Cultura

Músicos haitianos conquistam Três Lagoas e prometem ganhar o mundo

Sobreviventes do terremoto que atingiu o Haiti em 2010, o Deep Rots nasceu da superação e o amor pela música.

Julia Rafaela  - Hojemais Três Lagoas 
29/10/19 às 15h14
(Foto: Marcus Cabanha)

Sair de seu país de origem, a fim de recomeçar nem sempre é uma tarefa fácil, isso porque envolve afeto, questão familiar, amor, gratidão e aquele sentimento de incerteza, onde a principal dúvida é “será que vai dar certo?”. A história de hoje irá contar sobre a vida de dois jovens, Makov Beneche Cassiano de 33 anos e Mickelson Pierre Vil de 24, ambos nascidos e criados no Haiti, porém sem grau de parentesco ou qualquer tipo de contato quando ainda moradores do país caribenho, mas o que esses jovens não sabiam é que seus destinos já estavam atrelados antes mesmo do nascimento.

Foi em 12 de janeiro de 2010 que um forte terremoto atingiu o Haiti, o estrago foi grande e o desespero das famílias era evidente. A data fatídica foi capaz de levar a óbito de 100.000 a 200.000 pessoas e caos se instaurou pelo país, faltava água, comida, energia, moradia, medicamento e esperança entre os sobreviventes, que diante a destruição não enxergavam meios para se reconstruir. Há mais de 500 anos o Haiti já passava por um situação sub-humana. Tinha em seu cenário, precárias construções, aparelho político fraco e a má qualidade de vida de seu povo.

Diante desse cenário, em 28 de Setembro de 2013 Makov, decidiu tentar apagar as dores do trauma causado pelo terremoto, entrou em um avião e aterrissou no Equador. Com a ajuda de um coiote começa a travessia para o Peru, local onde enfrentou vários contratempos nas rotas de tráfico e contrabando. Deixando o País, rumo ao Brasil, cruzando a Floresta Amazônica e seguindo para o interior do continente. Foi recebido em um refúgio de imigrantes na cidade de Rio Branco – Acre. Afim de encontrar alguns amigos e conterrâneos, dirigiu-se para a cidade de Três Lagoas-MS.

(Foto Marcus Cabanha)

Um ano após a seu chegada em território brasileiro, foi a vez de Mickelson. No dia 20 de Julho de 2014 pegou um voo e deixou o Haiti, a fim de escrever uma nova história e trilhar um novo caminho, a mala era pequena, mas nela ainda cabia sonhos e a esperança parecia renascer novamente. A travessia também foi conturbada, mas com o intuito de encontrar alguns amigos conseguiu chegar até Três Lagoas, onde teve o primeiro contato com Beneche.

Deep Roots
O encontrou rolou em um evento cultural e educacional, que tinha a finalidade de promover intercâmbios de conhecimento, ideologias e culturas entre Haitianos e Brasileiros. Naquele dia após diversas apresentações Mak-Bee (Makov Beneche Cassiano) pediu o violão ao Artista Maringa Borgert e começou a tocar a Música Rèv Mwen Gran (Meu Sonho é Grande), composição própria de Mak-Bee, foi nesse momento que as histórias se cruzaram.

Foi no evento que os jovens cantaram juntos pela primeira vez e a sintonia foi evidente logo no primeiro contato.

Nasce Deep Roots!
A expressão Deep Roots carrega o significado metafórico de Raízes Profundas. A banda Haitiana nasceu e evolui no estado de Mato Grosso do Sul, mais precisamente na cidade de Três Lagoas e composta por  Mak-Bee e G-no Black, como são conhecidos hoje. Atualmente conta com o apoio e parceria do Estúdio/Agência Black Mídia, empresa brasileira que tem produzido os trabalhos do grupo até o momento.

(Foto Marcus Cabanha)

Influenciados pelos estilos musicais: Konpa, Racine, Reggae, Rock, Jazz, Blues, Funk, Bossa Nova, Rap, Hip-Hop, Zouk Love, Troubadou, Dance All, Rock and Blues, Trap, Raboday, Soul, Boom Bap, Slam entre outros.

O Deep Roots têm como objetivo principal fundir os elementos da cultura haitiana, brasileira e universal. Suas letras são escritas em Creole, Francês, Inglês, Espanhol e Português e são inspiradas em temas filosóficos, socioculturais, humanitários e românticos.

Recentemente a dupla lançou o primeiro álbum com 12 músicas, intitulado "Chalè Roots”.

“Eles tiveram uma vida muito difícil mas fizeram o impossível para juntar a grana e financiar o projeto, isso não é algo que sai barato. Eles também lançaram um clipe da música “Somos todos iguais” que está no ar graças ao apoio de algumas empresas que acreditaram no potencial dos meninos. Esse trabalho está sendo muito louco para mim, em todo esse tempo eu já gravei alguns CDs e participar desse projeto tem sido de extrema importância, devido ao impacto, a história de vida, e toda a questão cultural” – finalizou o produtor musical e proprietário do estúdio Black Mídia, Marcus Cabanha.

Confira o clipe da música "Somos todos iguais" 

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