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Desenrola 3.0 prevê desconto de 90% em dívidas

Nova fase permite que a União compre dívidas em leilões e repasse o desconto integral aos consumidores

Thais Constantino - Hojemais Três Lagoas
26/09/26 às 09h35
Desenrola 3.0 prevê desconto de 90% em dívidas (Foto: Reprodução)

A terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, chamada Desenrola 3.0 , foi criada por medida provisória nesta sexta-feira (25) e apresenta uma mudança em relação às etapas anteriores.

A principal novidade é que a União poderá comprar carteiras de dívidas inadimplidas em leilões e repassar integralmente ao consumidor o desconto obtido na operação . Nas fases anteriores, a negociação ocorria diretamente entre credores e devedores.

A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis ao programa, com potencial de beneficiar até 15 milhões de pessoas .

Como vai funcionar o Desenrola 3.0

A nova etapa será destinada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil , considerando o valor original do débito.

Para participar, a dívida deverá estar atrasada há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias , contados a partir de 25 de setembro de 2026.

O processo será realizado em etapas:

  1. A União fará leilões para adquirir as carteiras de dívidas;
  2. Os credores apresentarão propostas de desconto;
  3. As ofertas serão classificadas de acordo com o maior deságio;
  4. O desconto obtido pelo governo será transferido integralmente ao devedor;
  5. O consumidor poderá pagar o saldo à vista ou parcelar;
  6. As regras para o parcelamento ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Quem poderá participar?

A medida provisória estabelece como principais critérios:

  • Dívidas de até R$ 10 mil , considerando o valor original;
  • Atraso superior a 720 dias ;
  • Atraso inferior a 1.645 dias ;
  • Débitos bancários e não bancários.

O Ministério da Fazenda ainda poderá estabelecer critérios adicionais relacionados à renda e à prioridade dos devedores.

Os leilões poderão ser realizados em lotes e separar os débitos conforme sua natureza, entre dívidas bancárias e não bancárias .

Desconto mínimo será de 90%

O deságio mínimo previsto nos leilões será de 90% . O desconto obtido pela União na aquisição da carteira será repassado integralmente ao consumidor.

Na prática, uma dívida elegível de R$ 10 mil , caso seja adquirida pelo governo com o desconto mínimo, terá R$ 1 mil como valor considerado para a renegociação.

O consumidor poderá quitar esse saldo de uma vez, mantendo o desconto, ou optar pelo parcelamento. Nesse caso, poderão incidir juros conforme as regras que ainda serão estabelecidas pelo CMN.

Programa pode alcançar R$ 150 bilhões em dívidas

A estimativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser incluídos na compra das carteiras.

O cálculo considera apenas uma parte dos R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito em agosto de 2026.

As projeções são de:

  • Até R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas;
  • Até 15 milhões de pessoas beneficiadas ;
  • Custo máximo de R$ 15 bilhões para a União adquirir as carteiras.

Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028 .

Quando começa o Desenrola 3.0?

O cronograma previsto na medida provisória estabelece as seguintes etapas:

  • Setembro de 2026: publicação da medida provisória;
  • Novembro de 2026: publicação do chamamento para apresentação das propostas;
  • Dezembro de 2026: credores apresentam as propostas;
  • Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas;
  • Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos aos devedores.

A previsão é que, a partir de fevereiro de 2027 , os consumidores possam começar a quitar os valores à vista ou iniciar o parcelamento.

Inadimplência atinge 83,9 milhões de pessoas

Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo mostram que, em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso.

O levantamento aponta ainda:

  • 83,9 milhões de pessoas negativadas ;
  • Média de quatro dívidas por pessoa ;
  • Valor médio de R$ 7 mil por pessoa ;
  • Média de R$ 1,7 mil por dívida ;
  • 56% dos negativados são mulheres ;
  • Cerca de 55% do estoque corresponde a dívidas não bancárias.

Entre os débitos não bancários estão contas de água, energia, telefonia e varejo .

O que muda nesta terceira fase?

Nas duas primeiras etapas do Desenrola , a renegociação dependia de um acordo direto entre consumidores e credores.

Agora, a terceira fase prevê a participação direta do governo na compra das carteiras de dívidas por meio de leilões .

O desconto obtido nessas operações será repassado ao consumidor, que poderá escolher entre pagar o saldo integralmente ou parcelar o valor restante.

Como foram as fases anteriores?

As duas primeiras etapas do programa alcançaram aproximadamente 25 milhões de pessoas .

Na primeira fase, foram contempladas dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019. O programa registrou:

  • Mais de 8 milhões de operações de renegociação ;
  • R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas;
  • 15 milhões de pessoas e famílias atendidas .

A segunda fase foi direcionada a dívidas bancárias com inadimplência entre 90 dias e dois anos . Foram:

  • Mais de 5,5 milhões de operações ;
  • R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas;
  • 10 milhões de pessoas e famílias atendidas .
 
 
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