Três Lagoas ganhou mais um número para dimensionar o peso que a cadeia de florestas plantadas passou a ter na economia local. O município assumiu, em 2025, a liderança nacional no valor da produção da silvicultura, alcançando
R$ 1,8 bilhão
, segundo dados da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa uma alta de
216,3% em relação a 2024
e coloca Três Lagoas à frente de municípios que tradicionalmente aparecem entre os maiores produtores do país. A cidade também apresentou crescimento de
40,5% no volume de madeira em tora destinada à fabricação de papel e celulose
, o que levou o valor da produção desse segmento a um salto de
218,9%
, chegando aos R$ 1,8 bilhão.
Os números ajudam a traduzir, em cifras, uma transformação que há anos vem redesenhando a economia da região de Três Lagoas. A madeira produzida nas florestas plantadas alimenta principalmente a indústria de papel e celulose, setor que tem forte presença na Costa Leste de Mato Grosso do Sul.
Um mercado que movimentou R$ 47,9 bilhões
O desempenho de Três Lagoas acompanha uma expansão expressiva da silvicultura em Mato Grosso do Sul. Em 2025, o Estado aumentou em
30,3% sua área destinada à silvicultura
e chegou a
1,9 milhão de hectares de florestas plantadas
, ocupando a segunda maior área do país. Desse total,
99,7% são áreas de eucalipto
.
Três Lagoas também aparece entre os municípios brasileiros com maior extensão de florestas plantadas. São
348,1 mil hectares
, um crescimento de
15,3%
em relação ao ano anterior. O município fica atrás apenas de Ribas do Rio Pardo entre os destaques sul-mato-grossenses nesse quesito.
O cenário estadual chama atenção: dos dez municípios brasileiros com as maiores áreas de florestas plantadas,
sete estão em Mato Grosso do Sul e três em Minas Gerais
.
Um mercado que movimentou R$ 47,9 bilhões
O resultado de Três Lagoas está inserido em um cenário nacional de expansão da produção florestal. De acordo com o IBGE, o valor da produção da silvicultura e da extração vegetal chegou ao
recorde de R$ 47,9 bilhões em 2025
, crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior.
A silvicultura respondeu pela maior parte desse montante, com
R$ 41 bilhões
, alta de 8,6%. Já a extração vegetal registrou R$ 6,9 bilhões, queda de 3,1%. Com isso, as florestas plantadas responderam por
85,6% do valor da produção primária florestal brasileira
.
O avanço está diretamente relacionado à expansão das áreas cultivadas. O país encerrou 2025 com
10,4 milhões de hectares de florestas plantadas
, dos quais 8,2 milhões eram de eucalipto, espécie que representa 78,6% da área e é utilizada predominantemente pela indústria de papel e celulose.
Três Lagoas no centro da produção de madeira para celulose
Os dados do IBGE reforçam o papel estratégico de Três Lagoas dentro dessa cadeia produtiva. O município é apontado como grande produtor de madeira em tora destinada à fabricação de papel e celulose, segmento que foi responsável pela maior parte do crescimento registrado em 2025.
Enquanto a madeira destinada à indústria de celulose avançou, outros segmentos apresentaram comportamento diferente. O valor da produção de madeira em tora para outras finalidades caiu 6,4% em Três Lagoas. Já o carvão vegetal teve forte alta de
1.328,1%
, enquanto a quantidade produzida de lenha recuou 14,8%.
No ranking nacional,
Ribas do Rio Pardo aparece na segunda colocação
, com R$ 1 bilhão em valor de produção da silvicultura. O município também se destacou pela produção de madeira em tora para papel e celulose, com 4,9 milhões de metros cúbicos e R$ 903,7 milhões em valor de produção.
Os números desenham, assim, uma nova fotografia da economia florestal brasileira. E, no centro dela, Três Lagoas aparece não apenas como produtora de madeira, mas como um dos principais municípios do país na cadeia que transforma florestas plantadas em matéria-prima para uma das grandes indústrias exportadoras do Brasil.