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Impulsionada por megafábrica vizinha, Costa Leste domina criação de vagas e TL garante 3º lugar em empregos industriais

Inocência lidera saldo estadual puxada pelo canteiro de obras da Arauco; juntas, cidades da região e a Capital respondem por 74% das oportunidades geradas na indústria sul-mato-grossense em 2026

Patricia Acunha - Hojemais - Três Lagoas
08/10/26 às 17h11
Três Lagoas continua com saldo de empregos (Arquivo)

A locomotiva industrial de Mato Grosso do Sul continua com os motores aquecidos na Costa Leste. De janeiro a agosto de 2026, a região provou ser o porto seguro para quem busca uma vaga com carteira assinada no Estado. O município de Três Lagoas encerrou o período como o terceiro maior gerador de empregos no setor, mas o protagonismo absoluto do ano ficou com a vizinha Inocência, que vive um verdadeiro boom econômico impulsionado pela construção da megafábrica de celulose da Arauco.

Os números fazem parte do recém-lançado painel do Observatório da Indústria da Fiems, estruturado com dados do Novo Caged. O levantamento revela uma concentração impressionante: Inocência abriu, sozinha, 4.446 novos postos de trabalho formais. Esse volume representa 45% de todo o saldo positivo de empregos gerados no Estado no período.

Logo em seguida no interior, Três Lagoas reafirma sua musculatura e estabilidade econômica com um saldo positivo de 1.394 contratações (diferença entre admitidos e demitidos). A Capital Mundial da Celulose ficou atrás apenas de Inocência e de Campo Grande (1.538 vagas) no ranking geral de abertura de novos postos.

ESTOQUE DE TRABALHADORES E SETORES

A força de Três Lagoas se reflete não apenas nas novas contratações, mas na capacidade de manter sua base operária empregada. A cidade sustenta o terceiro maior estoque de trabalhadores da indústria no Estado. Em todo o Mato Grosso do Sul, o setor industrial já soma 181.158 profissionais atuando com carteira assinada.

O perfil de contratações do Estado deixa evidente os pilares da nossa economia. A Indústria de Transformação emprega a grande maioria (67%), seguida de perto pela Indústria da Construção (25%) — esta última fortemente alavancada pelas obras de infraestrutura e instalação de novas fábricas, como ocorre em Inocência. Quando se analisa as atividades específicas que mais absorvem mão de obra no Estado, o destaque vai para os frigoríficos (abate de bovinos, suínos e aves) e para o setor sucroenergético (fabricação de álcool e açúcar).

ALERTA NO SEGUNDO SEMESTRE

Construção da fábrica Arauco puxa geração de empregos em Inocência (Arquivo)

Embora o saldo acumulado do ano seja robusto, com o Estado fechando os oito primeiros meses de 2026 com 9.928 vagas positivas (fruto de mais de 81 mil admissões contra 71 mil demissões), o relatório da Fiems acende um sinal de alerta para a reta final do ano.

A abertura de vagas perdeu fôlego ao longo dos meses. O pico de contratações ocorreu no primeiro trimestre, especialmente em março. A partir de abril, o saldo começou a encolher e, em agosto, Mato Grosso do Sul registrou o primeiro saldo negativo do ano, com as demissões superando as admissões em 130 postos de trabalho. O cenário mostra que, após o forte ciclo de absorção de mão de obra no início de 2026, a indústria passa por um momento de estabilização do seu quadro de funcionários.

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