo.

Hoje, filhos e netos desses trabalhadores fazem parte da sociedade três-lagoense, atuando no comércio, na indústria, na educação, na saúde, na prestação de serviços e em diferentes atividades econômicas.

A presença nordestina também pode ser percebida nas festas populares, nas músicas, nas comidas típicas e nos pequenos empreendimentos que preservam a identidade regional.

O Nordeste que continua construindo o futuro de Mato Grosso do Sul

O desenvolvimento industrial de Três Lagoas e da região conhecida como Vale da Celulose continua abrindo oportunidades para profissionais de diferentes estados brasileiros.

Com a expansão do setor florestal e novos empreendimentos, como o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, a região vive outro ciclo de investimentos e transformação econômica.

Assim como ocorreu na época da ferrovia e da construção da hidrelétrica, novas famílias chegam em busca de trabalho, renda e melhores condições de vida.

Neste Dia do Nordestino, a história de Três Lagoas demonstra que o crescimento de uma cidade não acontece apenas por meio de obras, investimentos e grandes empresas. Ele também é resultado das pessoas que chegam, trabalham, empreendem e decidem ficar.

Rose Evangelista, com seu Empório Nordestino, simboliza essa ligação entre passado e presente. Enquanto gerações anteriores ajudaram a construir ferrovias, barragens e indústrias, empreendedores de hoje mantêm vivas as tradições e transformam a saudade em oportunidades.

Afinal, a força do Nordeste não está apenas na história de quem partiu, mas também nas raízes que essas pessoas criaram por onde passaram.

Em Três Lagoas, o povo nordestino não apenas ajudou a construir a cidade. Tornou-se parte da sua identidade, da sua cultura e do seu futuro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM CULTURA
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WÉSLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.