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Na contramão do Estado, Três Lagoas registra superávit em capacidade de armazenagem de grãos

Estudo do Projeto SIGA-MS revela que Mato Grosso do Sul possui um déficit de mais de 12 milhões de toneladas para estocar a safra; município da Costa Leste integra a seleta lista de cidades com infraestrutura no azul

Patricia Acunha - Com informações da Aprosoja
28/09/26 às 15h41
Dos 78 municípios que produzem soja ou milho, 71 estão em déficit e 7 têm superávit: Dourados, Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia, Brasilândia, Três Lagoas

Três Lagoas figura entre os sete municípios de Mato Grosso do Sul com superávit de armazenagem de grãos, segundo o projeto SIGA-MS, divulgado nesta segunda-feira (28). O estudo, que analisou a capacidade estática dos 799 complexos armazenadores do Estado frente à média das cinco últimas safras de soja e milho, aponta que o município tem capacidade instalada de 4.740 toneladas para uma necessidade de 4.577 toneladas, resultando em cobertura de 104% pelo critério da FAO.

O desempenho positivo contrasta com o cenário estadual. Mato Grosso do Sul tem um déficit de 12,03 milhões de toneladas, o equivalente a 41,2% da capacidade recomendada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Dos 78 municípios produtores, 71 estão em déficit.

Três Lagoas integra a região Nordeste, que tem cobertura de 54,9% e déficit de 1,26 milhão de toneladas. A região é uma das oito analisadas pelo estudo e apresenta desempenho superior à média estadual, que é de 58,8%.

Concentração da capacidade

Apesar do superávit, Três Lagoas não está entre os maiores polos de armazenagem do Estado. A capacidade está concentrada em cinco municípios: Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste, que juntos detêm 49,9% da capacidade instalada, mas respondem por apenas 37,6% da produção.

Os maiores déficits estão em Ponta Porã (1,30 milhão de toneladas) e Maracaju (1,13 milhão de toneladas). Juntos, os dois municípios somam 2,43 milhões de toneladas de déficit, um quinto do total estadual.

Logística e corredores

A BR-163 é a principal espinha dorsal do escoamento da produção no Estado. Num raio de 30 km da rodovia, estão 300 unidades armazenadoras e 41% da capacidade estática. Considerando qualquer rodovia federal, a proporção sobe para 88,6%.

Mato Grosso do Sul depende fortemente do modal rodoviário: 69% dos grãos são escoados por caminhão, contra 22% por ferrovia e 9% por hidrovia.

Oportunidades no horizonte

O estudo aponta que a Rota Bioceânica e a Ferrovia do Pantanal podem transformar a logística da região. A ferrovia planejada ligaria Porto Murtinho a Três Lagoas, cruzando o polo de Maracaju, no centro do déficit. A hidrovia Paraguai-Paraná também é uma alternativa, mas apenas 3,9% da capacidade de armazenagem do Estado está a até 30 km dos rios navegáveis.

"O cenário tende a se agravar com as projeções de aumento da produção", alerta o estudo. A safra de grãos de Mato Grosso do Sul deve alcançar 30,3 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 6% sobre o ano anterior, mais que o dobro da média nacional.

Para Três Lagoas, o superávit de armazenagem é um alívio. Mas o gargalo logístico do Estado, que depende de rodovias para escoar a produção, segue como um desafio a ser enfrentado. A expansão da capacidade de armazenagem, aliada aos novos corredores logísticos, é apontada como o caminho para consolidar o agronegócio sul-mato-grossense.

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