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Três Lagoas é base florestal que sustenta expansão do etanol de milho em MS

Estudo da Aprosoja/MS aponta que Mato Grosso do Sul parte na frente na oferta de biomassa, graças à floresta plantada para a indústria de celulose; desafio é monitorar o ritmo de crescimento das usinas

Patrícia Acunha - Com informações do Aprosoja
25/09/26 às 16h25
Segundo o levantamento, elaborado a partir de dados do SIGA-MS, o Estado chegou à safra 2025/2026 com 1,985 milhão de hectares de eucalipto

Enquanto o Mato Grosso corre contra o tempo para plantar eucalipto suficiente para abastecer suas usinas de etanol de milho, Mato Grosso do Sul parte de uma posição privilegiada. É o que aponta o Informativo Econômico 14/2026 da Aprosoja/MS, divulgado nesta sexta-feira (25), com base em estudo do Itaú BBA Consultoria Agropecuária e dados do SIGA-MS.

A vantagem sul-mato-grossense tem endereço certo: Três Lagoas. Foi ali, ao longo de mais de quinze anos, que a indústria de celulose — com as fábricas da Suzano e da Eldorado Brasil — construiu uma base florestal madura, com 1.985.020 hectares de eucalipto plantado na safra 2025/2026. O número representa alta de 15,2% sobre a safra anterior e de quase 75% desde 2020/2021.

O setor florestal responde por mais de 10% do PIB estadual e 90 mil empregos, em uma cadeia que envolve fornecedores, viveiros, colheita e logística. Essa estrutura, montada para atender a celulose, agora é acessada pronta pela indústria do etanol de milho, que precisa de biomassa para gerar vapor e energia na destilação.

Por que o milho precisa da floresta

Diferentemente da cana-de-açúcar, que deixa bagaço para queimar, o milho não produz fibra. Cada usina de etanol de milho precisa comprar, plantar ou contratar biomassa externa, quase sempre cavaco de eucalipto. A regra do setor é clara: cerca de meia tonelada de cavaco para cada tonelada de milho processada.

Só as fábricas de celulose de Três Lagoas entregam juntas mais de 370 megawatts a partir de biomassa florestal. A Suzano gera cerca de 150 MW, enquanto a Eldorado Brasil produz aproximadamente 226 MW e ainda vende excedente.

Desafio não é imediato, mas exige atenção

O estudo alerta que a madeira de melhor qualidade já tem dono. O eucalipto de padrão celulose está comprometido com a Suzano e a Eldorado, e o que sobra para as usinas de milho é, em boa parte, resíduo, ponta e desbaste. Além disso, o número de usinas de etanol de milho no Estado deve sair de quatro para pelo menos seis nos próximos anos, com a Atvos anunciando plantas em Nova Alvorada do Sul e Costa Rica.

A Aprosoja/MS recomenda que o produtor acompanhe o preço da madeira energética na região de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, termômetro mais sensível de qualquer aperto antes que ele apareça nas estatísticas. A entidade também defende a publicação de um estudo específico de balanço de biomassa para Mato Grosso do Sul, nos moldes do que já foi feito para o Mato Grosso.

"O balanço energético já mostra sobra, não escassez. Mas a conta pode fechar hoje e apertar daqui a três ou quatro safras", resume o informativo. Para Três Lagoas, que sedia o maior polo florestal do Estado, a mensagem é de oportunidade e de vigilância.

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