Três Lagoas figura entre os sete municípios de Mato Grosso do Sul com superávit de armazenagem de grãos, segundo o projeto SIGA-MS, divulgado nesta segunda-feira (28). O estudo, que analisou a capacidade estática dos 799 complexos armazenadores do Estado frente à média das cinco últimas safras de soja e milho, aponta que o município tem capacidade instalada de 4.740 toneladas para uma necessidade de 4.577 toneladas, resultando em cobertura de 104% pelo critério da FAO.
O desempenho positivo contrasta com o cenário estadual. Mato Grosso do Sul tem um déficit de 12,03 milhões de toneladas, o equivalente a 41,2% da capacidade recomendada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Dos 78 municípios produtores, 71 estão em déficit.
Três Lagoas integra a região Nordeste, que tem cobertura de 54,9% e déficit de 1,26 milhão de toneladas. A região é uma das oito analisadas pelo estudo e apresenta desempenho superior à média estadual, que é de 58,8%.
Concentração da capacidade
Apesar do superávit, Três Lagoas não está entre os maiores polos de armazenagem do Estado. A capacidade está concentrada em cinco municípios: Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste, que juntos detêm 49,9% da capacidade instalada, mas respondem por apenas 37,6% da produção.
Os maiores déficits estão em Ponta Porã (1,30 milhão de toneladas) e Maracaju (1,13 milhão de toneladas). Juntos, os dois municípios somam 2,43 milhões de toneladas de déficit, um quinto do total estadual.
Logística e corredores
A BR-163 é a principal espinha dorsal do escoamento da produção no Estado. Num raio de 30 km da rodovia, estão 300 unidades armazenadoras e 41% da capacidade estática. Considerando qualquer rodovia federal, a proporção sobe para 88,6%.
Mato Grosso do Sul depende fortemente do modal rodoviário: 69% dos grãos são escoados por caminhão, contra 22% por ferrovia e 9% por hidrovia.
Oportunidades no horizonte
O estudo aponta que a Rota Bioceânica e a Ferrovia do Pantanal podem transformar a logística da região. A ferrovia planejada ligaria Porto Murtinho a Três Lagoas, cruzando o polo de Maracaju, no centro do déficit. A hidrovia Paraguai-Paraná também é uma alternativa, mas apenas 3,9% da capacidade de armazenagem do Estado está a até 30 km dos rios navegáveis.
"O cenário tende a se agravar com as projeções de aumento da produção", alerta o estudo. A safra de grãos de Mato Grosso do Sul deve alcançar 30,3 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 6% sobre o ano anterior, mais que o dobro da média nacional.
Para Três Lagoas, o superávit de armazenagem é um alívio. Mas o gargalo logístico do Estado, que depende de rodovias para escoar a produção, segue como um desafio a ser enfrentado. A expansão da capacidade de armazenagem, aliada aos novos corredores logísticos, é apontada como o caminho para consolidar o agronegócio sul-mato-grossense.
